“Se você acha que essa quantidade de sono é suficiente vai morrer prematuramente”, alerta especialista

Uma boa noite de sono pode ser vista como luxo, mas médicos alertam: dormir a quantidade certa é questão de vida e morte. Estudos indicam que tanto a falta quanto o excesso de sono podem acelerar a “morte precoce” — especialmente para quem dorme menos de cinco horas por noite, revela o médico Joshua Nair.
Dormir Menos do Que Se Deve Pode Custar Caro
Para adultos, a recomendação é clara: entre sete e nove horas de sono por noite. Mas quem arrisca noites em claro ou insiste em dormir pouco, como quatro ou cinco horas, paga um preço. Segundo o Dr. Dan Friedrich, especialista em saúde e sono, noites curtas repetidas vezes podem encurtar sua expectativa de vida. Com apenas quatro horas de sono, por exemplo, o risco de doenças crônicas e mortalidade prematura aumenta, já que o corpo se mantém em estado de alerta e estresse constantes.
Estudos já documentaram que dormir entre seis e oito horas é o mais saudável, sendo o ideal pelo menos sete horas. Isso se deve à liberação de hormônios essenciais durante o sono, responsáveis por regenerar tecidos e fortalecer o sistema imunológico. Quando o corpo fica privado desse tempo de recuperação, a saúde cardiovascular é uma das primeiras a sofrer, segundo o Dr. Friedrich. Ele aponta que o sono reduzido também está ligado a doenças cardíacas, hipertensão e diabetes.
Excesso de Sono Também Traz Riscos — Mas Menores
Dormir demais não fica muito atrás em termos de riscos. O Dr. Friedrich explica que, embora dormir mais de nove horas pareça menos alarmante que dormir pouco, ainda assim aumenta as chances de desenvolver doenças crônicas. Longos períodos de sono podem estar associados a condições subjacentes, como depressão ou distúrbios respiratórios, que aumentam o risco de mortalidade.
Pesquisas apontam que pessoas que dormem mais de nove horas por noite podem, na verdade, ter dificuldades para adormecer e acordar renovadas, o que reduz a qualidade do sono. Esse ciclo não saudável reflete uma tendência crescente de multimorbidade, ou seja, a presença de duas ou mais condições crônicas em adultos mais velhos, como destaca a Dra. Severine Sabia, pesquisadora da University College London.
Por Que a Qualidade Importa Tanto Quanto a Quantidade
A qualidade do sono não é apenas sobre números. Ter um quarto adequado, escuro e silencioso, e manter uma boa “higiene do sono” — termo que se refere a práticas que promovem uma boa noite de descanso, como horários regulares e a ausência de telas antes de dormir — são fatores importantes para garantir que o sono seja realmente restaurador. A Dra. Sabia explica que um sono insuficiente ou perturbado está associado a um aumento nas taxas de hospitalização e à piora das condições de saúde em adultos com mais de 50 anos.
Além disso, evitar o uso de celulares ou outros dispositivos eletrônicos antes de dormir é essencial. A luz azul emitida por esses aparelhos interfere na produção de melatonina, hormônio do sono, que regula o ciclo circadiano — o famoso “relógio biológico” do corpo humano. Grandes refeições e a prática de exercícios muito perto da hora de dormir também atrapalham o sono, deixando o organismo em estado de alerta quando ele deveria estar relaxado.
Quem Dorme Bem Vive Melhor
Para melhorar a duração e a qualidade do sono, é importante adotar algumas práticas simples, como manter uma temperatura confortável no quarto e se expor à luz do dia, o que ajuda a regular o ciclo do sono e acordar com mais disposição. Para quem luta contra a insônia, incorporar exercícios físicos leves durante o dia e evitar cafeína a partir do fim da tarde podem ser estratégias eficazes.
Estudos da University College London mostraram, em um grupo de 7.864 pessoas com mais de 50 anos, que aqueles que dormem menos de cinco horas por noite têm um risco 25% maior de morrer cedo. Segundo os pesquisadores, essa taxa alarmante ocorre porque a privação do sono agrava condições de saúde já existentes, contribuindo para a multimorbidade.
Manter a regularidade no sono é uma das melhores formas de cuidar da saúde e melhorar a qualidade de vida. Afinal, uma boa noite de sono não é apenas descanso — é uma questão de sobrevivência.
