Temperatura antártica sobe para mais de 20° C pela primeira vez

Por , em 13.02.2020

Cientistas brasileiros registraram uma temperatura acima de 20°C na Antártica pela primeira vez na história.

A medição de 20,75°C foi tomada na Ilha Seymour no último dia 9 de fevereiro, e é quase um grau mais alta que o recorde anterior de 19,8°C, observado na Ilha Signy em 1982.

Os pesquisadores, que coletam dados da temperatura antártica a partir de estações de monitoramento a cada três dias, disseram que o registro é “incrível e anormal”.

Tendência de aquecimento

Outro recorde foi observado em 6 de fevereiro por pesquisadores argentinos em Esperanza: uma temperatura de 18,3°C, a maior já vista na parte continental da península antártica.

Esses registros ainda precisam ser confirmados pela Organização Meteorológica Mundial, mas são consistentes com tendências que vêm sendo observadas por toda a Antártica, agora quase 3°C mais quente do que na era pré-industrial.

Essa taxa de aquecimento, uma das mais rápidas do planeta, têm levantado preocupações de instabilidade climática no maior repositório de gelo do mundo.

“Estamos vendo uma tendência de aquecimento em muitos dos locais que estamos monitorando, mas nunca vimos nada parecido com isso”, disse Carlos Schaefer, que trabalha no Terrantar, um projeto do governo brasileiro que monitora o impacto das mudanças climáticas no permafrost e na biologia em 23 locais na Antártica, ao portal The Guardian.

Erráticas                   

As temperaturas na península antártica, nas Ilhas Shetland e no arquipélago James Ross, do qual a Ilha Seymour faz parte, têm se mostrado erráticas pelos últimos 20 anos.

De acordo com Schaefer, depois de diminuírem na primeira década do século, passaram a aumentar rapidamente.

Essas variações parecem ser influenciadas por mudanças nas correntes oceânicas e eventos de El Niño. Segundo os cientistas, mudanças climáticas na atmosfera estão intimamente relacionadas com mudanças no permafrost e no oceano.

O impacto deste aumento na temperatura varia por toda a Antártica. A região contém cerca de 70% da água doce do mundo na forma de neve e gelo. Se ela derreter completamente, os níveis do mar poderiam subir 50 a 60 metros. Mas isso não vai acontecer do dia para a noite, é claro.

Derretimento

Enquanto as temperaturas no leste e no centro da Antártica são relativamente estáveis, a maior preocupação tem sido a região oeste, na qual o aquecimento do oceano tem prejudicado muito as geleiras Thwaites e Pine Island.

Por enquanto, isso levou a um aumento relativamente baixo do nível do mar, mas as coisas poderiam piorar bastante se a tendência de aumento rápido de temperatura permanecer.

Cientistas da ONU preveem que os oceanos podem ficar entre 30 e 110 centímetros mais altos até o final deste século, dependendo dos esforços humanos para reduzir o impacto das mudanças climáticas.

Enquanto isso, Schaefer afirmou que o monitoramento de dados nestas áreas pode indicar que futuro lhes aguarda.

“É importante ter áreas sentinelas como Shetlands do Sul e a península antártica, porque elas podem antecipar os desenvolvimentos que acontecerão no futuro próximo”, disse. [TheGuardian]

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