20 coisas que você não sabia sobre autópsias

Publicado em 3.09.2012

Fãs de seriados policiais, como CSI e Dexter, provavelmente conhecem um pouco do trabalho da perícia, mas mesmo eles poderão se surpreender com a (mórbida) lista de curiosidades sobre autópsias que apresentamos a seguir:

  1. Até a Renascença, a autópsia de seres humanos era considerada uma afronta em praticamente todas as culturas. Assim, o jeito era dissecar animais que tivessem alguma semelhança anatômica com humanos.
  2. A Universidade de Bologna (Itália) foi a primeira instituição a usar autópsia forense (motivada por questões legais), no Século 14.
  3. Em 1533, a Igreja Católica ordenou a autópsia das gêmeas siamesas Joana e Melchiora Ballestero. O objetivo era descobrir se elas tinham duas almas, o que seria “confirmado” pela presença de dois corações (que elas realmente tinham), de acordo com a antiga crença grega de Empedocles de que o coração era a morada da alma.
  4. No Século 18, o autopsista Giovanni Battista Morgagni introduziu a ideia de buscar ligações entre sintomas clínicos e observações obtidas após a autópsia, que, dessa forma, passaria a servir não apenas para obter informações anatômicas, mas também para ajudar a descobrir diagnósticos e desenvolver tratamentos.
  5. Em 1912, o médico Richard Cabot chegou a uma conclusão alarmante: com base em autópsias, ele declarou que certas doenças tiveram o diagnóstico errado em 80% dos casos. Em 2005, uma pesquisa na área de histopatologia sugeriu que os médicos erram o diagnóstico de doenças fatais em cerca de um terço dos casos.
  6. Em cerca de dois terços dos casos fatais em que o diagnóstico estava incorreto, a vida do paciente poderia ter sido salva, de acordo com estudo feito em 1998 por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh (EUA).
  7. Obcecado com os desenhos anatômicos feitos pelo médico Andreas Vesalius, o juiz Marcantonio Contarini permitiu que fossem realizadas autópsias em criminosos executados. A partir de 1539, foram feitos enforcamentos agendados com base na necessidade de autópsias.
  8. Por falta de recursos mais precisos (e de conhecimento sobre transmissão de doenças), o médico italiano Antonio Valsalva provou fluidos encontrados em cadáveres para melhor caracterizá-los, no século 17.
  9. Valsava escreveu que pus gangrenoso não tinha um sabor agradável, e que ficava na língua durante boa parte do dia (que bom que ele avisou, não?).
  10. Em 1828, os imigrantes irlandeses William Burke e William Hare se uniram para assassinar 16 pessoas na Escócia e vender os cadáveres a um médico para dissecação. Quando a trama foi descoberta, Hare testemunhou contra Burke, que foi enforcado em 1829.
  11. Ironicamente, o cadáver de Burke foi dissecado (em público), e seus restos mortais estão em exposição na Universidade de Edinburgh (Escócia). Não bastasse isso, algumas pessoas roubaram parte de sua pele durante a autópsia e usaram para fazer carteiras, que foram vendidas nas ruas.
  12. No Século 19, o patologista austríaco Karl Rokitansky realizou 30 mil autópsias e, segundo diziam, supervisionou outras 70 mil.
  13. Ná década de 1970, autópsias de pacientes que estavam usando a droga anticancerígena Adriamycin revelaram que seus músculos cardíacos haviam atrofiado, o que levou a restrições ao uso do medicamento. A realização de autópsias também foi fundamental para a evolução de próteses de articulações e de válvulas cardíacas, além de transplantes de coração.
  14. Hoje em dia, muitos hospitais não “gostam” de realizar autópsias: o custo é elevado, ocupam os patologistas e geralmente revelam que os médicos erraram o diagnóstico, erros às vezes fatais.
  15. Nas autópsias modernas, o rosto do cadáver normalmente fica coberto pela pele do peitoral ou do escalpo.
  16. Às vezes, a equipe substitui lâminas cirúrgicas precisas por alicates de corte comuns – como aqueles vendidos em lojas de ferramentas.
  17. Quase sempre, os pulmões apresentam alguma patologia em adultos, mesmo naqueles que levaram uma vida relativamente saudável. Em pessoas portadoras de mal de Alzheimer, o cérebro apresenta uma redução de cerca de 10% de seu volume.
  18. Ao final do procedimento, os órgãos podem ter dois destinos: ou são incinerados, ou armazenados em um saco, que é colocado novamente no corpo.
  19. Órgãos muito pequenos, como a tireoide e as glândulas suprarrenais, são pesadas em balanças de alta precisão; os demais são pesados em balanças comuns, como aquelas que encontramos em açougues.
  20. Há pouco esguicho de sangue durante uma autópsia, já que o cadáver não tem pressão sanguínea.

[Discovery Magazine]

Autor: Guilherme de Souza

É jornalista empenhado e ilustrador em treinamento. Curte ciência, cultura japonesa, literatura, seriados, jogos de videogame e outras nerdices. Tem alergia a música sertaneja e acha uma pena que a Disco Music tenha caído no esquecimento.

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10 Comentários

  1. O termo autópsia que significa o homem se auto examinar não está errado. mas o termo mais correto é NECROPSIA.
    Trabalho na área e o termo mais usado na perícia criminal é necropsia (sem acento mesmo) ou necrópsia. Ninguém usa autópsia.
    Raramente há esguicho de sangue.

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    • Isso é um pouco confuso.O próprio dicionário traz autópsia como sendo um auto-exame ou sinônimo de necrópsia.

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    • Como bem disse o leitor Dinho01, é sinônimo

  2. pelo que eu saiba, já praticaram autópsias por fins de estudos anatomicos na cidade de Alexandria, 300 a.C. e em outros lugares até mais cedo.

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  3. Caro Guilherme,

    Toda vez que leio ou vejo a expressão autópsia, essa palavra auto, induz o leitor a imaginar que o falecido, abriria os olhos e pediria ao assistente as ferramentas para ele mesmo se fazer um harakiri…imagina a cena…o cara mortinho da silva, se fazendo um grande corte na barriga e se retirando os órgãos, e passando tudo para o assistente, dizendo, olha..esse tá ruim, morri disso…..irônico isso…
    Não seria melhor usar a palavra NECRÓPSIA, pois tudo que é AUTO, é feito por conta própria…

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    • Quando fiz o curso primário, na década de 30, que por sinal era muito bom, a professora nos explicou que “autópsia” é olhar ou examinar a si próprio, mas no caso de cadáveres quer dizer: O homem examinando o próprio homem.
      Agora, necrópsia também tá certo, né?

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    • No caso autópsia é a necrópsia feita em um ser humano por um ser humano daí vem o fato de ser auto, agora necrópsia é o estudo de qualquer cadáver não necessáriamente de um humano,por isso toda autópsia é uma necrópsia mas nem toda necrópsia é uma autópsia!

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    • É um equívoco “justo”, Rodney, mas não deixa de ser um equívoco. Além disso, o termo “autópsia” é mais comum do que “necrópsia”

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