É oficial: um novo órgão humano foi classificado

Publicado em 3.01.2017


Quando achávamos que o corpo humano já tinha sido estudado à exaustão, pesquisadores classificaram um novo órgão que ficou escondido esse tempo todo no sistema digestivo.

O órgão já havia sido descoberto há um tempo, mas sua função ainda é pouco conhecida. Chamado de mesentério, ele é uma dobra membranosa que liga os outros órgãos à parede do corpo. Até agora, acreditava-se que ele era fragmentado, formado por estruturas separadas. Mas uma pesquisa recente mostra que na verdade ele é um órgão contínuo.

A sua reclassificação foi publicada na revista The Lancet Gastroenterology & Hepatology.

“No artigo, que já foi revisado por pares e avaliado, afirmamos que temos um órgão no corpo que não havia sido reconhecido como tal até agora”, diz o pesquisador J. Calving Coffey, do Hospital Universitário Limerick (Irlanda).

“A descrição anatômica que existe há cem anos estava incorreta. O órgão está longe de ser fragmentado. É simplesmente uma estrutura contínua”, argumenta ele.

A série de livros médicos mais conhecida no mundo todo, Gray’s Anatomy, acaba de ser atualizada para incluir a nova definição.

Mas afinal de contas, o que ele é?

O mesentério é uma dobra do peritônio, o revestimento da cavidade abdominal – que sustenta o nosso intestino à parede abdominal, e mantém os órgãos no local correto.

No último século, ele foi considerado uma estrutura formada de seções separadas, tornando-o menos importante. Mas em 2012 Coffey e sua equipe mostraram exames microscópicos detalhados que provam que o mesentério é na verdade uma estrutura contínua.

Entre 2012 e 2016, eles reuniram evidências de que o mesentério deveria ser classificado como um órgão distinto, e este último artigo recém-publicado torna a classificação oficial.

O que isso muda na medicina?

“Quando o encaramos como qualquer outro órgão, podemos categorizar doenças abdominais em termos desse órgão”, explica Coffey. Isso significa que estudantes e pesquisadores podem investigar seu papel nas doenças abdominais.

“Agora estabelecemos anatomia e estrutura ao órgão. O próximo passo é a função. Se você entende a função, você pode identificar uma função anormal, e aí você tem a doença. Junte tudo isso e você tem um campo de ciência mesentérica, uma base para uma nova área da ciência”. [Science Alert]

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Juliana Blume

É jornalista porque quer saber de tudo um pouco e adora dividir o que descobriu com os outros. É boa em contar histórias mirabolantes para os amigos, mas não consegue contar piadas porque cai no riso antes de terminar.

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