5 gênios famosos e as ideias que eles “roubaram”

Publicado em 30.05.2012

Todo mundo que não fugiu da escola aprendeu a amar e admirar estas pessoas, pela genialidade, pela inteligência, pela grande capacidade de inventar. Só que está tudo errado. Eles foram gênios, foram inteligentes, mas a invenção pela qual eles são conhecidos não é deles. E não foram recebidas de presente, também. Confira:

5 – Galileu Galilei

Galileu Galilei foi um astrônomo, físico e médico italiano. Pergunte a qualquer um na escola qual a maior contribuição de Galileu à ciência e a resposta que você vai ouvir provavelmente vai ser “o telescópio”. Bom, está na hora de abrir os olhos, e abanar as orelhas, por que Galileu não inventou o telescópio.

Quem inventou o telescópio?

Todo mundo espiando as estrelas, mas quem estava fazendo mais força para ver? O holandês Hans Lippershey. Em 1608, Hans completou o primeiro telescópio e tentou patenteá-lo, mas a patente foi recusada, sem nenhum motivo aparente.

Alguns países adiante, quando Galileu ouviu sobre o trabalho de Lippershey, ele rapidamente criou seu próprio telescópio, em 1609. E um que só conseguia ver um pouquinho a mais que o de Lippershey.

Enquanto Galileu nunca patenteou seu telescópio, o fato é que sempre que se fala em telescópio, é em Galileu que as pessoas pensam, enquanto Lippershey está praticamente ausente dos livros da escola.

E só para mostrar o quanto cada cientista é premiado, quatro luas em torno de Júpiter são chamadas de Galileanas, em homenagem ao dito cujo, e o que é que leva o nome de Lippershey? Uma cratera. Uma miserável cratera na superfície da nossa lua que será conhecida para sempre como a cratera Lippershey.

4 – Alexander Fleming

Sir Alexander Fleming é o nome do cientista que as pessoas pensam quando o assunto penicilina é trazido à baila. Há até uma historinha sobre como o pai de Fleming salvou um menino de se afogar na Escócia, e o pai deste quase afogado jurou pagar pela educação do jovem Fleming, como sinal de gratidão. Eventualmente, Fleming se graduou médico e descobriu a natureza curativa da penicilina que eventualmente salvou a vida de Winston Churchill quando o mesmo contraiu pneumonia. E quem era o garotinho que o pai de Fleming salvou em primeiro lugar? Winston eu-não-sei-nadar Churchill.

Tudo muito bonitinho, exceto pelo o fato que não é verdade. O tratamento de Churchill não foi feito com penicilina, e Fleming provavelmente não a descobriu.

Quem foi que descobriu a penicilina?

Difícil dizer. Os nativos de tribos do norte da África já vinham usando a penicilina há milhares de anos. Além disso, em 1897, Ernest Duchesne usou o fungo para curar a febre tifóide em seu porquinho da índia, prova de que ele estava sabendo o que a penicilina poderia fazer.

Outros cientistas não o levaram a sério na época, devido a sua idade e sua estranha preocupação com porquinhos da índia, então ele nunca recebeu nenhuma patente pelo seu trabalho. Ele morreu dez anos depois, de uma doença que poderia ter sido tratada com penicilina, aliás.

Mesmo quando Fleming acidentalmente descobriu a penicilina anos mais tarde, ele não pensou que ela poderia ser usada para ajudar alguém. Enquanto isto, alguns outros cientistas, Howard Florey, Norman Heatley, Andrew Moyer e Ernst Chain começaram a trabalhar com a penicilina e eventualmente dominaram a mesma e descobriram uma forma de produzi-la em massa.

Enquanto Fleming supostamente nem mesmo acreditou na potencialidade do fungo, ele será sempre lembrado como o gênio inventor de penicilina e salvador de Winston Churchill.

3 – Alexander Graham Bell

O grande Bell. O homem por trás do telefone e um cara legal. Bell dedicou muito do seu tempo trabalhando com pessoas surdas. Sua esposa era surda, sua mãe era surda e ele era até mesmo o professor favorito de Helen Keller. Com sua quase obsessão de tempo integral com pessoas surdas, é incrível que ele tenha tido tempo para inventar o telefone.

Quem foi que inventou o telefone?

Em, 1860, um italiano chamado Antonio Meucci demonstrou seu primeiro telefone funcional (que ele chamava de “teletrofono”). Onze anos mais tarde (ainda cinco antes do telefone de Bell entrar em cena), ele registrou uma patente temporária para sua invenção. Em 1874, Meucci não conseguiu pagar os US$10 (R$20) para renovar sua patente, por que ele era um italiano pobre e doente.

Dois anos depois, Bell registrou a sua patente de telefone. Meucci tentou processá-lo, é claro, e tentou recuperar os registros dos planos e desenhos originais que ele havia enviado a um laboratório na Western Union, mas incrivelmente estes registros haviam desaparecido. E onde é que Bell estava trabalhando naquela época? Sim, você adivinhou, no mesmo laboratório da Western Union onde Meucci jurou ter mandado seus planos originais. Meucci logo sumiu de cena.

Teria Bell, dada sua posição conveniente no laboratório da Western Union, destruído os registros de Meucci e alegado que o telefone era sua invenção? Difícil dizer. Há quem diga que “sim, sem dúvida alguma”, enquanto outros apenas dizem “provavelmente”. Faz sentido, se você examinar os fatos: Bell tinha um bom número de invenções no bolso, não é ilógico pensar que ele ficou ganancioso. Além disso, para quê Bell iria precisar de um telefone? A mãe e a esposa eram surdas, para quem ele iria telefonar?

2 – Albert Einstein

De acordo com todos os livros de ciência e aquele episódio do Animaniacs, Albert Einstein, o Homem do Século da Time Magazine, inventou a Teoria da Relatividade. Certamente, quando você ouve o nome Einstein, você deve pensar “ele descobriu a relatividade” ou “ele que inventou a equação E=mc²”, ou então “um cara totalmente maníaco por sexo”. Só uma destas é verdadeira (a parte do maníaco por sexo).

Quem de fato inventou a Teoria da Relatividade?

Na maior parte, Henry Poincaré. Poincaré era o maior especialista em relatividade no final do século 19, e muito provavelmente a primeira pessoa a apresentar formalmente a teoria da relatividade. Se você fosse Einstein e quisesse escrever sobre a relatividade, você provavelmente iria querer ter um papinho com o maior especialista em relatividade, certo? Se você respondeu “sim”, então você realmente não é Einstein.

De acordo com o famoso trabalho de Einstein, “On the Electrodynamics of Moving Bodies” (Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento”, em tradução livre), Poincaré, apesar de ter publicado 30 livros e mais de 500 artigos, não vale a pena ser mencionado. Poincaré não recebe uma única referência, a menos que você considere o plagiarismo um tipo de referência indireta. Einstein não coloca o Poincaré nas referências, nos rodapés, em lugar nenhum do seu paper.

De acordo com o livro de Peter Galison, “Einstein’s Clock, Poincaré’s Maps: Empires of Time” (“O Relógio de Einstein, o Mapa de Poincaré: Impérios do Tempo” em tradução livre), Einstein e um grupo de amigos formaram o chamado The Olympia Academy e se reuniam regularmente para discutir seus trabalhos e o trabalho de outros cientistas. O livro menciona especificamente como Poincaré foi um dos cientistas que Einstein e seu batalhão nerd discutiram.

É interessante que Einstein sentou e discutiu o trabalho de Poincaré por anos, publicou um livro que descrevia uma teoria muito parecida com a dele, e não fez referência a Poincaré nem uma vez em seu livro todo. Uma boa indicação de que isso seja plágio.

1 – Thomas Edison

Thomas Edison, descrito como um dos “mais prolíficos inventores do mundo”, com um recorde de 1.093 patentes com seu nome. Edison ainda hoje é celebrado nas escolas do mundo todo como tendo inventado a lâmpada, o filme, a eletricidade, e um bando de outras porcarias que ele não está relacionado nem de longe.

Já que não há espaço na internet para falar de todas as invenções de Edison que ele não inventou, vamos hoje ficar com a lâmpada.

Quem foi que inventou a lâmpada?

Uma outra pessoa. Todos sabemos que Edison explorava o pobre, mas brilhante, Nikola Tesla, mas em quem mais que Edison pisava?

Um monte de gente estava mexendo com a ideia da lâmpada (Jean Foucault, Humphrey Davy, J. W. Starr, outros caras sobre os quais você nunca vai ler em um livro de história da escola), mas Heinrich Goebel provavelmente foi a primeira pessoa a ter inventado a lâmpada, em 1854. Ele tentou vendê-la para Edison, que não viu nenhum uso prático na invenção e recusou. Pouco tempo depois, Goebel morreu e, logo depois, Edison comprou a patente de Goebel (você sabe, aquela que ele não viu valor algum) da viúva empobrecida do Goebel a um custo muito mais baixo do que ela realmente valia.

Ferrar com um inventor pode ser o suficiente para Galileu, mas Edison era um sonhador e não ficou satisfeito só com um inventor que nunca será lembrado. Então, depois de Goebel, e um ano antes de Edison “inventar” sua lâmpada, Joseph Wilson Swan desenvolveu e patenteou uma lâmpada que funcionava. Quando ficou claro a Edison que no tribunal ele não ganharia de Swan, fez dele um parceiro, formando a Ediswan United Company, na prática comprando Swan e sua patente.

Não muito depois, Edison comprou a ideia completamente, deixando todos os registros da lâmpada sob os cuidados da Edison Company. Claro, Swan ganhou dinheiro por isso, mas ao comprar todos os registros, Edison podia ficar com todos os créditos pela lâmpada. Então, pelo que as histórias sugerem, Edison pode ter sido um sacana com uma enorme lista de inventores que ele pisou, ameaçou, explorou ou comprou, mas o que dizem sobre o Edison nos livros? O pai da maldita lâmpada.
[Cracked]

Agradecimentos ao Diego Willrich pela dica da matéria.

Autor: Cesar Grossmann

Formado em Engenharia Elétrica, é funcionário público, gosta de xadrez e fotografia. Apesar de se definir como "geek", não tem um smartphone, e usa uma câmera fotográfica com filme (além da digital).

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71 Comentários

  1. Segundo o engenheiro e pesquisador Christian Marchal, Henri Poincaré apresentou o princípio da relatividade no congresso científico mundial de Saint-Louis, no Missouri, em setembro de 1904. Em 5 de junho de 1905, reapresentou-o à Académie des Sciences de Paris, e o trabalho foi publicado em 9 de junho do mesmo ano. Segundo Marchal, o trabalho de Einstein sobre a relatividade em 1905 contém os mesmos resultados que o de Poincaré. Einstein nunca citou Poincaré nem como fonte nem como precursor. No seu livro Como vejo o mundo, (Editora Nova Fronteira 1981) Einstein esboça pequenos resumos das contribuições de dezenas de intelectuais e cientistas famosos da sua época, e precursores também, que de algum modo contribuíram para a sua Teoria da Relatividade Geral. É inacreditável, mas em nenhum momento ele cita Poincaré. Um Einstein que não cita Poincaré não é digno de tal fama.

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  2. Dessa lista, uso de má fé mesmo foi apenas com T. Edison, esse realmente deveria ser tirado do pedestal em que se colocou as custas do Tesla e outros.

    Einstein desenvolveu a relatividade usando ferramentas matemáticas que já existiam na época, isso é normal na física.

    Galileu não patenteou o telescópio, então ele não tem culpa alguma do outro sujeito não ter ficado famoso.

    O caso do Bell não conhecia, então nem vou dar opinião.

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  3. “Roubadas” ou não, originais ou não… Estes foram os homens que tornaram estas intenções reais e viáveis de modo que sobrevivessem até hoje e, continuam sendo melhoradas!!
    Achei a linguagem do artigo “arrogante” visto que estamos falando de verdadeiros Gênios da Humanidade a quem devemos respeito, admiração e gratidão!!
    @MinhaOpinião

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  4. Galileu ampliou o poder de alcance de uma luneta ou telescopio, mas sequer patenteou, então não deveria estar nessa lista. Qto ao credito que ele recebe ser ou não merecido, o cara contrariou a biblia e foi o único nessa lista que teve prejuizo pela utilização da invenção o da cópia de idéias, como o artigo sugere!

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  5. Quanto ao Einstein, foi uma mancada e tanto dizer que ele plagiou o Poincaré. O comentário do Gil Cleber está muito bom sobre o assunto. É tanta conspiração aqui que parece o perfil do Stanley Burburinho (fake governista).

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  6. Outro dia li sobre as pesquisas de um professor brasileiro chamado Fran de Aquino, onde supostamente ele conseguia através de uma equação testada com um experimento, controlar a massa dos corpos usando o eletromagnetismo. Uma viagem. Não existe nenhuma fonte segura que ateste e de credibilidade a esses escritos. Isso nem sequer foi publicado, nem Lattes o pesquisador tem.
    No entanto, o texto faz sentido. Alguém do Hypescience poderia desvendar o mistério sobre esses estudos, que seriam, supostamente, um passo além da relatividade? Acho que essa história é do mesmo tipo daqueles livros sobre o fim do mundo bla bla… mas enfim, fica o tema rs

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  7. Poincaré, Lorentz, Fitzgerald e outros tantos estiveram prestes a descobrir a relatividade especial, mas não conseguiram dar o salto que só Einstein deu: a percepção de que a passagem do tempo depende do referencial e que isso depende da constância da velocidade da luz no vácuo.

    Também é interessante que vocês falem sobre relatividade especial, mas coloquem Einstein escrevendo uma equação da relatividade geral, perto da qual a relatividade especial se torna, nas palavras do próprio Einstein, “brincadeira de criança”.

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    • Quase.. Poincaré expôs E PROVOU a Teoria da Relatividade Especial usando equações de Maxwell.
      Einstein ficou conhecido em relação essa teoria porque ele relacionou esta com a gravidade, o que ficou conhecido como Teoria da Relatividade Geral.

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  8. Uma pena que graças a este canalha do Thomas Edison, Nikola Tesla não pode desenvolver tudo que pretendia. Uma das maiores mentes que a humanidade criou boicotado por um dos maiores pilantras que já pisaram na face da terra.

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    • É, mas a corrente que TODO o MUNDO mais usa é a C.A. (corrente alternada), de Nikola Tesla e não a C.C. de Edson! Esta está nos computadores, nos eletrônicos, automóveis, etc, etc, mas a eletricidade que REALMENTE move o mundo, que é gerada nas grandes usinas, hidroelétricas, atômicas, térmicas, solares, etc, etc, é a alternada. E isto porque a perda na transmissão à distância é muitíssimo menor. C.C é ‘local’, C.A é mundial.

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  9. É verdade que não devemos endeusar as pessoas só por causa da fama mas também não podemos desmerecer o trabalho de um cientista só porque ele se baseou em outras fontes.Este artigo peca por um erro fundamental:Não cita quais fontes afirmam que estes trabalhos foram “roubados”.

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  10. Com relação a Einstein, a informação é francamente incorreta, eu eu sugiro que se leia o livro “Sutil é o Senhor”, de Abrahan Pais.
    Einstein fez, antes de 1900, leituras da obra de Poincaré, e é certo que este já abordava certas questões que mais tarde fariam parte da relatividade especial, mas é certo também que o gênio francês da matemática não “chegou lá”, ou seja, não criou a relatividade conquanto tenha passado perto, conforme A. Pais descreve e conforme trechos de Poincaré que figuram no livro. Já li mesmo que Poincaré nunca chegou a aceitar na íntegra a versão de Einstein da relatividade. Tampouco a equação E=mc^2 é da autoria de Poincaré.
    As transformações de Lorentz foram utilizadas por Einstein e não criadas por Einstein, mas quando este fez uso delas, o fez no contexto correto, já que Lorentz também não chegou inicialmente a compreender o que suas equações na realidade significavam.
    Queiram ou não, Einstein É o descobridor da relatividade, seja a especial, seja a geral – além, é claro, de outras contribuições importantes para a Física.

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    • Todos os trabalhos científicos partem de alguma informação. É uma construção de várias mentes. Tudo é uma continuação. Não chegar perto não significa que não deva ser mencionado. É o que se chama em tudo que se faz na vida: Honestidade Intelectual. Trabalhos magníficos partem de erros de outros e são citados, pois isso é o que faz a construção da Ciência. Edison era um alucinado egocêntrico.

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  11. Não sei quanto às demais, mas a referência a Einstein está equivocada.
    É fato que Einstein leu Poincaré antes de 1905 e que o pensamento de Poincaré o teria influenciado, porém dizer que o matemático francês foi o descobridor da relatividade não é um exagero apenas, mas um erro histórico.
    O livro “Sutil é o Senhor”, de Abraham Pais, é bastante minucioso na descrição histórica da obra de Einstein e deixa bem claro toda essa questão. Consta que Poincaré teve idéias muito próximas da formulação da relatividade especial, mas a verdade é que não chegou lá – consta até mesmo que ele nunca entendeu ou aceitou a formulação da teoria de Einstein. Transcrição de trechos de autoria de Poincaré, na obra de Pais, exemplificam esse aspecto da questão.

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  12. É POR ISSO Q EU NÃO INVENTO NADA!
    TEM MUITA GENTE SE VIRANDO DE
    RAIVA NO TÚMULO POR TER DEIXADO
    ESSES PILANTRAS LEVAREM A MELHOR.

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    • Existe um livro chamado “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” do jornalista Leandro Narloch que questiona a versão de que Santos Dumont seria o inventor do avião.

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  13. Trabalho com invenções, sou Agente da Propriedade Industrial, quero contribuir com meu pitaco observando:
    1. Uma ideia na gaveta não vale nada. Já passaram pelo meu escritório ótimas ideias que até tiveram patente requerida, mas não vingaram por diversos motivos – viabilidade técnica que demanda mais investimentos para a finalização com vistas à produção; viabilidade comercial, que implica em investimentos em embalagem, marca, distribuição, enfim…; viabilidade temporal, pois nem sempre uma boa ideia está no seu tempo, quebrar paradigmas de investidores e do próprio mercado é algo que também requer investimentos além de talento/tino para viabilização. Bill Gates, por exemplo, teve o mérito de horizontalizar a ideia de um PC pessoal, com interface amigável, ao contrário de Jobs, que até hoje manteve tudo verticalizado (hardware, software). Gates pode não ter inventado o PC pessoal, mas o viabilizou. Edison fez o mesmo com diversas invenções. Isso não retira a possibilidade de ambos terem passado por cima da ética por algumas vezes, pois a ganância é uma doença que toma conta de muita gente que sobre vários degraus na escada do sucesso.

    2. Não basta, portanto, inventar, é preciso ter habilidade para viabilizar, seja com seus próprios recursos, seja com “engenharia financeira” e de modelo de negócio que consiga atrair associados que viabilizem o projeto, seja de ter sorte de encontrar um parceiro com recursos e honestidade suficientes para tanto. A genialidade, portanto, não pára na concepção de uma ideia.

    3. O mesmo se aplica para descobertas. Se o descobridor de algo não souber divulgar e garantir a propriedade moral de sua descoberta (estas não são patenteáveis), vai ser copiado por alguém com conhecimento suficiente para entender a “sacada”.

    4. O conceito de propriedade de uma ideia, por algum tempo, garantido pelo Estado, que se resume em patentes, marcas e copyrights, é que garante a motivação para novos investimentos em ideias, concepções, projetos, seja de laboratórios de P&D ou de particulares. O conceito de “o conhecimento pertence à Humanidade” sem tais garantias temporárias, nos manteria na Idade Medieval. A propriedade intelectual é um bem móvel, e se compara ao direito de posse de um bem imóvel, cuja aquisição demandou anos de esforços – você aceitaria que a sua casa ou apartamento lhe fosse retirado para ser concedido para um “homeless”? Ou a sua escova de dentes ser confiscada pelo Estado para ser dada para um carente?

    5. Não existe sociedade perfeita, muito menos, pessoas perfeitas. As razões pelas quais os verdadeiros inventores de algo que veio a ser útil para a Sociedade Humana terem sido roubados, trapaceados, esquecidos, decorre das imperfeições do caráter dos que entenderam (estavam no mesmo nível científico), da sua incapacidade de viabilizarem seus inventos (com raras exceções) tal como Van Gogh, genial pintor valorizado apenas após sua morte, dentre outras situações, até de modelo político, modelo de mercado imposto pelo Estado (capitalismo de Estado que regulamenta, controla excessivamente, tributa excessivamente, etc.etc.etc), e por aí afora.

    Desta forma, o passado serviu para que se criassem boas legislações de propriedade intelectual no presente – moral e patrimonial – mas mesmo assim, se torna necessária a existência de vários outros fatores para que uma ideia venha a ser viabilizada.
    O tema não se encerra, portanto, com a simplicidade focada no furto de ideias, nem ataques ao capitalismo ou ao conceito de propriedade, nem ao gênero humano. Como “Assim caminha a Humanidade” há muito mais adiante…

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    • Obrigado pelas considerações, Thomas.

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