Jovem astrônoma utiliza inteligência artificial para descobrir dois exoplanetas

Por , em 20.04.2019

Uma equipe de astrônomos da Universidade do Texas (EUA) liderada por uma estudante de graduação de 22 anos, Anne Dattilo, descobriu dois planetas orbitando estrelas a mais de 1.200 anos-luz da Terra.

Nós já conhecemos cerca de 4.000 exoplanetas, então encontrar mais dois pode não parecer uma grande notícia. Mas é como nós os encontramos que está chamando a atenção.

Inteligência artificial

Os cientistas encontraram os planetas usando um programa de inteligência artificial para filtrar uma montanha de dados coletados pelo telescópio espacial Kepler, da NASA.

Dattilo se envolveu no projeto há cerca de um ano e meio, depois que o astrônomo Andrew Vanderburg deu uma palestra durante uma de suas aulas. No final, convidou graduandos a colaborarem na pesquisa com os dados do Kepler.

Lançado em 2009, o telescópio foi projetado para vasculhar um pedaço do céu e medir a luz de cerca de 100.000 estrelas em seu campo de visão. Os astrônomos, por sua vez, podem usar essas informações para descobrir exoplanetas: quando a luz de uma dessas estrelas diminui leve e brevemente, pode ser um sinal de que há um planeta orbitando-a.

Perto do final da vida de Kepler, falhas mecânicas significaram que não era mais possível medir a luz com a mesma exatidão, de modo que os dados coletados se tornaram mais difíceis de interpretar.

É aí que entra a inteligência artificial (IA).

As descobertas

Dattilo modificou um programa de IA chamado AstroNet-K2 para trabalhar com os dados da última parte da missão Kepler.

Uma vez que o programa modificado destacou as estrelas que pareciam ter planetas, Dattilo e seus colegas usaram telescópios terrestres para confirmar as descobertas.

Os exoplanetas recém-descobertos, oficialmente chamados de K2-293b e K2-294b, orbitam estrelas na constelação de Aquário e são ligeiramente maiores que a Terra.

O que vem por aí

Vanderburg e o engenheiro do Google Chris Shallue usaram IA pela primeira vez para descobrir um planeta em torno de uma estrela vista pelo Kepler em 2017.

Uma vez que a NASA disponibiliza todos os seus dados ao público, podemos esperar que mais pessoas resolvam fazer isso para estudá-los.

Michelle Ntampaka, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian (EUA), espera ver muito mais astrônomos usando técnicas de inteligência artificial para analisar dados no futuro.

Isso porque os telescópios mais novos colecionam toneladas de dados digitais sobre esses objetos celestes. “Vamos ver volumes de dados sem precedentes e teremos que criar novas maneiras de lidar com isso”, afirma.

Os achados foram publicados em um artigo na revista científica The Astronomical Journal. [NPR]

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