Os magníficos pombos de Darwin

Por , em 4.02.2014

Charles Darwin viu a evolução nos pombos. O princípio-chave da teoria da evolução de Charles Darwin é a seleção natural, isto é, a modificação de seres vivos ao longo de inúmeras gerações de acordo com a capacidade de se adaptar ao seu ambiente. Uma gazela lenta é devorada pelo leão que, ao matá-la, não permite que seus genes “lentos” passem adiante. Apenas as gazelas mais rápidas conseguem se reproduzir e as mais lentas são extintas. O mesmo ocorre com leões lentos e fracos: não conseguem propagar seus genes.

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Em busca de confirmações Darwin compreendeu que a seleção artificial funciona de maneira semelhante, mas ao invés das características serem escolhidas naturalmente pela capacidade do animal sobreviver e se reproduzir são escolhidas por humanos que querem ver animais exóticos, com aparências curiosas. Darwin juntou-se ao clube de criadores de pombas da região onde morava, era o único nobre a participar da atividade. Mas obviamente não se interessava especialmente em pombos bonitos, mas nas evidências que a seleção artificial poderia agregar a sua teoria.

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Junto com os criadores aprendeu que em algumas gerações um criador de pombos poderia selecionar qualquer característica física que desejasse: um bico curto ou pescoço longo ou penas encaracoladas. Basta reproduzir aves que exibem a característica desejada com outra semelhante, sempre selecionando os filhotes que tivessem estas características mais acentuadas. Repetindo o processo durante algumas gerações é possível chegar a resultados encantadores como os que você vê a aqui.

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Darwin dissecou centenas, senão milhares destes pombos para explorar os processos por trás da seleção natural. Durante sua viagem ao redor do mundo ele conseguiu observar claramente que as espécies se modificam, mas não conseguia explicar como. Então ele usou as pombas para experimentar como as características podem ser herdadas pelas gerações seguintes e como os criadores usavam isto para manipular as espécies ao longo do tempo.

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É incrível observar como todos estes pombos são, em realidade, variações de uma única espécie de pombo doméstico. Transportando essa noção para a seleção natural, ao longo de tempo e gerações suficientes é fácil de entender como uma espécie se transforma em outra de maneira muito gradual e lentamente. A diferença é que na seleção natural é o ambiente que seleciona as características físicas.

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É a velha piada darwiniana que todos conhecemos: quando você está passeando pelo zoológico com um amigo e um urso foge vocês começam a correr. Seu amigo diz: “nós não conseguimos correr mais rápido do que um urso” e você responde que não precisa ser mais rápido do que o urso, mas apenas mais rápido do que seu amigo. Se o seu amigo tem alguma característica indesejada para este ambiente, como obesidade, por exemplo, a tendência é que suas características desapareçam do acervo genético. Do contrário pode ser você que vire lanche de urso.

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Estas fotos são do britânico Richard Bailey e retrata animais criados especialmente para exposições, feiras e exibições. [Fancy Pigeon, Natural History Museum, Bored Panda]

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15 comentários

  • Agnes Reis:

    Deslumbrantes!

  • Jhonata Ferreira:

    Como assim “Mutações são sempre destrutivas e os descendentes tendem a corrigí-las para que tudo volte ao normal.” Alessandra??

  • Manoela Grácia:

    Alguns são tão fofos que dá vontade de criar também.

  • Cesar Grossmann:

    Eu fico me perguntando como algum estudante de biologia pode cometer tantos erros em relação a uma teoria que é fundamental para a biologia. O cristão Theodosius Dobzhansky (você deve ter estudado o trabalho dele, é importantíssimo) afirmou “nada em biologia faz sentido exceto à luz da evolução”. Como é que você consegue ser aprovada sabendo tão pouco? Você é realmente uma estudante de biologia?

  • Cesar Grossmann:

    Finalmente, é curiosa a afirmação de que “os descendentes tendem a corrigí-las para que tudo volte ao normal” Alguém tem poder sobre o seu genoma? Acho que não. Os seres vivos tem controle nenhum sobre seus genes.

    O que acontece é que o animal tem sorte e a mutação ajuda, ou tem azar e a mutação atrapalha. Na competição pela sobrevivência e reprodução, os primeiros tem mais vantagem e passam adiante os genes vantajosos: seleção natural.

    Não precisa “ingrediente mágico”…

  • Cesar Grossmann:

    E sobre a afirmação de que as mutações são sempre destrutivas, isto é falso e facilmente provado falso, basta encontrar mutações benéficas. Uma delas é a mutação que confere resistência à AIDS. Outra é a que permite que continuemos digerindo leite quando chegamos à idade adulta.

    Ou seja, é mentira que as mutações sejam sempre destrutivas.

  • Cesar Grossmann:

    Alessandra, especialmente para enriquecer teu conhecimento:

    http://www.ib.usp.br/evosite/evo101/index.shtml

    Definição:
    Evolução biológica, em termos simples, é descendência com modificação. Essa definição engloba evolução em pequena escala (mudanças em freqüência gênica em uma população de uma geração para a próxima) e evolução em larga escala (a progênie de espécies diferentes de um ancestral comum após muitas gerações). A evolução nos ajuda a entender a história da vida.

  • Marcelo Ribeiro:

    Quem sabe? Milhares de estudos publicados no assunto sabem. O suficiente para empilhar papel daqui até a lua. São 150 anos de evidências acumuladas. A teoria da evolução é a teoria de maior sucesso da ciência. Quem nega isso por ignorância eu até entendo, já atirei pedras sem saber dos fatos. Mas nos dias de hoje negar a evolução após estudar as evidências deve ser fruto de uma mente que sofreu lavagem cerebral, pois se nega a compreender o que está olhando.

  • TheLSales:

    Alguns parecem personagens de Game of Thrones

  • Cesar Grossmann:

    Alessandra, talvez você deva rever suas aulas de evolução. Evolução não é uma espécie se transformando em uma outra coisa, evolução é “herança com modificação”. Se na geração seguinte um gene está com mais ou menos expressão na população, aconteceu evolução.

    E é mentira que mutações sejam sempre destrutivas. A capacidade de digerir leite na idade adulta é uma mutação. E ninguém corrige mutações, elas sofrem seleção. Puxa, para uma estudante de biologia você está devendo muito…

  • Henrique Telles Dos Santos:

    conheço algumas raças como o pombo de papo e o leche dove,o mesmo processo de seleção artificial observado nos pombos,é o mesmo que pode ser observados em cães de raças primitivas como o spitz e chow-chow,dentre outras raças de animais domésicos e ferais.

  • Cesar Grossmann:

    É curioso como Darwin não chegou a atinar com o conceito de genes, ou com a genética de Mendel.

    • Marcelo Ribeiro:

      Foram abordagens muito diferentes nos experimentos. Estava lendo o “Origem” e a parte sobre hereditariedade está cheia de erros mesmo. Mas Darwin deixava claro que era apenas especulação. Na época era impossível de saber devido ao desconhecimento do DNA.

    • Druida:

      Descobrir o DNA não era um passo fundamental para a genética, Mendel especulou sobre a genética muito antes de se pensar nisso. E os próprios trabalhos de Mendel não tiveram o devido impacto na época de sua publicação, o que é curioso pois Darwin e Mendel foram praticamente contemporâneos

    • Marcelo Ribeiro:

      Até onde sei Mendel nunca publicou e após sua morte quase queimaram todo o seu trabalho. Mas posso estar errado.

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