Lua de Saturno pode ser mais parecida com a Terra do que pensamos

Publicado em 22.04.2012

A lua Titã de Saturno pode ser mais parecida com a Terra do pensamos, já que possui uma atmosfera dividida em camadas.

Ela é a maior lua de Saturno, e a única conhecida com uma atmosfera densa. Um melhor entendimento de como sua atmosfera nublada funciona poderia ajudar a encontrar aspectos parecidos em planetas e luas alienígenas. Entretanto, detalhes conflitosos sobre como ela é estruturada já são discutidos há alguns anos.

A parte mais baixa de qualquer atmosfera, conhecida como camada limite, é a mais influenciada pela superfície do planeta ou lua. Em troca, ela influencia a superfície com nuvens e ventos.

“Essa camada é muito importante para o clima e a meteorologia – nós vivemos na camada limite terrestre”, comenta o líder do estudo, Benjamin Charnay.

A camada limite da Terra, que tem entre 500 metros e três quilômetros de espessura, é controlada em grande parte pelo aquecimento solar na superfície terrestre. Como a Titã está muito mais longe do sol, sua camada pode ser bem diferente, mas isso ainda é muito incerto – a atmosfera dessa lua é grossa e opaca, o que não revela suas outras camadas.

Por exemplo, enquanto a espaçonave Voyager 1 sugeriu que a camada limite da Titan tinha 3,5 quilômetros de espessura, a sonda Huygen que chegou mais perto da atmosfera observou que a camada tinha apenas 300 metros.

Para ajudar na solução desses mistérios, cientistas desenvolveram um modelo climático 3D de como a lua poderia responder a um aquecimento solar.

“A implicação mais importante dessas descobertas é que a Titã se parece mais com um planeta similar à Terra do que imaginávamos”, comenta Charnay.

As simulações revelaram que a atmosfera mais baixa da Titã está separada em duas camadas, ambas distintas da atmosfera superior em termos de temperatura. A mais baixa é bem rasa, com apenas 800 metros, e, como a da Terra, muda com o passar do dia. A que vem logo acima, com dois quilômetros, muda de acordo com as estações.

A existência dessas duas camadas, que respondem às mudanças climáticas, une as descobertas que antes eram conflitantes. “Não existem mais observações em conflito”, afirma Charnay.

Esse novo trabalho ajuda a explicar os ventos mensurados pela sonda Huygens, assim como os espaços entre as dunas gigantes, no equador da Titã. E também, “isso poderia implicar na formação de uma camada limite de nuvens de metano”, comenta Charnay. Essas nuvens aparentemente foram vistas antes, mas não era possível explicá-las.

No futuro, Charnay e seus colegas vão estudar como o metano de Titã faz um ciclo entre os lagos e mares superficiais até as nuvens atmosféricas, da mesma maneira que a água na Terra.

“Modelos 3D serão muito úteis no futuro, para explicar os dados que nós iremos conseguir das atmosferas de exoplanetas”, finaliza Charnay. [LiveScience]

Autor: Bernardo Staut

é estudante de jornalismo e interessado por povos, culturas e artes.

Quer copiar nosso texto? Siga estas simples instruções e evite transtornos.
Compartilhe este artigo

7 Comentários

    • O brasileiro Alberto Elfes, de 57 anos, trabalha desde 2001 no Jet Propulsion Lab (JPL, na sigla em inglês), justamente a unidade responsável pelas missões não-tripuladas da agência espacial americana. Há cerca de 5,5 mil funcionários no JPL. Apenas cem possuem o cargo de “principal researcher” – algo equivalente a pesquisador sênior ou professor titular, no Brasil -, o mais alto na hierarquia de pesquisa. Elfes, um filho de alemães que nasceu em Maceió, pertence a este seleto grupo.

      No ano passado, veio ao Brasil para um seminário sobre mineração do futuro organizado pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV), entidade que coordena as ações de ciência e tecnologia da Vale. Falou ao Estado sobre seu trabalho na Nasa e o sonho de uma missão para Titã.

      Thumb up 4
  1. Sem dúvidas Titã tem um lugar especial em qualquer ramo de estudo, não sendo uma exclusividade astronômica, é um campo vasto para a química, a biologia, a física, a geografia, a meteorologia… Titã tem uma atmosfera densamente composta por Nitrogênio, algo que em todo o Sistema Solar apenas um outro planeta tem, a Terra. O Metano na atmosfera aparece na forma de nuvens e ciclos climáticos solo-lago-atmosfera, desempenhando o mesmo papel que a água na Terra. Em Titã, a temperatura de -170°C deixa a água dura como rocha, e o Metano fluído como a água. As gigantescas gotas das chuvas de Metano fluem sobre as rochas saturadas de gelo de água da gélida superfície formando um cenário que, apesar da composição alienígena, é muito similar à nossa Terra. A reportagem nos diz como a estrutura atmosférica de Titã pode ser parecida com a nossa, mas até na paisagem Titã pode ser um dos mundos mais familiares aos quais teríamos acesso.

    Eu acompanho os estudos e dados disponíveis sobre meu mundo favorito há tempos, e posso citar características fantásticas como:
    1 – Em Titã pode-se voar como Ícaro, com um par de asas, basta agitar os braços. A baixa gravidade, que chega a ser menor que a da Lua, e a densa atmosfera, nos permitiria levantar voo e ascender entre as nuvens de gás natural.
    2 – Bilhões de anos da distante mas presente radiação solar que o atinge quando sua órbita fica fora da magnetosfera de Saturno dissocia o Metano da atmosfera formando compostos orgânicos cada vez mais complexos e vitais, como etano, diacetileno, metilacetileno, além de HCN da síntese pré-biótica, cianoacetileno, cianogênio, bem como na cauda de cometas. E pensar que tem gente que acha a panspermia inviável…
    3 – Pode ser o mundo mais fácil de explorar, vencendo a grande distância até o Sistema Saturno. Os “Titanautas” poderiam explorar a topografia por um balão sem os riscos tempestuosos intensos de Marte e Vênus, ao sabor da leve brisa titanense, e descer onde fosse interessante. Não precisariam dos desajeitados trajes espaciais pressurizados, porque a pressão atmosférica de Titã é praticamente a mesma da Terra. Um traje mais leve para respirar e se proteger do frio seria suficiente. Não existe a acidez mortal de Vênus nem a poeira infernal de Marte, e até mesmo um rasgão em seu traje espacial não seria uma ameaça imediata, pois os gases não são mortais, o titanauta teria precisos minutos suficientes para solucionar o problema.
    4 – Muitos apostam que a vida possa evoluir usando o Metano no lugar da água, mas temos que ir com calma, porque o Metano é um péssimo solvente químico, diferente da água.
    5 – Titã tem vulcões, mas de gelo. Devem expelir uma mistura viscosa de água e amônia que juntas podem ser líquidas nesse frio extremo. É uma das antigas apostas de vida em Titã.
    6 – Por fim, Titã tem uma terceira chance de vida, além dos lagos de Metano e da água-amônia vulcânica: O subsolo pode ter uma grande massa de água líquida na forma de uma camada sub-crosta, como Europa e Ganímedes (de Júpiter).

    Seja como for, com ou sem vida, algo muito interessante está acontecendo em Titã, e vale a pena estuda-lo. É sempre a mesma história em todo o Sistema Solar, só se pode saber o que há indo pessoalmente até lá.

    Thumb up 39
    • Pois é kra, também acompanho há algum tempo os estudos sobre essa lua de saturno. Muito legal e interessante suas observações.

      É uma pena que um projeto de missão tripulada até Titã não vá sair tão cedo. Os terráqueos estão mais preocupados em gastar seus recursos guerreando entre si por mais poder enquanto poderiam estar financiando projetos de explorações pelo sistema solar.

      Realmente uma pena…

      Thumb up 3
    • Hoje em aprendi muito sobre titã com este comentário! Achei muito interessante a foto, pois Titã a vista lembra um planeta, da até para ver a atmosfera!

      Thumb up 2
    • Por isso que sou contra a definição convencional de Planeta, que se baseia em órbita em lugar de propriedade física. Titã não só parece planeta, tem massa e tamanho de planeta, sendo maior que todos os planetas anões juntos e maior ainda que o Planeta Mercúrio, embora menos massivo que o planeta de ferro devido ao fator densidade. No Sistema Solar, sete luas tem tamanhos de planetas, a nossa Lua, os galileanos de Júpiter (Io, Europa, Ganimedes (maior ainda que Titã), e Calisto), Titã, e Tritão (de Netuno). Outras vinte têm tamanho de planetas anões. Mesmo assim, continuam sendo classificados como satélites naturais, a mesma classe de objetos pequenos e irregulares que parecem poeira se comparados a essas luas gigantes.

      Thumb up 8

Envie um comentário

Leia o post anterior:
mit-solar-technology-student-500x333
Conheça células solares que vão em qualquer superfície

Não é de hoje que a ...

Fechar