Abelha primitiva de 100 milhões de anos é considerada nova espécie, gênero e família

Por , em 14.02.2020

Uma abelha primitiva foi encontrada preservada em âmbar no Mianmar recentemente. O mais interessante é que ali ainda há amostras do pólen de 100 milhões de anos atrás e de larvas de pequenos besouros parasitas que provavelmente foram os responsáveis pelo acidente de voo que resultou na morte do inseto.

A abelha fêmea foi identificada pelo pesquisador da Universidade de Oregon (EUA) George Poinar Júnior como representante de uma nova família, gênero e espécie.

O fóssil de meados da Era Cretáceo (entre 145 e 66 milhões de anos atrás) é o primeiro registro de uma abelha primitiva com amostras de pólen e também de parasitas em uma abelha, que ainda importunam nossas abelhas atuais.

As descobertas foram publicadas na revista BioOne Complete e lançam luz sobre os primeiros dias das abelhas, um componente importantíssimo para a história evolutiva e diversificação de plantas com flores.

As abelhas são os polinizadores mais importantes porque elas estão presentes em grandes números e também porque este é o único grupo de polinizadores que se alimenta exclusivamente de néctar e pólen durante todo o ciclo de vida.

Vespas carnívoras

Esses insetos evoluíram a partir das vespas Apoica, e costumavam ser carnívoras. O que não se sabe é que tipo de mudanças as vespas tiveram que passar durante essa transição de dietas.

Poinar é especialista internacional em fósseis preservados em âmbar, com trabalhos pioneiros neste campo. O pesquisador batizou a abelha de Discoscapa apícula, da nova família Discoscapidae.

Ao mesmo tempo em que a abelha fossilizada tem características em comum com abelhas modernas ­– como pelos plumosos, um lobo pronotal arredondado e um par de esporos na tíbia posterior – , ela também tem similaridades com as vespas Apoicas, como antenas baixas e algumas características da veia da asa.

Os inúmeros grãos de pólen na Discoscapa apícula mostram que ela tinha passado por uma ou mais flores pouco antes de ficar presa na resina. No fóssil também há 21 larvas do parasita planidium. Elas provavelmente estavam pegando uma carona na abelha para invadir a colmeia e ter um banquete de larvas de abelha.

“É possível que o grande número de larvas fizeram a abelha acidentalmente cair na resina”, diz o pesquisador. Péssimo para a abelha, ótimo para nós, que tivemos acesso a informações valiosas preservadas na resina. [Phys.org]

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