Você pode estar envelhecendo mais rápido ao comer estes tipos de alimentos, descobre estudo

Por , em 6.11.2024

Uma pesquisa conduzida pelo Istituto Neurologico Mediterraneo Neuromed I.R.C.C.S., em parceria com a Universidade LUM de Casamassima, aponta uma ligação intrigante e preocupante entre o consumo elevado de alimentos ultraprocessados e o envelhecimento biológico acelerado. Publicado na The American Journal of Clinical Nutrition, o estudo sugere que a quantidade de alimentos ultraprocessados na dieta pode influenciar o “relógio interno” do corpo, afetando negativamente sua capacidade de se manter jovem e saudável, independentemente de quão nutritiva seja a alimentação.

Com base nos dados da coorte populacional do Moli-sani Study, uma das maiores pesquisas desse tipo na Europa, foram analisados mais de 22 mil participantes. Os cientistas italianos utilizaram uma gama de mais de trinta biomarcadores sanguíneos para medir a idade biológica dos indivíduos, que, ao contrário da idade cronológica, reflete a saúde interna real do organismo. Esses biomarcadores revelaram uma verdade menos visível a olho nu: a biologia de quem consome muitos alimentos ultraprocessados tende a envelhecer mais rapidamente.

O que são alimentos ultraprocessados e por que aceleram o envelhecimento?

Alimentos ultraprocessados são aqueles que contêm ingredientes que jamais veríamos em uma cozinha convencional, como proteínas hidrolisadas, maltodextrinas e gorduras hidrogenadas. Além disso, eles são enriquecidos com uma coleção de aditivos químicos – desde corantes e conservantes até realçadores de sabor e adoçantes artificiais. No menu dos ultraprocessados entram não só biscoitos recheados e refrigerantes, mas também produtos considerados mais “inofensivos”, como pães embalados, iogurtes de frutas e até alguns cereais matinais.

Segundo a pesquisadora Simona Esposito, primeira autora do estudo, o impacto desses alimentos vai além da qualidade nutricional: eles literalmente aceleram o envelhecimento do corpo. Esposito explica que esse efeito pode estar relacionado ao intenso processamento industrial, que desestabiliza a estrutura dos alimentos, removendo fibras e nutrientes essenciais. Como resultado, a biologia do corpo é desafiada de maneiras que os alimentos minimamente processados jamais fariam.

Um fator que também pode influenciar o processo é a presença de toxinas derivadas de embalagens plásticas. Muitos ultraprocessados vêm acondicionados em plásticos que, ao longo do tempo, liberam substâncias que, ao entrarem no corpo, prejudicam a saúde celular. Afinal, como se diz na ciência, “somos aquilo que comemos… e o que embala o que comemos”.

Biomarcadores: o espelho do envelhecimento interno

O estudo do IRCCS Neuromed também lançou luz sobre os biomarcadores, as pequenas “fotografias” bioquímicas da saúde. Esses marcadores, que incluem proteínas e outras moléculas presentes no sangue, indicam com precisão o ritmo biológico do envelhecimento. O consumo elevado de ultraprocessados revelou uma influência significativa sobre eles, apresentando resultados de envelhecimento biológico mais acelerado em comparação com o cronológico.

A pesquisadora Marialaura Bonaccio explica que os ultraprocessados, além de serem nutricionalmente pobres e ricos em açúcares e gorduras trans, têm uma matriz alimentar desconfigurada, o que compromete funções metabólicas cruciais, como o controle da glicose e a saúde do microbioma intestinal. Essas funções, quando prejudicadas, preparam o terreno para o envelhecimento precoce e doenças metabólicas.

Em termos práticos, quem abusa de produtos ultraprocessados pode estar ganhando alguns anos extras em seus biomarcadores, mesmo sem perceber. É quase como um relógio que, sem saber, marcamos no modo rápido.

Repensando as recomendações alimentares

Diante dessas descobertas, Licia Iacoviello, diretora da pesquisa no IRCCS Neuromed, acredita que é hora de revisar as diretrizes dietéticas. Embora já haja recomendações para reduzir o consumo de açúcar, sal e gorduras saturadas, a pesquisa sugere que também seria importante alertar a população sobre o impacto do processamento dos alimentos. Como explica Iacoviello, até alguns produtos embalados e ricos em nutrientes podem ser classificados como ultraprocessados, o que exige uma escolha alimentar mais criteriosa, considerando não só o que se come, mas também como esse alimento foi produzido.

Ao consumir alimentos menos processados, estamos oferecendo ao corpo a chance de trabalhar de acordo com seu “calendário natural” e reduzir os efeitos de envelhecimento acelerado. Isso significa que optar por uma dieta com mais alimentos frescos e menos embalagens coloridas pode ser um atalho para preservar o vigor biológico.

A pesquisa do IRCCS Neuromed reforça a importância de manter uma dieta que respeite a composição natural dos alimentos, alinhando-se ao ritmo biológico do corpo e minimizando fatores que aceleram o envelhecimento.

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