Primeiro vislumbre dentro do pergaminho queimado após 2.000 anos

Por , em 5.02.2025
Manusear pergaminhos carbonizados é uma tarefa desafiadora, pois são extremamente frágeis

Há dois milênios, um pergaminho carbonizado da antiga cidade romana de Herculano esteve selado, mas agora, graças à tecnologia moderna, ele revela seus segredos. Utilizando uma combinação de raios X e inteligência artificial, cientistas conseguiram “desenrolá-lo” virtualmente, permitindo a visualização de suas linhas e colunas de texto.

Desvendando o mistério carbonizado

O pergaminho, que mais parece um pedaço de carvão, sofreu os efeitos da erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C. e nunca poderia ser aberto fisicamente sem desintegrar-se. Através de técnicas avançadas, pesquisadores não só conseguiram espiar dentro dele, mas também estão otimistas em ler seu conteúdo completamente, uma façanha que até então parecia impossível.

Varreduras de raio-X e inteligência artificial permitem revelar o interior de pergaminhos antigos

Stephen Parsons, líder do projeto Desafio Vesúvio, afirmou que é a primeira vez que estão confiantes em decifrar quase todo o texto do pergaminho, o que pode nos oferecer um vislumbre de ideias filosóficas antigas. Algumas letras gregas já estão visíveis, e acredita-se que o texto trate de filosofia, um campo que sempre dá margem para alguma reflexão profunda.

Testemunha de uma tragédia histórica

Centenas de pergaminhos carbonizados foram desenterrados em Herculano, uma cidade que, como Pompeia, foi soterrada em metros de cinzas vulcânicas. No passado, muitos desses documentos, feitos de papyrus, desintegraram-se ao serem abertos, tornando-os inacessíveis por décadas. Porém, o avanço tecnológico deu nova vida a essa missão arqueológica.

O pergaminho antigo foi completamente carbonizado pela erupção do Monte Vesúvio

Nicole Gilroy, chefe de conservação de livros da Biblioteca Bodleian da Universidade de Oxford, destacou que nunca antes tiveram tanta certeza de que as técnicas disponíveis seriam seguras e eficazes. Este projeto não só é um marco tecnológico, mas também uma conexão tangível com o passado humano.

O poder invisível dos raios X

Os cientistas utilizaram a poderosa máquina Diamond Light Source, um sincrotron em Oxfordshire, para realizar os scans. Este equipamento acelera elétrons quase à velocidade da luz, gerando um feixe de raios X capaz de penetrar o pergaminho sem danificá-lo. Através deste processo, foi possível criar uma reconstrução 3D do documento, permitindo identificar camadas individuais do papyrus.

Algumas letras gregas podem ser vistas no pergaminho de papiro

Adrian Mancuso, diretor de ciências físicas do Diamond, explicou que o desafio é distinguir as camadas do pergaminho, já que tanto o papyrus quanto a tinta são feitos de carbono, tornando-os praticamente idênticos. Aqui entra a inteligência artificial, que rastreia sinais sutis da presença de tinta e digitalmente “pinta” as letras, revelando o texto escondido.

O projeto não é apenas uma exploração científica, mas um elo emocional com o passado. Gilroy expressou seu encantamento com a ideia de estar conectada àqueles que coletaram, escreveram e guardaram esses pergaminhos, ressaltando o valor humano intrínseco do trabalho.

Este avanço é mais um passo na jornada para desvendar os mistérios do passado, trazendo à luz conhecimentos antigos que permaneceram ocultos por séculos.

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