O misterioso Planeta Nove se escondendo além de Netuno pode não ser um planeta

Por , em 23.01.2019

O círculo laranja representa a órbita de um possível Planeta Nove em relação a objetos transnetunianos

Um novo estudo da Universidade de Cambridge (Reino Unido) e da Universidade Americana de Beirute (Líbano) sugere que um disco de pequenos corpos gelados com uma “massa combinada de até dez vezes a da Terra é o verdadeiro responsável pelas órbitas excêntricas de alguns objetos transnetunianos, ao invés de um hipotético nono planeta.

O problema das órbitas e o Planeta Nove

Além de Netuno, no espaço entre o planeta e o resto do cosmos, algo estranho está acontecendo com as órbitas de um monte de rochas espaciais circulando o sol.

Essas órbitas incomuns e altamente elípticas de alguns objetos transnetunianos, agrupadas em uma direção, fizeram os cientistas teorizarem a presença de um planeta, chamado comumente de Planeta Nove, até quatro vezes maior que a Terra influenciando-os.

A ideia foi lançada pela primeira vez em 2014. Um planeta gigante no limite de nossa vizinhança cósmica certamente exerceria atração gravitacional nos objetos distantes. Mesmo desvios vistos na sonda espacial Cassini, da NASA, pareciam sugerir sua existência.

“A hipótese do Planeta Nove é fascinante, mas, se ele existe, até agora evitou ser detectado”, disse Antranik Sefilian, um dos autores da nova pesquisa, em um comunicado. “Queríamos ver se poderia haver outra causa, menos dramática e talvez mais natural, para as órbitas incomuns que vemos em alguns objetos transnetunianos”.

Disco gelado

Sefilian e seu colega Jihad Touma calcularam, modelaram e simularam as interações entre tais objetos e um gigantesco disco gelado.

Os cientistas propõem que, se o disco de detritos gelados que existe além de Netuno for grande o suficiente, poderia explicar as órbitas excêntricas dos objetos transnetunianos, devido a seus efeitos gravitacionais combinados.

De qualquer forma, em ambos os casos – planeta ou disco -, a verdade é que não podemos enxergar o culpado pelas órbitas do nosso ponto de vista no sistema solar. Além disso, a dupla não descarta que tanto o disco gigantesco quanto a “super Terra” existam juntos.

“Também é possível que ambas as coisas possam ser verdadeiras – pode haver um disco massivo e um nono planeta”, disse Sefilian.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Astronomical Journal. [Cnet]

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