Mães grávidas ou amamentando: comam de tudo!

Por , em 28.03.2016

Quando a pediatra Perri Klass teve filhos, sentiu que havia uma tendência dos especialistas em perpetuar certos princípios que tiram toda a diversão da vida. Por exemplo, dizer a mães que estão amamentando que elas devem evitar alimentos picantes, porque isso pode perturbar o bebê.

Para Klass, tal conselho remete a algumas ideias antigas sobre especiarias “aquecendo” o sangue. Será que as mulheres precisam mesmo evitar sabores fortes durante a amamentação? Ou muito pelo contrário?

A literatura científica

Vinte e cinco anos atrás, pesquisadores pediram a um grupo de mães que estavam amamentando para carregar no alho em suas dietas.

O estudo, conduzido pela biopsicóloga Julie Mennella, foi publicado em 1991 na revista Pediatrics. Nele, as mulheres que ingeriram alho produziram leite materno com um cheiro mais forte, como avaliado por pesquisadores que não sabiam qual amostra era qual. O que foi mais interessante, no entanto, foi que os bebês ficaram mais tempo sugando este leite “com alho”, de forma mais vigorosa.

Julie Mennella continuou a estudar o efeito de exposições precoces sobre o desenvolvimento do sabor. “O líquido amniótico e o leite da mãe têm um monte de informação sensorial”, a cientista disse à Perri Klass, para sua coluna no jornal The New York Times. “O bebê recebe essa informação quando se alimenta”.

Outro estudo, publicado em 2001, mostrou que os bebês que haviam sido expostos a um sabor no útero ou durante a amamentação eram mais propensos a gostar desse sabor depois de desmamados.

Meu filho vai gostar de pimenta

O que passa pelo estômago da mãe entra em sua corrente sanguínea e é quebrado em moléculas de proteínas, carboidratos, gordura.

Isso significa que a variedade de sabores que você come durante a gravidez entra em seu sangue e, em seguida, vai para o líquido amniótico e para as glândulas mamárias que produzem o leite materno.

Ao invés de restringir a dieta materna, agora há boas evidências de que, ao comer uma diversidade de alimentos saudáveis e saborosos durante esses períodos, estamos na verdade fazendo um grande favor aos bebês.

“Bebês amamentados são geralmente mais fáceis de alimentar mais tarde, porque eles tiveram esse tipo de experiência de variedade sabores em seus primeiros estágios da vida, ao passo que um bebê alimentado com fórmula tem uma experiência uniforme”, disse Lucy Cooke, psicóloga especializada em nutrição infantil, e pesquisadora da Universidade College London. “O principal é a exposição repetida a uma variedade de sabores diferentes, que é uma grande coisa para a aceitação de alimentos [mais tarde]”.

O que precisa ficar de fora?

E a ideia de que alguns alimentos na dieta da mãe podem deixar o bebê agitado, ou com gases e cólicas? Existe alguma verdade por trás disso?

Uma série de estudos sugeriu que alguns bebês com cólica se saem melhor se suas mães ficam longe de leite de vaca, por exemplo, de forma que alguns médicos podem aconselhar mães que estão amamentando a cortar esse alimento de suas dietas por um período de 10 a 14 dias para ver se isso ajuda.

A cafeína é por vezes também culpada, conforme explica a Dra. Pamela High, professora de pediatria na Universidade Brown e médica no hospital Women & Infants Hospital em Rhode Island. Porém, acontece bastante de mamães de bebês com cólica restringirem cada vez mais suas dietas, o que geralmente não muda nada.

Os sabores que comemos durante a gravidez ou amamentação de fato são passados para o bebê, mas isso deve ser uma mensagem positiva ao invés de uma lista de “proibido comer”, uma vez que significa que estamos oferecendo algo além de proteínas e calorias para as crianças; estamos deixando os bebês curtirem uma das maiores alegrias da vida, que é experimentar de tudo nessa nossa dieta onívora humana.

Se os sabores que você ama podem tornar a experiência da gravidez e da criação de filhos um pouco mais interessante para você, mamãe, vá em frente. Isso provavelmente só vai ajudar seu filho a ter uma dieta mais variada quando crescer também – o que sabemos que é importante para sua saúde. [NyTimes]

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