As chances de um novo acidente nuclear são assustadoramente altas

Por , em 29.02.2012

Hoje, o Greepeace lançou o artigo de 52 páginas intitulado “Lições de Fukushima”. Nele, a catástrofe nucelar japonesa é analisada em detalhes, e suas causas e consequências são expostas. O artigo foca problemas cruciais: a falta de responsabilidade pelos desastrosos incidentes, a falta de uma noção adequada dos riscos potenciais no uso de energia nuclear, e a falha de um plano adequado de emergência.

Segundo o blogueiro científico Tommaso Dorigo, o documento é muito instrutivo. Ele acredita que é muito interessante a descrição dos encobrimentos da TEPC, a empresa que comandava a planta nuclear Fukushima-Daiichi. Esses, que tinham como objetivo tirar do público a preocupação com a segurança dos planos nucleares, foram descobertos, é claro, tarde demais. Os japoneses já aprenderam a lição da forma mais dura, em março do ano passado.

Dorigo diz que, de interesse especial, é o fato de que o perigo de tsunamis já havia sido previsto, anunciado até. Um trecho do documento, por exemplo, diz o seguinte:

Em seu relatório anual, que é mostrado ao público desde 2001, a Organização Japonesa de Segurança Energética (OJSE) previu os possíveis danos que uma tsunami poderia causar ao reatores Mark 1 no complexo nuclear de Fukushima. Um dos relatórios dizia que se um quebra-mar com 13 metros acima do nível do mar fosse atingido por uma tsunami de 15 metros, todas as fontes de energia seriam destruídas – incluindo a eletricidade externa e os geradores de emergência. Nessa situação, as funções de resfriamento acabariam e o núcleo do reator sofreria um dano de 100%. O quebra-mar de Fukushima tinha 5,5 metros de altura.

E ainda mais irônico, é o seguinte parágrafo, também notado por Dorigo:

Em uma das situações do destino, a TEPC informou a Agência de Segurança Industrial e Nuclear do Japão de que a planta Fukushima-Daiichi poderia ser atingida por uma tsunami maior do que 10 metros, enquanto o complexo conseguiria aguentar uma de no máximo 5,7 metros, apenas alguns dias antes do terremoto e da tsunami atingirem a estação. Após o incidente, foi revelado que o aviso veio de um estudo interno da empresa, de 2008, mas os oficiais o classificaram como “irreal”.

A conclusão do blogueiro deixa a dúvida: ainda podemos falar de segurança nuclear, e não de risco nuclear? [Science2.0, Foto]

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4 comentários

  • jefferson:

    num futuro próximo quando não houver mais recursos naturais “limpos” os burqueses terão que ter energia para satisfazer seus mimos.
    imagine as madames de elite com seu cabelo tratados com secadores radioativos tipo o fly qnd acordou no futuro .

  • Eduardo:

    Eu acho a energia nuclear a melhor alternativa de produção de energia, é a que tem o custo beneficio melhor, qual foi a ultima noticia de um acidente nuclear grande antes de Fukushima!? só consigo me lembrar de Chernobyl que aconteceu a uns 30 anos, a unica coisa ruim das usinas de energia nuclear que eu consigo achar é o que fazer com o lixo nuclear, se não fosse isso energia nuclear seria a energia mais limpa.

  • Iva Bittencourt:

    Não sei como ainda não houve um acidente, porque né…

  • Lokman:

    Porém,parece ser ainda importante conservarmos a “utopia”(impossível não ser “irônico”)de que a energia nuclear venha somente a ser utilizada quando for absolutamente necessária(se é que este venha a ser”o caso”);e em quanto isto venhamos a compreender profundamente a “natureza desta energia” e as implicações de sua utilização,ou seja,por enquanto apenas mantermos “pequenas bases nucleares”,apenas para estudos e aprimoramento nas técnicas para uma possível”futura utilização”.

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