Stephen Hawking: Inteligência artificial e robôs vão dizimar empregos da classe média

Por , em 17.12.2016

A inteligência artificial e a automação crescente vão dizimar os empregos da classe média, agravando a desigualdade e arriscando uma reviravolta política significativa. Este não é o roteiro de um filme futurista, mas uma previsão de uma das pessoas mais inteligentes do planeta, o físico Stephen Hawking.

Em uma coluna no jornal The Guardian, o físico mundialmente famoso escreveu que “a automação das fábricas já dizimou empregos na manufatura tradicional, e a ascensão da inteligência artificial provavelmente estenderá esta destruição do trabalho profundamente nas classes médias, com somente os cargos de mais cuidado, criatividade ou de supervisão permanecendo”.

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Ele acrescenta sua voz a um crescente coro de especialistas preocupados com os efeitos que a tecnologia terá sobre a força de trabalho nos próximos anos e décadas. O medo é que, enquanto a inteligência artificial vai trazer aumentos radicais na eficiência na indústria, para as pessoas comuns isso se traduzirá em desemprego e incerteza, conforme seus empregos humanos sejam substituídos por máquinas.

A tecnologia já destruiu muitos empregos tradicionais de fabricação e da classe trabalhadora – mas agora pode estar pronta para causar estragos semelhantes às classes médias.

Rápida substituição

Um relatório publicado em fevereiro de 2016 pelo Citibank em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido, previu que 47% dos empregos nos EUA estão correndo risco de automação. No Reino Unido, 35%. Na China, incríveis 77%. Três das dez maiores empresas ou órgãos públicos empregadores do mundo já estão substituindo seus trabalhadores por robôs – a Foxconn, que faz a manufatura de produtos da Apple, do Google e da Amazon, a rede de supermercados Wallmart e o Departamento de Defesa do EUA – órgão com o maior número de empregos do mundo, já anunciaram avanços nesta área.

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A automação “por sua vez irá acelerar a já crescente desigualdade econômica em todo o mundo”, escreveu Hawking. “A Internet e as plataformas que possibilitam que pequenos grupos de indivíduos tenham enormes lucros ao empregar pouquíssimas pessoas, isso é inevitável, é um progresso, mas também é socialmente destrutivo”.

Ele enquadra esta ansiedade econômica como uma razão para o aumento da política populista e de direita no Ocidente: “Estamos vivendo em um mundo de ampliação, e não de diminuição, da desigualdade financeira, no qual muitas pessoas podem ver não apenas seu padrão de vida, mas a sua capacidade de ganhar a vida, desaparecendo. Não é de admirar, então, que eles estão à procura de um novo acordo, que Trump e Brexit poderiam ter aparecido para representar”.

Combinado com outras questões – sobrepopulação, mudança climática, doenças – estamos, Hawking adverte ameaçadoramente, no “momento mais perigoso no desenvolvimento da humanidade”. A humanidade deve se unir para superar esses desafios, diz ele.

Stephen Hawking já expressou preocupações sobre a inteligência artificial por uma razão diferente – ela poderia ultrapassar e substituir os seres humanos. “O desenvolvimento da inteligência artificial poderia significar o fim da raça humana”, disse ele no final de 2014. “Os seres humanos, que são limitados pela lenta evolução biológica, não poderiam competir, e seriam substituídos”. Será? [Business Insider]

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11 comentários

  • Andrew Piolli:

    Sempre que lançam uma nova tecnologia falam isto…
    E sempre é o contrario

    • Cesar Grossmann:

      Eu não vejo muitos ferreiros especializados em conserto de carroças…

  • Lizzard Medeiros:

    Hawking, deixe assuntos econômicos para economistas mano, vc tá passando vergonha!

  • Alessandro P. Moura:

    Cenário previsto por Marx?

  • Vinicius Deloi:

    Também disse que buracos negros não existem

  • Samuel Alencar:

    Assim caminha a humanidade!

  • Lucas Máximo Alves:

    É lamentalvel ver que uma sociedade sem objetivo final transcendente, continue a sacrificar seres humanos pelo bem da cîencia e do progresso

  • Darcio Oliveira:

    Por então, a única saída seria o Socialismo?

  • Abalen:

    Pessoas desempregadas não consomem e não alimentam as fábricas, logo os robôs não terão para quem fabricar…

  • Marcello Sevach:

    Eu acredito que so teremos sucesso como sociedade no dia em que abandonarmos o dinheiro.

    • Marcelo da Silva:

      Marcelo Sevach, o problema é que sem dinheiro não temos como saber onde aplicar os recursos. Isso já foi explicado por economistas.

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