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Gripe pode impulsionar o risco a Alzheimer

Por em 19.02.2012 as 16:00

Quando saímos de uma gripe, com dor de garganta e no corpo, costumamos pensar que o pior já passou. Mas algumas infecções virais podem ter efeitos duradouros e invisíveis sobre o cérebro, sugere uma pesquisa recente.

O estudo insinua que os vírus como o da gripe e herpes podem deixar as células cerebrais vulneráveis à degeneração quando nos encontramos em idade avança, e aumentar o risco de desenvolver doenças como Alzheimer e Parkinson. Isso porque estes vírus podem entrar no cérebro e desencadear uma resposta imune, uma inflamação, que pode danificar as células cerebrais.

De acordo com o Dr. Ole Isacson, professor de neurologia da Escola de Medicina de Harvard, os vírus e outras fontes de inflamação podem ser os fatores iniciais de algumas das doenças neurológicas mais comuns.

É improvável que um surto da gripe cause danos significativos. Mas, ao longo da vida, as lesões das células se acumulam, segundo Isacson, e junto com pressões locais, isso pode matar as células e desenvolver doenças no cérebro. A quantidade de infecções obtidas pode ser a diferença entre uma pessoa desenvolver mal de Parkinson com a idade de 65 ou aos 95 anos, afirma Isacson.

É possível que o enfraquecimento da inflamação, que ocorre logo após a infecção viral, possa reduzir os danos causados as células e o risco de desenvolver doença cerebral posteriormente. O neurologista apontou para um estudo de 2011, no qual 135 mil homens e mulheres descobriram que aqueles que tomaram ibuprofeno (um medicamento que pode reduzir a inflamação) possuíam 30% menos probabilidade de desenvolver Parkinson ao longo de um período de seis anos em comparação com aqueles que não tomaram a medicação.

Infecção cerebral

Um dos primeiros elementos que evidenciam a ligação de vírus com doenças cerebrais vem da pandemia de influenza de 1918. Depois do surto, houve um aumento dramático nos casos de uma doença conhecida como parkinsonismo pós encefalite, que tem muitos dos mesmos sintomas que o mal de Parkinson.

Em um teste mais rigoroso dessa ligação, um estudo de 2009 mostrou que os camundongos injetados com o vírus da gripe H5N1 desenvolveram infecções celulares em uma região do cérebro conhecida por ser significativamente afetada pelo mal de Parkinson.

A investigação também mostrou que a infecção com alguns vírus da herpes pode aumentar o risco de mal de Alzheimer. E muito raramente, encefalite ou inflamação cerebral provocada por vírus pode levar diretamente a uma forma aguda, mas transitória, do mal de Parkinson.

Mas cada vez mais as infecções virais em nosso cérebro são silenciosas, diz Isacson. Segundo ele, nós não vemos o impacto destas infecções até a degeneração cerebral ser substancial.

Como prevenir

Várias semanas após a infecção, as moléculas inflamatórias conhecidas como citocinas atingem um pico de concentração, comenta Isacson. É esta “tempestade de citocinas” que Isacson e seus colegas suspeitam ser responsável pelos danos das células cerebrais associadas a infecções virais.

Se os pesquisadores pudessem encontrar uma forma de bloquear o acontecimento deste pico, eles poderiam reduzir o risco de certas doenças neurológicas.

Além disso, os pesquisadores também poderiam tentar identificar os vírus que causam as chamadas tempestades de citocina particularmente mais graves, para melhor compreender quais infecções representam maior risco para o cérebro. [LiveScience]

Dalane Santos Dalane Santos tem 21 anos, é recém-formada em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e escreve para o Hypescience desde fevereiro de 2012.

3 comentários

  1. CLEME /

    Sempre que uma grande pesquisa é feita envolvendo milhares de pessoas, milhões devem ser investidos.
    Somente grandes laboratórios poderiam realizar tal façanha e obviamente por interesse próprio…
    É o caso do “Ibuprofeno (um medicamento que pode reduzir a inflamação) :possuíam 30% menos probabilidade de desenvolver Parkinson ao longo de um período de seis anos em comparação com aqueles que não tomaram a medicação…”
    Se por um “acaso” a média de idade daqueles q. tomaram o Ibuprofeno for menor em 6 anos, já resultará nestes dados, independentemente da ação do medicamento, resta também ver o que ocorre após 6 anos, pois certamente como uso do anti-inflamatório a chance de doença degenerativa cerebral aumenta, exatamente pelo efeito imuno-supressor e aumento da ação viral.
    Agora “tentar identificar os vírus que causam as chamadas tempestades de citocina particularmente mais graves, para melhor compreender quais infecções representam maior risco para o cérebro” é algo que extrapola as expectativas, na medida em que qualquer bactéria do intestino, ou dentes onde foram feitos canal p.ex. podem liberar bactérias e estas podem se transformar em vírus a depender das condições do meio da pessoa, pois se for alcalino e oxidado as bactérias se transformam em vírus!

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  2. vanda /

    Olha acho muito bom pessoas inteligentes e estudiosas,que mostre a população a realidade da vida.Parabéns

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  3. Roberto /

    Muito boa, completa e informativa esta reportagem da jornalista Dalane Santos. Parabéns. E que seja um exemplo a ser seguido pela grande maioria de jornalistas flanelinhas.

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