Por que as mulheres vivem mais do que os homens? Um estudo com 1.176 espécies aponta uma resposta

Por , em 6.10.2025
Leoa carrega seu filhote. Os filhotes de leão são criados juntos, às vezes comunitariamente. Foto por: Karsten Lehmkuhl

Um novo estudo revela que o comportamento sexual pode ser um dos motivos pelos quais as fêmeas de mamíferos geralmente têm uma longevidade maior do que seus equivalentes machos. Pesquisadores da Alemanha, Dinamarca, França, Hungria e Bélgica analisaram dados de 528 espécies de mamíferos e 648 espécies de aves em zoológicos, culminando no estudo mais abrangente até hoje sobre as diferenças de longevidade entre os sexos em mamíferos e aves, publicado na revista Science Advances.

Os cientistas também investigaram populações selvagens de 110 espécies para verificar se os resultados se repetiam em ambientes naturais. Entre os mamíferos, as fêmeas adultas viveram em média 12% mais que os machos. No entanto, entre as aves, a tendência se inverteu, com os machos vivendo 5% mais que as fêmeas.

As diferenças de longevidade entre os sexos foram mais acentuadas na natureza do que em zoológicos, já que nos zoológicos há menos fatores estressantes como climas adversos e predadores. Esse dado intrigante levou os pesquisadores a buscar explicações para essas variações.

Uma teoria proeminente relaciona-se aos cromossomos sexuais, conforme explica o coautor do estudo, Fernando Colchero, ecologista estatístico do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha. A hipótese do sexo heterogamético sugere que fêmeas, com dois cromossomos X, têm vantagem sobre os machos, que possuem um cromossomo X e um Y, pois se houver mutações no X, a ausência de uma cópia adicional pode ser prejudicial.

Por que machos de aves vivem mais?

Nos pássaros, a situação é inversa, com os machos, que têm dois cromossomos Z, vivendo mais que as fêmeas, que possuem um Z e um W. No entanto, algumas exceções, como certas aves de rapina, desafiaram essa tendência, com as fêmeas vivendo mais. Colchero considera esse achado intrigante, especialmente porque as fêmeas são geralmente maiores e mais envolvidas em defesas territoriais.

Essas descobertas levaram os cientistas a considerar outras razões para a longevidade diferenciada entre os sexos. Por exemplo, a seleção sexual e o custo da reprodução foram fatores explorados. A hipótese da seleção sexual sugere que machos investem energia em características para atrair fêmeas, como chifres grandes, sacrificando assim sua sobrevivência.

Por outro lado, a hipótese do custo da reprodução sugere que a gestação e o cuidado parental podem ter um custo em termos de sobrevivência. Curiosamente, os pesquisadores descobriram que, em espécies não monogâmicas, as fêmeas viviam mais sugerindo que o esforço energético dos machos em busca de parceiros pode ter um custo significativo.

Em zoológicos, as fêmeas responsáveis pelo cuidado infantil viveram mais que os machos. Isso também foi observado na natureza, embora com menos evidências. Colchero argumenta que isso faz sentido evolutivo, uma vez que o cuidado parental demanda sobrevivência prolongada do cuidador para garantir a sobrevivência dos descendentes .

Impactos evolucionários e considerações finais

A pesquisa oferece uma visão abrangente sobre os fatores que contribuem para as diferenças de longevidade entre os sexos. Segundo Zoe Xirocostas, ecologista da Universidade de Tecnologia de Sydney, o estudo amplia nosso entendimento sobre os fatores evolutivos que moldam as diferenças de longevidade entre os sexos, como o cuidado parental e o sistema de acasalamento.

Gerald S. Wilkinson, biólogo da Universidade de Maryland, destaca que o estudo fornece evidências adicionais para a hipotese do sexo heterogamético e revela que o sistema de acasalamento e o dimorfismo sexual explicam grande parte da variação na expectativa de vida. Wilkinson afirma que isso é surpreendente, dado que os sistemas de acasalamento em zoológicos não refletem sempre a realidade selvagem, sugerindo que fatores que influenciam a longevidade persistem mesmo em ambientes controlados.

Este estudo ajuda a desmistificar os complexos fatores que afetam a longevidade dos sexos e é um passo importante na compreensão das forças evolutivas em jogo. Para mais detalhes, confira o artigo original na CNN.

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