Superstição faz diferença no desempenho atlético?

Por , em 1.08.2010

Quem pratica esportes com seriedade quase sempre tem alguma ou mania ou superstição para as competições. Alguns entram na arena pisando com determinado pé, comem algo especial antes da prova, fazem um corte de cabelo ou carregam uma foto ou outro adereço de um ente querido. Afinal, ir a campo confiando na sorte pode ajudar durante uma competição?

A mania de maior variedade, provavelmente, é o vestuário. Exemplos não faltam: Michael Jordan, ex-astro do basquete, com seis títulos da NBA e duas medalhas de ouro em Olimpíadas, só jogava usando por baixo da bermuda um outro shorts, da época que jogava o circuito universitário pela Carolina do Norte. Serena Williams, tenista que também tem dois ouros olímpicos e ainda brilha, tendo vencido o Tornei de Wimbledon a menos de um mês, joga sempre com as mesmas meias.

A questão é: acreditar na sorte, e em algo que vá além de suas próprias habilidades, faz de você um atleta melhor? Buscando responder a essa pergunta, a Universidade de Colônia (Alemanha) fez alguns testes. Primeiro, reuniram 28 participantes para jogar golfe. Antes de começarem as tacadas, alguns participantes foram chamados de lado, receberam uma bolinha e ouviram: “Você vai ganhar essa bolinha, até agora todos que jogaram com ela se deram bem, é uma bola da sorte”. Para outros, foi dito que era uma bola comum, em que não havia nada de especial. Aqueles que jogaram com a “bolinha da sorte” tiveram desempenho superior.

Próximo teste: destreza manual. Havia um cubo de plástico com 36 bolinhas acima de uma plataforma com 36 buracos. Os participantes tinham que encaixar as bolinhas em seus devidos lugares o mais rapidamente possível. Na explicação sobre o jogo, os pesquisadores disseram a alguns participantes: “eu aperto meus polegares por você!”, um equivalente, em alemão, para “eu cruzo meus dedos por você”. Mais uma vez, o desempenho daqueles para os quais se desejou sorte foi superior ao daqueles para quem nada foi falado.

Também foi investigada a influência de amuletos. Em um teste de memória e raciocínio, os pesquisadores permitiram que alguns participantes levassem seu amuleto pessoal para a sala de testes, enquanto negaram isso a outros. Os que puderam levar amuletos relataram ter sentido sua confiança crescer ao entrar na sala de testes, assim que foram informados da possibilidade de levar. E mais: acreditando que a sorte estava com eles, o grupo do amuleto tendia a não desistir das tarefas com a mesma facilidade, pois pensavam que qualquer erro poderia ser consertado com a sorte, e que no final tudo daria certo.

Os pesquisadores explicam: “Quando alguém atribui o seu sucesso a um amuleto, seu consciente está dizendo que a confiança é na sorte, mas no subconsciente o que aumenta é a confiança em suas próprias habilidades, o que acaba realmente por melhorar o desempenho”. É claro que Michael Jordan jogaria bem se não estivesse vestindo seu calção da Universidade da Carolina do Norte, mas a presença desse amuleto o deixava mais confiante para sua rotina de passes, arremessos e enterradas.

Um teste na Universidade do Colorado (EUA) também usou o golfe e tirou uma conclusão interessante. Eles fizeram duas rodadas de tacadas, e entre elas o participante poderia escolher a bola que quisesse para continuar. Resultado: aqueles que foram melhores no começo não tiveram preferência por bola nenhuma, porque confiavam mais em si mesmos, mas aqueles com desempenho pior “se agarraram” à bolinha com a qual haviam conseguido mais acertos.

Depois, a situação se inverteu: sentindo-se desafiados, os golfistas bons passaram a pegar sempre a bolinha da mesma cor para ver se conseguiam acertar tudo mesmo “sob pressão”, enquanto os piores, vendo que a bolinha não fez diferença, passaram a não escolher bolinha, e deixaram a superstição de lado.

Quanto às questões fisiológicas, os cientistas ainda têm dúvidas. O debate é o seguinte: será que a confiança no amuleto reduz o estresse fisiológico, o que ajuda a manter a calma e o bom desempenho, ou reduz a excitação na competição (já que a pessoa “deixa que a sorte cuide disso”), o que poderia até atrapalhar, se o atleta não entra em campo com a mesma vontade de vencer? [The New York Times]

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2 comentários

  • Douglas Miranda:

    Eu tenho uma camisinha da sorte. Sempre que vou transar, só uso ela. Quando termino lavo e penduro no varal… certa vez ela estourou, mas deu pra remendar beleza.
    Antes disso eu tinha um espelho da sorte, mas deixei ele cair quando tava passando debaixo de uma escada e um gato preto pulou em cima de mim. Foi muita falta de sorte em plena sexta-feira (13).

  • Marcos:

    Olá a todos – todos sou eu mesmo 🙂
    Para mim são apenas supertições, sem nenhuma interferância nos resultados. Mas, se querem usar, que usem …
    Abraços

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