Tomar antioxidantes faz você viver mais tempo: mito ou realidade?

Por , em 9.09.2013

Décadas atrás nem se pensaria em fazer uma pergunta dessas. No entanto, hoje em dia sabemos que os antioxidantes não são o novo Santo Graal. Confira por que a mais provável resposta para a pergunta do título é “mito”.

À medida que nossas células metabolizam os alimentos que ingerimos, elas produzem os chamados radicais livres, que causam estragos ao nosso organismo.

Ao longo da vida, os danos se acumulam lentamente e podem causar diversos tipos de doenças degenerativas. Felizmente, porém, muitos produtos químicos podem atuar como antioxidantes, incluindo até mesmo alimentos, que prometem limpar nosso corpo de radicais livres.

Além disso, comer vegetais ricos em antioxidantes parece reduzir o risco de doenças. Por tudo isso, ingerir pílulas cheias de antioxidantes deve ajudar a evitar estas doenças também, certo?

Foi isso que alguns cientistas começaram a pensar a partir da década de 1970 em diante. Vencedor do prêmio Nobel, o químico Linus Pauling, entusiasticamente incentivava o consumo de altas doses de vitaminas, mesmo sem possuir evidências clínicas que comprovassem seus benefícios. O público caiu na conversa e de repente surgiu toda uma nova indústria para atender a demanda.

Depois, na década de 1990, começaram a aparecer resultados de pesquisas mais rigorosas, com alguns dos suplementos mais populares, incluindo o beta-caroteno, a vitamina E e a vitamina C. Estudo após estudo comprovou que, enquanto essas substâncias efetivamente funcionavam como antioxidantes nos tubos de ensaio, as pílulas tomadas pelas pessoas não pareciam fornecer qualquer tipo de benefício. Muito pelo contrário.

Alguns estudos sugerem até que essas pílulas são prejudiciais à saúde. As conclusões foram publicadas na revista científica Journal of the American Medical Association. Uma revisão feita em 2007 com cerca de 70 experimentos envolvendo 230 mil pessoas concluiu que não só suplementos antioxidantes não aumentavam expectativa de vida, como também as pílulas de beta-caroteno e das vitaminas A e E realmente pareciam aumentar a mortalidade.

Por quê? Talvez porque altos níveis de radicais livres façam com que as células elevem suas próprias defesas antioxidantes, diz Barry Halliwell, bioquímico da Universidade Nacional de Cingapura. Segundo ele, essas defesas internas são muito mais eficazes do que os antioxidantes que recebemos dos alimentos.

Por isso, ao tomar suplementos, é capaz que nós desativemos um mecanismo de defesa de primeira linha e o substituamos por um mais fraco. “Os radicais livres em pequenas quantidades também desempenham funções úteis”, lembra Halliwell.

Se tudo isso estiver certo, os benefícios dos vegetais podem não ter nada a ver com os antioxidantes. Uma hipótese é a de que ao vegetais são benéficos à saúde por serem levemente venenosos: um pouco de veneno serve como agente ativador de mecanismos de proteção que nos afastam de doenças.

Enquanto não houve contestações dos estudos mais recentes, ninguém ainda parece estar disposto a abandonar a ideia de que os suplementos são bons para você. Mas tenha em mente: provavelmente não são. [New Scientist]

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3 comentários

  • Rodrigo Luís Botecchia Galera:

    Em exagero sim, concordo que as vitaminas podem e vão fazer mal. Mas servindo como COMPLEMENTO a uma dieta balanceada, não vejo porque não faria BEM. Ou tem alguém aqui que consome, por exemplo, a quantidade ideal de magnésio ou vitamina C no dia?

  • neutrino:

    E esse tal de colágeno? serve pra alguma coisa?

  • eremita:

    será?

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