Esta “pirâmide de 25 mil anos” é mais antiga que as do Egito — mas cientistas dizem que não foi construída por humanos

Por , em 7.02.2025

Durante séculos, a Pirâmide de Degraus de Djoser, no Egito, foi considerada a mais antiga do mundo, datando de cerca de 2.630 a.C. No entanto, um estudo polêmico sugere que Gunung Padang, na Indonésia, pode ser ainda mais antiga, retrocedendo dezenas de milhares de anos.

Um monumento da era do gelo?

Uma pesquisa publicada na revista Archaeological Prospection propôs que Gunung Padang poderia ter sido construída já em 25.000 a.C., durante a última Era do Gelo, muito antes do que a arqueologia tradicional acredita ser possível para a civilização humana. Os autores argumentam que o que parece ser uma colina de lava natural pode ter sido esculpida e “envelopada arquitetonicamente” ao longo do tempo.

As evidências baseavam-se em amostras profundas do núcleo do solo que revelaram estruturas em camadas sob o local visível, algumas das quais pareciam ter sido colocadas deliberadamente. Se verdade, isso mudaria radicalmente nossa compreensão sobre a linha do tempo da alvenaria avançada e desafia a suposição de que a civilização só decolou com o advento da agricultura há 11.000 anos.

Localizada em Cianjur, Java Ocidental, Indonésia, Gunung Padang tem gerado atenção tanto de entusiastas quanto de céticos. É quase como encontrar um fóssil de dinossauro em sua garagem — intrigante, mas você precisa de provas para mostrar aos vizinhos.

Gunung Padang, localizado em Java Ocidental, Indonésia. Recentemente, uma equipe afirmou ter encontrado uma estrutura antiga sob o local. Crédito: Ade Lukmanul Hakimmm

A reação científica

Nem todo mundo ficou convencido pelas alegações. Arqueólogos e geofísicos foram rápidos em criticar o estudo, afirmando que a suposta pirâmide não passava de uma colina naturalmente formada. Flint Dibble, da Universidade de Cardiff, descartou as descobertas, afirmando que materiais rolando colina abaixo tendem a se orientar naturalmente, sem evidências de trabalho humano.

Além disso, alguns especialistas destacaram uma falha significativa no argumento: datar amostras de solo não é o mesmo que datar uma estrutura. Bill Farley, arqueólogo da Southern Connecticut State University, apontou que as amostras de solo careciam de indicadores-chave de atividade humana, como carvão ou fragmentos ósseos.

O ceticismo chegou a um ponto crítico, levando a Archaeological Prospection a investigar minuciosamente as descobertas do estudo. A revista acabou decidindo por retratar o artigo, afirmando que suas conclusões não eram sustentadas pelas evidências. Isso enfraqueceu a alegação de uma pirâmide antiga em Gunung Padang.

Controvérsia e Debate

Apesar da retratação, o autor principal do estudo, Professor Danny Hilman Natawidjaja, não recuou. Ele classificou a retratação como uma forma severa de censura, desconsiderando os princípios fundamentais de investigação científica, transparência e justiça no discurso acadêmico.

A disputa sobre Gunung Padang não é apenas sobre um único local — ela levanta questões mais amplas sobre o nosso passado. Será que a civilização poderia ter surgido mais cedo do que pensamos? Poderiam haver estruturas esquecidas, mais antigas do que as pirâmides do Egito, esperando para serem descobertas?

Por enquanto, a Pirâmide de Degraus de Djoser ainda detém o recorde. Contudo, a busca pelos primeiros grandes monumentos da humanidade está longe de terminar. Quem sabe um dia não encontraremos um manual de construção da Era do Gelo, com dicas sobre como construir uma pirâmide usando apenas os recursos naturais?

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