Você é resiliente?

Por , em 21.07.2013

Ser ou não ser

De acordo com a American Psychological Association a resiliência psicológica é definida como um processo de adaptação bem sucedida às experiências adversas, especialmente através da flexibilidade mental, emocional e comportamental caracterizado por ajustamento funcional às demandas externas e internas sem risco de surto psicológico.

Em outras palavras, é a nossa capacidade de enfrentar problemas, superar obstáculos e resistir à pressão de situações adversas sem que haja abatimento significativo de nosso ânimo ou mesmo dano permanente à nossa psicologia, de forma que possamos restituir integralmente nosso estado de equilíbrio emocional original.

No senso comum, se entende como sendo o célebre “sangue frio” típico dos heróis de filmes de ação do cinema noir. Misto de super-homem com mestre tibetano: resolve qualquer parada, não se deixa abater, não fica traumatizado e não guarda ressentimentos.

Entre os especialistas a resiliência é apontada como uma competência tanto de indivíduos quanto de organizações, e como tal, pode ser ensinada e aprimorada.

O primeiro passo é entender como ela funciona.

Origens

O termo é emprestado da Físico-química, mas especificamente do capítulo que trata da Resistência dos Materiais, e tipifica a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a ação da tensão deformadora.

Em suma, é a capacidade de retornar ao estado inicial a despeito do estresse ou da adversidade a que foi submetido.

A resiliência é expressa numericamente em percentual da energia devolvida após a deformação.

Sendo que resiliência de 0% indica que o material sofre deformações exclusivamente plásticas, ou seja, depois de deformado é incapaz de retornar à sua forma original.

Já a resiliência de 100% corresponde aos materiais que sofrem deformações notadamente elásticas, ou seja, depois de deformados esses materiais são capazes de retornar integralmente à sua forma original.

Por exemplo, uma vara de salto em altura, que é vergada até um determinado limite sem se quebrar e depois retorna à forma original dissipando a energia acumulada e lançando o atleta para cima, apresenta resiliência próxima de 100%.

Foi o cientista inglês Thomas Young , em 1807, um dos primeiros a empregar esse termo quando estudava a relação entre a tensão e a deformação de barras metálicas.

Aplicações

Aplicado na engenharia, a resiliência de materiais, como o aço, é fator determinante para a construção de grandes estruturas metálicas, tais como pontes e treliças sendo também de uso bastante comum, o aço de alta resiliência, para a fabricação de molas.

A resiliência também tem seu significado na Economia da Natureza e na Ecologia, como sendo a capacidade de recuperação de um ambiente frente a um impacto, como por exemplo, uma queimada.

Atualmente a resiliência é utilizada na psicologia corporativa para caracterizar pessoas que têm a competência de retornar rapidamente ao seu equilíbrio emocional após sofrer grandes pressões ou estresses.

Aliás, essa é uma das competências mais requisitadas na composição do perfil de um candidato durante um processo de seleção.

Evidentemente estará em vantagem perante a vida aquele que tiver resiliência de 100% ou seja, for capaz de passar pelos piores pesadelos sem se deixar abater e conseguir retornar sempre ao seu estado de equilíbrio.

Nas palavras do escritor Ray Bradbury é transformar-se, perante a adversidade, em um pote bem fechado. Pode chover caudalosamente ao seu redor, que seu conteúdo nunca se dilui.

O desafio

Gostaria, no entanto, de incrementar nossa discussão propondo aqui um desafio:

– o desenvolvimento de uma resiliência psicológica muito maior que 100%.

Em síntese, não  bastaria o retorno ao  estado original de equilíbrio depois de resolvida a  adversidade.  Teríamos que ir além.

Algo como  um aprendizado efetivo como consequência dessas experiências negativas. Algo que nos tornasse seres humanos melhores.

Seria possível? E como fazer?

Bem, isso já é assunto para um próximo artigo. Não perca!

-o-

 

[Imagem: “Under Pressure” de Peter Koerhuis]

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Seus contos “Herdeiros dos Ventos” e “Uma carta para Guinevere” foram, em 2010, tópicos de abordagem literária do tema “Love and its Disorders” no “4th International Congress of Fundamental Psychopathology.”

Foi premiado com o primeiro lugar no Concurso Nacional de Contos da Scarium Megazine (Rio de Janeiro, 2004) pelo conto Propriedade Intelectual e com o sexto lugar pelo conto Singularis Verita.

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4 comentários

  • Lucas Wormsbecher:

    Joseph Klimber é um exemplo!

  • Patchanns:

    Nunca achei que isso seria uma virtude, sou assim desde criança, acho que minha Historia me fez assim, hoje, até existem coisas que podem me abalar psicologicamente, mas… nada me destroi.

  • Thiago Miranda:

    Penso que quando este conceito de resiliência é utilizado, não devemos nos preocupar em quanto é o grau em porcentagem de cada um, e sim em quanto tempo demoramos para chegar aos 100% de novo. Afinal, uma hora ou outra a gente volta ao nosso estado de equilibrio, nem que se demore 20 anos pra tal acontecer.

    Talvez, pra analizar seres humanos nesse aspecto, deveriamos analizar a forma de tal pessoa frente a uma dificuldade e quanto tempo ela precisa pra se reerguer novamente.

  • Azos Nosredna:

    Fiquei curioso a respeito do desenvolvimento da resilência, ainda que 100%, mais que isso seria espetacular.

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