“Parece que me injetaram fogo”: diz adolescente lutando contra nova síndrome da Covid-19

Por , em 18.05.2020

O risco de sintomas graves e morte em decorrência do novo coronavírus tem sido maior entre as pessoas mais velhas e com doenças preexistentes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, dados limitados descrevem sintomas clínicos geralmente mais leves em crianças em comparação a adultos. Mas também mostram que algumas crianças precisam ser hospitalizadas e receber tratamento intensivo.

Foram relatados relativamente poucos casos confirmados de Covid-19 entre crianças, ainda faltam evidências fortes associando condições subjacentes a doenças graves em crianças. No entanto, relatos recentes da Europa e América do Norte descrevem grupos de crianças e adolescentes que precisam de tratamento intensivo por causa de síndrome multi-inflamatória com sintomas semelhantes a síndrome de choque tóxico e doença de Kawasaki.

Em vez de afetar os pulmões como o novo coronavírus é conhecido por fazer, causa inflamação pelo corpo e afeta o coração. Embora comparada com a doença de Kawasaki, os médicos descobriram que a nova síndrome afeta o coração de forma diferente. Além disso, atinge principalmente crianças em idade escolar. Com frequência, a síndrome aparece semanas depois de as crianças terem sido infectadas sem que tenham apresentado os primeiros sintomas de Covid-19.

Síndrome inflamatória

Um caso dessa síndrome é o de Jack McMorrow, 14 anos, morador de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Os primeiros sintomas apresentados pelo menino, em abril, foram erupções avermelhadas, que os pais pensaram estar relacionadas ao desinfetante usado com maior frequência por causa da pandemia. As alterações nos olhos foram relacionadas ao uso de videogame e TV até tarde e os pais pensaram que a dor de estomago foi provocada pela alimentação desequilibrada.

Mas como o mal estar aumentou nos dez dias seguintes, os pais fizeram consulta por vídeo com o pediatra e Jack foi levado para atendimento de urgência. Até que uma manhã o menino acordou sem conseguir se mexer.

Ele tinha um linfonodo do tamanho de uma bola de tênis, febre muito alta, batimentos cardíacos acelerados e pressão arterial perigosamente baixa. Jack descreveu a dor que se espalhou pelo seu corpo como ardente e latejante. Ele relatou ao New York Times que podia sentir a dor percorrendo suas veias quase como se alguém tivesse injetado fogo.

Naquele dia o menino, até então saudável, foi internado com insuficiência cardíaca. Esse é um exemplo da síndrome inflamatória grave ligada ao coronavírus descoberta recentemente. Ela já foi identificada em aproximadamente outras 200 crianças nos Estados Unidos e Europa.

A recuperação de crianças afetadas por essa síndrome, assim como Jack, confere informações importantes para profissionais da saúde compreenderem melhor esses sintomas graves. Os médicos falam que a insuficiência cardiovascular pode acarretar outros problemas, a falência de outros órgãos e a sobrevivência se torna difícil.

Recuperação

A médica que atendeu Jack no hospital relatou lembrar de receber diversas crianças com síndrome similar naquela manhã. O resultado positivo para coronavírus, no caso de Jack, foi uma pista, mas outros jovens com sintomas similares tiveram resultado negativo para o novo vírus. Então os médicos resolveram fazer um teste diferente par outras crianças. A maioria delas acabou tendo um diagnóstico positivo ou resultado para o teste de anticorpos.

Jack voltou para casa no dia 7 de maio, dez dias após a hospitalização. Ele vai precisar de acompanhamento de cardiologia por um tempo e continuar com medicação. Jack e outras crianças que se recuperaram da síndrome serão acompanhadas por médicos que tentam compreender como reconhecer e tratar a doença.

Os pais de Jack não sabem como ele foi infectado pelo novo coronavírus. Depois de pararem as aulas na escola em 18 de março, ele saiu do apartamento apenas uma vez para ajudar a mãe a lavar roupas na lavanderia do prédio onde moram. Os pais de Jack e a irmã de 22 anos testaram negativo para o novo coronavírus.

Alguns pesquisadores propuseram o nome provisório Síndrome Pediátrica Inflamatória Multissistêmica Temporariamente Associada ao SARS-CoV-2, para designar a doença. Os sintomas incluem problemas cardíacos, de coagulação no sangue, vômito, diarreia e dor abdominal. A Organização Mundial da Saúde fez o alerta para que médicos enviem dados coletados para pesquisadores poderem entender a doença e desenvolver tratamento. [New York Times, Organização Mundial da Saúde]

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