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Astrônomo alerta para os riscos fatais gerados por experimentos com aceleradores de partículas

O conceituado cosmologista britânico Martin Rees fez declarações bastante ousadas quando se trata de aceleradores de partículas: de acordo com o cientista, há uma possibilidade pequena, mas real, de vários desastres fatais.

Fim da Terra

Aceleradores de partículas como o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) disparam partículas a velocidades incrivelmente altas, esmagando-as e observando os resultados. Essas colisões de alta velocidade já nos ajudaram a descobrir muitas novas partículas, mas não sem riscos.

Em seu livro de 2018, “On The Future: Prospects for Humanity”, Rees oferece perspectivas sombrias.

“Talvez um buraco negro se forme e sugue ao redor”, escreve. “A segunda possibilidade assustadora é que os quarks se reagrupem em objetos comprimidos chamados strangelets. Isso por si só seria inofensivo. No entanto, sob algumas hipóteses, um strangelet poderia, por contágio, converter qualquer outra coisa que encontrasse em uma nova forma de matéria, transformando toda a Terra em uma esfera hiperdensa de cerca de cem metros de diâmetro”, o que é aproximadamente o comprimento de um campo de futebol americano.

A terceira maneira pela qual os aceleradores de partículas poderiam destruir a Terra, segundo Rees, é por uma “catástrofe que engole o próprio espaço”. “Espaço vazio – o que os físicos chamam de vácuo – é mais do que apenas o nada. É a arena para tudo o que acontece. Tem, latente nele, todas as forças e partículas que governam o mundo físico. O vácuo atual pode ser frágil e instável. Alguns especularam que a energia concentrada criada quando as partículas colidem poderia desencadear uma ‘transição de fase’ que rasgaria o tecido do espaço. Essa seria uma calamidade cósmica, não apenas terrestre”, resume.

Então, devemos nos preocupar?

Tudo isso soa francamente aterrorizante, mas será que significa que não deveríamos mais construir e usar aceleradores de partículas?

“O Grupo de Avaliação de Segurança do LHC reafirma e estende as conclusões do relatório de 2003 que as colisões não apresentam nenhum perigo e que não há razões para preocupação”, escreve a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, responsável pelo LHC, em seu site. “O que quer que o LHC faça, a natureza já fez muitas vezes durante a vida da Terra e de outros corpos astronômicos”.

Este é um ponto importante – os raios cósmicos são basicamente versões naturais do que o LHC e outros aceleradores de partículas fazem, e atingem a Terra constantemente.

A equipe por trás do LHC também tem uma resposta para o perigo de strangelets. “Os strangelets podem se unir à matéria comum e transformá-la em matéria estranha? Essa questão foi levantada antes do início do Relativistic Heavy Ion Collider (RHIC), em 2000, e um estudo na época mostrou que não havia motivo para inquietação. O RHIC funciona há oito anos procurando por strangelets, sem detectar nenhum”.

Até mesmo o falecido Stephen Hawking deu sua bênção ao acelerador de partículas: “O mundo não chegará ao fim quando o LHC for ligado. Ele é absolutamente seguro. Colisões liberando uma energia maior ocorrem milhões de vezes por dia na atmosfera da Terra e nada de terrível acontece”, disse o físico.

Vale a consideração

De certa forma, Rees está correto. Não temos 100% de certeza de que não corremos nenhum risco, e provavelmente nunca teremos. Mas, conforme ele mesmo explica, muitos avanços científicos são arriscados e isso não quer dizer que precisamos pará-los completamente.

“A inovação é muitas vezes perigosa, mas se não renunciarmos aos riscos, podemos renunciar aos benefícios”, escreveu em “On the Future”.

“No entanto, os físicos devem ser cautelosos sobre a realização de experimentos que geram condições sem precedentes. Muitos de nós estão inclinados a descartar esses riscos como ficção científica, mas tendo em vista o que está em jogo, eles não podem ser ignorados, mesmo se considerados altamente improváveis”, conclui. [ScienceAlert]

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