Epidemia causada por cigarros eletrônicos nos EUA pode estar ligada ao acetato de vitamina E: estudo

Por , em 10.11.2019

Alguns produtos para “vaping” que o departamento de saúde do Estado de Nova York afirmou conter acetato de vitamina E

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, uma forma da vitamina E pode ser a culpada pela epidemia de lesões ao pulmão causadas por cigarros eletrônicos no país.

Os perigos do cigarro eletrônico

Com o aumento da popularidade dos cigarros eletrônicos nos EUA, diversos usuários começaram a abusar do produto, fumando diferentes misturas de substâncias (incluindo maconha) em dispositivos pouco seguros.

Recentemente, uma onda de pacientes – principalmente homens jovens – foi admitida em hospitais do país todo com sintomas semelhantes, sendo que 2.051 ficaram doentes e 40 morreram de uma condição no pulmão ligada aos cigarros eletrônicos. Muitos precisaram da ajuda de aparelhos para respirar.

Agora, um estudo do CDC baseado em amostras retiradas dos pulmões de 29 desses pacientes, incluindo dois que morreram, descobriu “evidências de acetato de vitamina E no local primário de lesão nos pulmões”.

“Pela primeira vez, detectamos uma potencial toxina preocupante, acetato de vitamina E, em amostras biológicas de pacientes”, disse a Dra. Anne Schuchat, uma das diretoras do CDC, em uma coletiva de imprensa.

Mais informações

Os novos resultados estão alinhados com pesquisas anteriores que também encontraram a vitamina em amostras de fluidos para cigarros eletrônicos.

Como as amostras dos pacientes estudados vieram de 10 estados americanos diferentes, o CDC considera os achados generalizáveis e crê que o problema não pode vir de apenas um produto ou marca.

A Dra. Schuchat também deixou em aberto a possibilidade de haver outras substâncias químicas ou toxinas envolvidas nos problemas respiratórios.

As amostras também foram testadas para óleos vegetais, destilados de petróleo como óleo mineral e outras substâncias potencialmente perigosas, mas nada mais foi encontrado.

Vaping e o mercado ilegal

A moda, conhecida como “vaping” nos EUA, tem revelado a existência um mercado enorme de produtos ilícitos – basicamente, fabricantes e vendedores desconhecidos têm oferecido comercialmente misturas malucas de substâncias químicas a potenciais compradores.

No caso do acetato de vitamina E, fabricantes de fluidos para cigarros eletrônicos podem utilizá-lo para engrossar ou diluir o THC (substância ativa da maconha), a fim de aumentar os seus lucros.

Enquanto é comumente usado como suplemento ou ingrediente em cremes para a pele, isso não significa que o acetato seja seguro de inalar; o pulmão não tem enzimas para quebrar a substância, como o estômago tem, por exemplo. O acetato é “pegajoso” como o mel e gruda no tecido pulmonar.

Vale notar que, enquanto a maioria dos pacientes que ficou doente obteve seus fluidos de fontes ilegais e fumava principalmente maconha com muita frequência em dispositivos falsificados, o CDC não exclui o perigo do uso de outras substâncias (como a nicotina) nem de dispositivos obtidos de forma legal.

Como ainda há muita incerteza em torno da condição, o CDC tem alertado às pessoas para evitar cigarros eletrônicos totalmente.

Medidas

Uma vez que o uso desses dispositivos tem se tornado comum entre menores de idade, a Administração de Drogas e Alimentos dos EUA pode anunciar em breve uma proibição da maioria dos produtos para cigarro com sabor, como menta, citados como os preferidos dos adolescentes em pesquisas nacionais.

A indústria do tabaco e dos cigarros eletrônicos tem protestado largamente contra tal banimento, no entanto, especialmente porque afetaria cigarros mentolados tradicionais e não somente os “e-cigarretes”.

A maior vendedora de cigarros eletrônicos do país, no entanto, a Juul Labs, já se adiantou à proibição e anunciou na semana passada que interromperia as vendas de produtos com sabor de menta.

Apesar disso, segundo o New York Times, um assessor do presidente americano Donald Trump sugeriu que as lojas de cigarros poderiam estar isentas de restrições, observando ainda que o setor havia criado muitos empregos. [NYTimes]

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