A adolescente robótica caçadora de pedófilos

Em 1950, o matemático Alan Turing propôs um teste de inteligência para quando houvesse cérebros eletrônicos. A versão mais popular do teste consiste em uma troca de perguntas e respostas entre um operador humano e um operador eletrônico. Se o operador humano se convencesse que o operador eletrônico fosse um outro operador humano, então o cérebro eletrônico em questão passaria no teste de inteligência.

Desde os anos 1950, várias abordagens foram tentadas para conseguir passar no Teste de Turing. Uma delas é uma “trapaça”, um programa que cria um padrão de conversa que parece inteligente. São os “chatbots”, como a Sete Zoom e o Cleverbot.

Na tradição destes chatbots está o Negobot, um chatbot programado para se fazer passar por uma adolescente com uma missão nobre: ajudar a polícia a identificar pedófilos em salas de bate-papo da Internet. Negobot é o resultado do trabalho do Dr. Carlos Laorden Gómez e sua equipe da Universidade de Deusto, próximo a Bilbao, na Espanha. Especializado em segurança de rede, semântica e análise de linguagem, o Dr. Gómez já tem vários trabalhos publicados, na maioria sobre filtros de spam.

Esforço extra foi gasto para tornar Negobot convincente. Foram examinadas 377 conversas de pedófilos com suas vítimas, obtidas do site Perverted Justice. A partir desta base, foram criadas sete “personalidades” diferentes, ou maneiras diferentes do chatbot agir, dependendo de como as pessoas estão interagindo com ele. O aparato total do chatbot conta com processamento de linguagem natural, recuperação de informação e aprendizado automático. E para decidir a melhor estratégia a seguir, muito da Teoria de Jogos, uma teoria matemática usada na tomada de decisões, foi integrada na criação do chatbot.

O comportamento do Negobot em uma sala de bate-papo é, inicialmente, passivo. Assim que alguém começa a conversar com ele, ele identifica-se como uma menina de 14 anos e começa a conversa. Para ser mais convincente vale tudo. O chatbot escreve com erros de ortografia, utiliza a gíria da internet, relata problemas familiares. A finalidade é obter o máximo de informações para a polícia ter elementos para iniciar uma investigação, mas especialistas alertam que o chatbot pode acabar servindo de armadilha e levando pessoas a agir de forma que não agiriam normalmente.

Por enquanto, o chatbot foi testado apenas no Google Chat, em ambiente fechado, e também tem alguns problemas – ele não consegue identificar ironia, por exemplo. Apesar disso, a polícia espanhola interessou-se pelo programa. Segundo o Dr. Gómez, “o Negobot pode ser de grande ajuda para detectar suspeitos de pedofilia e iniciar uma investigação oficial. Este sistema não vai substituir os agentes especializados da lei, mas pode ajudar a filtrar os suspeitos para otimizar os esforços [da polícia] e aperfeiçoar o trabalho deles, que já é muito bom”. [BBC, Huffington Post, Independent]

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