10 invenções da NASA ao alcance de todo mundo

Por , em 12.08.2012

A NASA foi criada em 1958, pelo presidente americano Dwight D. Eisenhower. Desde o início, ela tem como objetivo fazer pesquisa espacial e beneficiar todo o mundo. Trabalhando em associação com empresas privadas e equipes de pesquisa, a agência espcial já registrou 3.600 patentes, e forneceu conhecimento ou tecnologia para itens de segurança, saúde, comunicações e até mesmo entretenimento.

Desde 1976, ela tem publicado anualmente uma lista de tecnologias e produtos desenvolvidos pela indústria e que tem alguma ligação com suas pesquisas. Trata-se do anuário “Spinoff“, no qual você pode encontrar referências a coisas como marca-passos aperfeiçoados, máquinas de exercício top de linha, e rádio satélites. Tudo possível graças às ideias ou inovações da NASA.

Conheça aqui 10 destes produtos que você talvez tenha usado, ou ainda vai usar:

10 – Aparelhos ortodônticos invisíveis

O famoso “sorriso metálico” é o terror de muitos adolescentes, mas ficar com a boca cheia de metal é necessário para garantir dentes em ordem. Ou pelo menos era. Em 1987 foram lançados os aparelhos ortodônticos invisíveis, e atualmente existem várias empresas fabricando os mesmos.

Eles são feitos de alumina policristalina translúcida (TPA), desenvolvida por uma companhia chamada Ceradyne, em conjunto com a Pesquisa Avançada de Cerâmica da NASA, para proteger as antenas de infravermelho de mísseis com rastreadores de calor.

Ao mesmo tempo, outra companhia, a Unitek, estava trabalhando em um novo desenho para aparelhos protéticos, um que seria mais bonito e não teria o metal brilhante. Ela descobriu que o TPA seria forte o suficiente para ser usado e era translúcido, o que o tornava ideal para os aparelhos invisíveis. Com a popularidade instantânea obtida, os aparelhos ortodônticos invisíveis estão entre os produtos de maior sucesso da indústria ortodôntica.

9 – Lentes resistentes a arranhões

Em 1972, a Administração de Drogas e Alimentos americana passou a exigir que as lentes de óculos usassem plástico em vez de vidro nas lentes de óculos, principalmente por causa do risco representado pelos cacos que os vidros produzem ao quebrar. Além disso, o uso de lentes plásticas tem outras vantagens: o plástico é mais barato, absorve melhor a radiação ultravioleta, é mais leve, e menos propenso a se quebrar.

Mas ele tem um ponto fraco: tende a se arranhar facilmente, e uma lente toda arranhada não melhora a visão de ninguém. A NASA, por outro lado, precisava de um revestimento que protegesse os equipamentos espaciais, principalmente os visores dos astronautas, de poeira e partículas que são encontradas no espaço. A solução veio na forma de um revestimento antiarranhões aplicado sobre as superfícies a serem protegidas, desenvolvido no Centro de Pesquisas Ames.

A empresa Foster-Grant, fabricante de óculos escuros, viu aí uma oportunidade e licenciou a tecnologia da NASA para seus produtos. A lente de plástico com revestimento especial lançada em 1984, chamada Space Tech Lens, é dez vezes mais resistentes a arranhões que as lentes sem revestimento.

8 – Espuma “com memória”

Para diminuir o impacto durante pousos, a NASA desenvolveu um plástico com capacidade de distribuir igualmente qualquer peso e pressão aplicados nele, o que faz com que absorva choques. Mesmo depois de ser comprimido até 90%, ele irá retornar à sua forma original. Por estas características, ele também é usado por empresas de aviação privadas e comerciais na confecção de assentos.

Mas os usos da “espuma plástica” vão além dos céus. As características de distribuição de peso e sensibilidade térmica tornam a tecnologia importante para pessoas que estão acamadas ou presas a leitos. Os médicos podem desenhar colchões de espuma para reduzir a pressão em certas partes do corpo e evitar desconfortos. Outras companhias integraram esta espuma em membros prostéticos, por que ela tem o aspecto e dá a mesma sensação de pele, além de diminuir a fricção entre as próteses e as juntas.

Outros usos comerciais incluem estofamento para bancos de motos, moldes personalizados para costura, e proteção para pilotos de corrida.

7 – Termômetro auricular

A cada ano, cerca de um bilhão de leituras de temperatura são feitas nos hospitais dos Estados Unidos. Considerando a falta de enfermeiras, e o tempo que leva para um termômetro de mercúrio apresentar a leitura correta, a empresa Diatek resolveu, em 1991, aproveitar a tecnologia que a NASA usa para medir a temperatura de estrelas usando o infravermelho.

Em conjunto com o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, a companhia criou um sensor de infravermelho que serve como termômetro auricular. Este tipo de termômetro faz a leitura da energia térmica que é dissipada pelo tímpano que, como está dentro do corpo, fornece uma leitura mais exata da temperatura corporal. Eles fornecem uma leitura muito mais exata da temperatura, e em menos de dois segundos.

6 – Palmilhas

Quando Neil Armstrong deu o primeiro passo na lua, ele estava usando botas especiais, que davam elasticidade às passadas e forneciam ventilação. As companhias de calçados desportivos adotaram esta tecnologia na construção de calçados melhores, que diminuíssem o impacto sofrido pelos pés e pernas.

Uma destas companhias foi a KangaROOS, que aplicou os princípios e materiais das botas lunares em uma nova linha de calçados desportivos, no meio da década de 1980. Eles patentearam um tecido tridimensional de espuma de poliuretano Dynacoil, que distribuía a força aplicada pelo pé. Ao torcer as fibras dentro do tecido, o KangaROOS absorve a energia da passada, devolvendo-a depois ao pé.

Outro fabricante de calçados, a AVIA, também converteu a tecnologia do calçado lunar em calçados atléticos. A câmara de compressão patenteada AVIA fornece o efeito de mola e de absorção de choque a calçados por longos períodos de uso.

5 – Comunicação a longa distância

A capacidade de manter conversas telefônicas a longas distâncias não apareceu da noite para o dia, e não é o resultado de uma invenção específica da NASA, mas é o resultado de décadas de trabalho.

Antes do homem ir ao espaço, a NASA construía satélites que podiam comunicar-se com o pessoal em solo, informando como era o espaço exterior. Usando uma tecnologia similar, cerca de 200 satélites de comunicação orbitam o planeta a cada dia. Estes satélites recebem e enviam mensagens que permitem que conversemos com amigos em Pequim quando estamos em São Paulo. A NASA monitora a posição e o estado geral destes satélites para garantir que as comunicações não sejam interrompidas.

4 – Detector de fumaça ajustável

Quando estava construindo a primeira estação espacial americana, o Skylab, a NASA precisava de uma forma de informar aos astronautas se houvesse fogo ou gases tóxicos no veículo. A agência então juntou-se à Honeywell Corporation, e inventou o primeiro detector de fumaça com diferentes níveis de sensibilidade, para evitar alarmes falsos.

O primeiro detector de fumaça e gases tóxicos a ser comercializado era chamado de detector de fumaça de ionização. Ele usava um elemento radioativo, o amerício 241, para detectar fumaça e gases perigosos. Quando partículas de oxigênio e nitrogênio passam pelo detector, o amerício 241 ioniza as mesmas, o que cria uma corrente elétrica. Se partículas estranhas entrarem no detector, a corrente é interrompida, disparando o alarme.

3 – Ranhuras de segurança

Nos anos 1960, a NASA estava trabalhando para melhorar a segurança dos pousos e decolagens de aeronaves no Centro de Pesquisa Langley, e uma das coisas que eles experimentaram foi criar ranhuras na pista de rolagem. As ranhuras servem para dar vazão ao excesso de água durante chuvas, e também aumentar a fricção entre os pneus e o concreto, aumentando a segurança dos veículos.

Quando os engenheiros de tráfego perceberam que as ranhuras funcionavam bem, passaram a aplicar as mesmas técnicas em autoestradas. De acordo com a NASA, as ranhuras diminuíram os acidentes, como os causados por aquaplanagem, em 85%.

Hoje você encontra as ranhuras de segurança em travessias de pedestres, ao redor de picinas e em currais. Esta inovação acabou criando uma indústria, representada pela International Grooving & Grinding Association.

2 – Ferramentas sem fio

Esta não é uma invenção original da NASA, mas da Black & Decker, que criou a primeira ferramenta à bateria em 1961. A NASA apenas refinou a tecnologia de forma a permitir equipamentos médicos mais leves, aspiradores de mão, e outras ferramentas.

Tudo por que precisavam de ferramentas para coletar amostras de rocha e solo lunar. A furadeira deveria ser leve, compacta e poderosa o suficiente para cavar fundo na superfície da lua. Carregar um fio seria complicada, então a NASA, junto com a Black & Decker, inventou uma furadeira de motor a magnetos sem fio. Depois do projeto da NASA, a Black & Decker aplicou os mesmos princípios para criar outras ferramentas leves e à bateria para usuários comuns.

1 – Filtros de água

A água é essencial à sobrevivência. Sendo assim, a capacidade de converter água contaminada em água pura é um feito científico incrivelmente importante.

A tecnologia para filtrar a água existe desde os anos 1950, mas a NASA precisava saber como limpar a água em condições mais extremas, e como mantê-la limpa por longos períodos de tempo, já que um astronauta doente no espaço por causa de águas contaminadas seria muito problemático.

Se você examinar um filtro de água, vai ver pequenos grumos de carvão dentro dele. Algumas vezes, quando um filtro é usado pela primeira vez, é possível até notar algumas manchas pretas destes grumos. Este carvão é especialmente ativado e contém íons de prata que neutralizam os patógenos presentes na água. Além de matar as bactérias na água, os filtros também evitam crescimentos posteriores de bactérias. Algumas companhias estão usando esta mesma tecnologia para fornecer sistemas de filtro de água usados nas casas.

Bônus: Tang, uma coisa que a NASA não fez

A pesquisa e inovação financiada pela NASA tem um papel importante nas nossas vidas, mas algumas vezes as pessoas atribuem à NASA produtos dos quais ela não participou. Um dos enganos mais comuns envolve uma bebida em pó, o Tang. Você talvez já tenha ouvido falar que o Tang foi feito pela NASA, mas na verdade a General Mills fabricou o Tang pela primeira vez em 1957. O erro talvez se deva ao fato que ele foi selecionado para uma experiência para encontrar a comida ótima para o ambiente espacial, em 1962.[Curiosity]

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9 comentários

  • Carlos:

    Inutilidade dos voos espaciais… E o Senhor está aí, usando um computador com tela de cristal líquido, usando internet, Wi-Fi, telecomunicações por satélite,GPS, escrevendo estas pérolas, graças à inutilidade dos voos espaciais…
    O que promove o crescimento humano é a curiosidade, o desafio de vencer barreiras, e assim foi com a desbravação do espaço.
    Milhares de descobertas magníficas pareciam sem utilidade num momento, mas graças ao horizonte de conhecimento que se abriu, possibilitou inventos incríveis.
    A humanidade evoluiu em 50 anos muito mais do que nas últimas centenas de milhares de anos, graças à exploração de várias áreas, inclusive a espacial.
    Milhares de inventos surgiram disso, tanto por parte da NASA como por parte da Rússia, os quais são imprescindíveis para o estilo de vida atual da humanidade, como já citei: satélites, celulares, GPS, LCD…
    Daí vem aquela perguntinha: Por que investir tanto na exploração do espaço e não em outras áreas?
    1 – Não dá pra falar que tal área merece mais do que outra. Se você é um químico, você acha mais interessante que haja inventimentos na área química. Se você é um engenheiro, você vai querer mais investimentos em ligas resistentes; se você é um médico… Nem todas as pessoas tem a mesma formação, não dá pra falar em investir todo o dinheiro disponível em saúde, por exemplo.
    2 – Dinheiro não é problema. Ao invés de ficarem se preocupando se foi muito dinheiro para a área espacial ou qualquer outra área, preocupem-se com os gastos militares dos governos e com a ajuda que os governos dão ao sistema financeiro. Só no Iraque os EUA gastaram mais de 1 Trilhão de dólares…TRILHÃO! O sistema financeiro pede um mercado livre, sem interferências, mas quando fazem as burradas, correm pro colo da mamãe governo, que gasta bilhões e bilhões de dinheiro da população pra salvarem os bancos da falência (falência esta provocada pela própria incompetência do banco), e grande parte deste dinheiro volta em dividendos para os próprios proprietários do banco…

  • Thadeu Penna:

    Estas invenções não teriam sido realizadas sem os voos espaciais. O que move o cientista é a curiosidade e não a obrigação de inventar uma palmilha de tênis ou um aparelho ortodôntico. Foi o desafio de fazer um capacete para poeira cósmica que moveu o cientista e não o desejo de ganhar dinheiro com lentes. Aliás, os cientistas não ficam ricos com estas invenções. E também, pesquisas científicas não são caras. 2.5 bi para mandar um máquina à Marte é barato, comparado com a ajuda aos bancos, escândalos financeiros, perdão de dívidas e impostos, etc.

  • Dinho01:

    Esse texto me lembrou o livro “Operação Cavalo de Tróia”.Um dos argumentos daqueles que defendem a veracidade do suposto diário do herói do livro é que ele fala sobre invenções da Nasa que só se tornaram de conhecimento público depois da publicação.

  • Jonatas:

    Não acho que sejam hipócritas, pra mim o fato de aproveitarmos essas sobras nada mais é que um reflexo óbvio do sistema capitalista. Nenhuma dessas tecnologias foi desenvolvida em prol de melhorias em nossas vidas, foram desenvolvidas por interesses econômicos – menos gastos e mais usabilidade nas viagens espaciais. Eu considero muito úteis viagens espaciais não pelas sobras que utilizamos, mas por utilidades reais em campo como avanços na Astronomia, e experiências com químicas e funções biológicas no espaço com aplicações em inúmeras áreas científicas.

    Outros exemplos, talvez mais abundantes até que a viagem espacial, de tecnologias desenvolvidas que utilizamos e têm uma origem bem menos… nobres: São as com fins de guerras, curativos, procedimentos, alimentos econômicos, tecnologias, transportes… e o mais medonho a medicina avançou também com as pesquisas dos cientistas nos campos de concentração nazistas, onde tinham como “ratos de laboratório” seres humanos…

    Eu não sou nenhum socialista ou comunista, até o socialismo não funciona exclusivamente pela natureza possessiva e beligerante do ser humano. Mas o capitalismo é mais que um sistema não-positivo, é estagnante. Muitos vão descordar de mim e dizer que a competição é que alavanca o progresso mas essa impressão vem do fato de que seres humanos não conseguem fazer as coisas de outro modo. Tem até as estatísticas contra mim: a época de maior progresso tecnológico foi na época da guerra fria, corrida espacial…
    Mas mesmo assim, tenho certeza: Se não fosse tão caro fazer uma pesquisa científica, se houvesse um financiamento que visasse o bem da humanidade em vez do lucro, e se as agências espaciais de todos os países trabalhassem juntas em prol do progresso comum a todos, estaríamos bem melhor que hoje, inclusive como sociedade, como poderio tecnológico, e já estaríamos bem além na navegação espacial que atualmente mal nos consegue tirar da órbita da Terra, ou a borda do berço.

  • Victor B. Iturriet:

    Se as invenções são em prol do mundo, qual o motivo de serem patenteadas??

  • Glauco Ramalho:

    Os caras tem dezenas de bilhões de dólares em investimento todo ano a décadas e só fizeram isso de bom prá nós =/.

  • Murilo Mazzolo:

    Está ai, e os céticos conspiracionistas esbanjam ignorância tentando desmentir as viagens á Lua, a incapacidade e a inutilidade da NASA, mas utilizam uma boa parte dos produtos de originados a partir das missões da NASA…
    Apenas uma palavra para eles: HIPÓCRITAS!!!

    • Glauco Ramalho:

      Apenas uma palavra prá vc: INTRANSIGENTE!

    • CMagalha:

      Perfeito seu comentário, Murilo Mazzolo:


      Está ai, e os céticos conspiracionistas esbanjam ignorância tentando desmentir as viagens á Lua, a incapacidade e a inutilidade da NASA, mas utilizam uma boa parte dos produtos de originados a partir das missões da NASA…
      Apenas uma palavra para eles: HIPÓCRITAS!!!

      É exatamente isso.
      .

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