A simples teoria que explica a matéria escura

Por , em 12.06.2013

Embora sua existência tenha sido proposta há pelo menos 80 anos, a chamada “matéria escura” ainda é pouco compreendida e mesmo equipamentos sofisticados não puderam comprovar que ela, de fato, existe.

Para jogar uma luz sobre o estranho fenômeno, os físicos teóricos Robert Scherrer e Chiu Man Ho, da Universidade Vanderbilt (EUA), propuseram um modelo relativamente simples: as partículas de matéria escura possuem um campo magnético pouco comum, em formato de toroide (uma “rosquinha”, para facilitar), denominado anapole (termo em inglês), que explicaria suas propriedades.

“A maioria dos modelos para matéria escura propõe que ela interage por meio de forças exóticas que não encontramos no dia-a-dia”, explica Scherrer. “A matéria escura com anapole usa eletromagnetismo comum, sobre o qual você aprende na escola. Além disso, o modelo faz previsões bastante específicas sobre o nível de matéria escura que deverá aparecer em detectores espalhados pelo mundo” – o que não deve demorar muito, segundo os autores.

Na década de 1930, a matéria escura foi proposta como uma possível explicação para inconsistências na velocidade de rotação de estrelas em certas galáxias. O problema é que, apesar da sua influência perceptível, esse tipo de matéria não interage com a luz visível da mesma forma que a convencional, o que a torna praticamente indetectável.

De acordo com os cálculos de Scherrer e Ho, o tipo de campo magnético da matéria escura permitiria interações com outros campos apenas quando elas estivessem em movimento, algo que ocorria mais no início do universo, mas que começou a se tornar menos comum conforme ele se expandiu e esfriou (o que explicaria a “invisibilidade” da matéria escura).[Phys.org, Physics Letters B]

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11 comentários

  • José Roberto Resende:

    O que cada um de nossos sentidos percebe é diferente do outro, mas em conjunto nos dão uma percepção melhor da realidade. Discriminar?

  • pmahrs:

    Alguns falam das loucuras das religiões, mas a ciência também já entrou no campo de loucuras similares das religiões. Cientistas de ponta não podem muito se prenderem as leis da física e matemática conhecida, acho que há (opinião pessoal) muito do mecanismo da fé em bons cientistas. Se bem que mesmo que cientistas consigam presumir Deus matematicamente em maquinas de quilômetros que detectam partículas infinitamente pequenas, nós leigos jamais entenderemos os processos e equações complexas para compreender as provas; só poderemos acreditar nos cientistas assim como acreditamos em monges que também estudam e meditam por décadas. De fato nunca vimos Deus ou anjos, mas também nunca vimos buraco negro, matéria escura,quarks ou Boson de Higgs;os cientistas dizem que existem ou podem existir, mas monges também dizem o mesmo sobre Deus. Acreditamos em livros e cientistas por que fomos treinados a isto desde pequenos mas é apenas acreditar e não saber de fato e propriedade como alguém que viu ou entende as provas; tecnicamente não difere muito de acreditar em monges.

    • Marcelo Ribeiro:

      A ciência oferece evidências a qualquer um que se empenhe em entendê-las. Caso surja uma evidência que supere as anteriores os cientistas tem que mudar sua opinião sobre determinado fenômeno. Já a religião parte de verdades pré-concebidas, também conhecidas como dogmas, e você sequer pode questioná-los. Modalidades ideológicas completamente distintas e inconciliáveis.

    • edson.coutinho:

      Não é tão simples assim. O fato de não ver não significa que não exista. Pelo efeito se pode deduzir a causa, às vezes com exatidão.

    • Gargwlas:

      sem falar que vc pode estudar e entender o q os cientistas falam…quanto a religiao nao

    • kid redman:

      A onda não é religião… a onda é espiritualidade, que pode muito bem conviver com a ciência.
      Aliás…
      ” ciência não é só compatível com a espiritualidade; é uma profunda fonte de espiritualidade. Quando reconhecemos nosso lugar na imensidão de anos-luz e no transcorrer das eras, quando compreendemos a complexidade, a beleza e a sutileza da vida, então o sentimento sublime, misto de júbilo e humildade, é certamente espiritual. (…) A noção de que a espiritualidade e a ciência são de alguma maneira mutuamente exclusivas presta um desserviço a ambas”
      Carl Sagan
      E olha que Mr. Sagan não era do tipo “baixo clero” não… era conceituado… não era mais um opinador tipo curioso de ciência como nossos amigos aqui, sem querer denegrir o conhecimento de ninguém, claro.
      Não se iludam: o mundo espiritual está a nossa volta, como a matéria escura ! Em breve farão parte dele.

    • PhysicistJB:

      Tecnicamente existe uma diferença extratosférica entre a afirmação religiosa (no teu exemplo, monges) e afirmação científica. Vamos aos fatos: 1- O q um religioso diz é baseado em fé (crença sem averiguação, pelo menos, adequada) e o q o cientista diz é baseado em evidências testadas, confrontadas a exaustão e reproduzidas precisamente. 2- Não é problema do cientista se um ignorante no assunto não entende o q ele diz, nem o fenômeno deixa de existir por causa disso. A solução mais fácil é q o ignorante deixe de ser preguiçoso e acomodado e comece a estudar pra entender e não simplesmente acreditar no q dizem. 3- Uma vez q a pessoa entende o linguajar e entende o fenômeno descrito junto com suas implicações, essa mesma pessoa tem todo direito do mundo de questionar e apresentar sua hipótese alternativa a fim de ser também testada e confirmada ou falseada. No caso da “sabedoria” religiosa, ninguém tem o direito nem de pensar em perguntar por que é assim ou assado, mesmo que a pessoa esteja com todas as provas na sua frente, porque isso caracteriza condenação. Em suma, de uma vez por todas: as pessoas podem ser religiosas a vontade, fechar os olhos para realidade e se manterem ignorantes como quiserem, não há problema algum (só pra elas). No entanto, não tente igualar a ciência a essa forma idiota de pensar chamada religião porque são dois lados opostos q não se misturam, não se conectam, não são compatíveis uma com a outra. Cabe ao ser humano escolher: razão ou fé (saber ou crer).

  • Falcone Big:

    Me lembro da minha professora de ciências da 4ª série do 1º grau, quando dizia que o espaço era o vazio, o vácuo, o “nada”, e eu insistia com ela que era impossível existir “vazio” no universo! Como ela mesmo disse sobre o ar, anteriormente: “Não é por que não vemos que não esteja lá”
    Me fez passar tamanha vergonha que desanimei de qualquer carreira cientifica e abaixo a cabeça até hoje e quando me lembro!!

    • Marcelo Ribeiro:

      Espaço vazio, mesmo que não tenha matéria ou energia escura nele, também contém energia que causa flutuações quânticas e pode até ter criado o próprio universo.

    • Henrique Sadao Kajino:

      Leia sobre radiação Hawking, não sobre matéria escura. São coisas completamente diferentes e confirma o que vc disse: no nada, no absolutamente NADA ainda passa a existir alguma coisa. Matéria escura é simplesmente algo que está lá e não vemos, como o ar que interage fracamente conosco quando sentimos o vento e a pressão. A matéria escura interage especificamente quando falamos de gravidade, mas ainda somos péssimos em detectar gravidade.

    • Cícero:

      O NADA é uma entidade inexistente, então como pode existir alguma coisa nele? ainda mais criando o universo!

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