Pessoas que vivem em sociedades ameaçadas são mais conformistas

Por , em 29.05.2011

Segundo um novo estudo, sociedades que enfrentam mais perigos são mais propensas a ter normas sociais estritas e ser intolerantes com as pessoas que se desviam delas. Já as sociedades mais seguras são mais liberais e tolerantes com seu povo.

Os pesquisadores americanos examinaram 6.800 pessoas em 33 países. Eles usaram os resultados para dar a cada país uma “ideia”, que refletia quantas normas sociais eles tinham e como elas eram aplicadas (rigorosamente ou não).

Países mais “tensos” como Índia e Coreia do Sul tinham normas sociais mais rigorosas do que países mais “liberais” como Holanda e Estônia.

Pessoas em países mais rigorosos acreditavam que apenas uma pequena gama de comportamentos era aceitável em situações cotidianas, como comer em um restaurante. Também eram mais propensas a condenar prostituição, aborto, divórcio, traição, suborno, etc. Havia menos diversidade de opiniões, a religião era mais proeminente, e os governos mais autocráticos.

Os cientistas também reuniram dados sobre as ameaças em cada país, como elevada densidade populacional, escassez de alimentos e água potável, poluição, catástrofes naturais, doenças e vizinhos hostis.

Todas essas ameaças foram mais prevalentes em países rigorosos. Segundo os pesquisadores, tornar-se socialmente firme pode ser uma resposta às ameaças. Uma sociedade em guerra pode ter uma chance melhor de sobreviver se tornar-se mais rigorosa.

Mas não necessariamente; para alguns especialistas, não é óbvio que conformidade seja uma defesa contra tantas ameaças diferentes.

Existem algumas evidências de que sociedades com maiores taxas de doenças infecciosas são menos democráticas e mais conformistas; isso pode ser porque a rigidez minimiza os riscos de contaminação.

Já ameaças como escassez de alimentos ou de catástrofes naturais seriam melhor tratadas pela abertura e tolerância, que permitem novas ideias e tecnologias para se desenvolver. Nesse caso, as vantagens da não conformidade são maiores.

Ainda assim, há quem defenda outra razão para reconhecer a diferença entre as sociedades rigorosas e liberais. Os encontros entre pessoas em diferentes sociedades podem levar a desentendimentos e conflitos. Permissividade e frouxidão podem ser vistos de forma muito negativa do ponto de vista das sociedades rigorosas. Ao mesmo tempo, constrangimento e supressão podem ser vistos como imorais do ponto de vista das sociedades liberais.

Os especialistas discordam apontando que, em média, as sociedades liberais se envolvem em muito menos guerras do que as sociedades rigorosas. Os países liberais são mais compreensivos em relação às diferenças de outros países, enquanto os países mais xenófobos são rigorosos, geralmente.[NewScientist]

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10 comentários

  • EDUARDO SOROCABA:

    infundável comparar a INDIA com a HOLANDA POUPE-NOS
    POR FAVOR

    • Marco Antonio A. Spitz:

      Ainda mais com o método utilizado. Usar como base de comparação valores e padrões Ocidentas para concluir que o Ocidente é melhor. Sem objetividade científica. Já sabiam do resultado final antes mesmo de terminar o estudo. Seria o mesmo que um cientista indiano usar como referência as DST para concluir que seu país é melhor que a América ou o Brasil.

  • Frank Oddermayer:

    O grave problema de povos rigorosos são a super população, que os levará à destruição. Povos liberais são mais ricos. E quanto mais uma nação prospera e aprende, menos filhos deseja ter. O problema é que os povos rigorosos e pobres são campeões de emigrações, exportando super população para os países ricos. Sem controle demográfico, a raça humana caminhará para a extinção, parcial ou total.

    • Marco Antonio A. Spitz:

      Os chamados “povos liberais” vivem um problema estranho. A redução de suas populações. Basta ver os dados demográficos da Alemanha, que não é um caso isolado. A entrada de imigrantes é do interesse destes países já que precisam de mão de obra barata para fazer serviços que seus próprios habitantes não fazem mais. O que preocupa estes governos são os imigrantes clandestinos.

  • Alex Keher:

    Quando dois eventos são concomitantes é difícil estabelecer a relação causal.
    E se for o contrário? Sociedades mais rigorosas, geram pessoas mais tensas e propensas à beligerância e ao conflito?

    E se for ainda o mais complexo efeito Tostines? A causa B e B causa A.

  • Shana Carvalho:

    Tolice tipicamente americana. Mais etnocentrismo descarado. Se avaliarmos uma sociedade estrangeira baseados nos valores de nossa sociedade logicamente a nossa sociedade será muito melhor. Agora vejam quais os valores citados no artigo dão distinção e superioridade ás sociedades democráticas: prostituição, aborto, suborno, traição.

  • Marco Antonio A. Spitz:

    Duas situações históricas que contrariam estas conclusões:

    1 – A recente tragédia em New Orleans, ocorrida num país tolerante, democrático e liberal, e não conformista teve resposta demorada e ineficaz por parte do Governo e da sociedade americana.

    2 – Antes da coloniação inglesa na India existia um sistema de redistribuição de alimentos em caso quebra de safra em alguma região, evitando assim crises de fome nessa sociedade rígida, não democrática e conformista. Após a chegada dos inglese, a reorganização da produção para atender a seus interesses eliminou este mecanismo, causanda a morte por fome de mais de 30 milhões de pessoas.

    Conclusão: se a perspectiva histórica é esquecida os resultados deste tipo de pesquisa podem chegar a conclusões erradas. Ou, fica muito mais fácil manipular a opinião das pessoas numa sociedade que esquece seu pessado.

  • Digao:

    Ah, sério, não brinca :S

    Isso fica meio óbvio quando pegamos pesquisas de satisfação de uma população ( pesquisas que por si só são sempre duvidosas ) e comparamos com os índices de IDH da região/país e vemos que não há uma proporcionalidade, o que é estranho e só pode ser explicado por conformismo, já que pela lógica países desenvolvidos deveriam ter uma população mais feliz e satisfeita do que países pobres.

  • Andrew:

    “Existem algumas evidências de que sociedades com maiores taxas de doenças infecciosas são menos democráticas e mais conformistas; isso pode ser porque a rigidez minimiza os riscos de contaminação.”

    Isso não é um pouco contraditório?

    • Marco Antonio A. Spitz:

      Não entendi votarem contra a observação do Andrew. Ele cita um trecho claramente truncado da matéria. Quem votou contra leu e entendeu o que está escrito?

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