Má alimentação pode aumentar risco de câncer para filhos e netos

Publicado em 3.05.2010

Uma pesquisa médica está descobrindo mais um malefício das fast food: o acréscimo nas chances de câncer nos descendentes. O estudo, feito por pesquisadores da Universidade Georgetown (Washington D.C, EUA), sugere que as mulheres grávidas, quando se alimentam mal, podem tornar seus filhos e até seus netos mais vulneráveis ao câncer.  

Para chegar a essas conclusões, o experimento foi realizado com ratos. Primeiro, alimentaram algumas ratas grávidas com uma ração rica em gordura, e outras com ração normal. Assim que nasceram os filhos, todos os ratos passaram a comer uma dieta saudável. Os netos dos ratos alimentados com gordura apresentaram 30% a mais de chances de desenvolver câncer de mama do que os descendentes de ratos criados saudavelmente.

A dieta responsável pelo risco de câncer era rica em Omega-6, um ácido graxo (gordura) que é indispensável na alimentação, mas na quantia certa. A ração usada continha 43% de Omega-6, bem acima dos 25% a 30% recomendados.

O temor de que o risco de câncer possa valer também para os seres humanos se baseia nas altas taxas de ingestão de Ômega-6. O ideal é que uma alimentação combine o Ômega-6 com o Ômega-3 (outro tipo de ácido graxo, que ajuda a diminuir o nível de triglicerídeos e colesterol), em uma proporção de 4 para 1, no máximo. As dietas baseadas em fast food, contudo, apresentam até 20 vezes mais Ômega-6 do que Ômega-3. Os efeitos desse desequilíbrio são percebidos na saúde de quem se alimenta assim: riscos elevados de depressão, infertilidade, doenças cardíacas e câncer.

Os estudos sugerem que o Ômega-6 atua de maneira Epigenética (ou seja, não mexe em nada diretamente no DNA, mas pode alterar suas funções e efeitos no corpo), desativando os genes que controlam a “morte normal” das células. Sem esse controle, as células podem proliferar de modo que provoquem um câncer.

Apesar disso, nem sempre o DNA é determinante para essas questões. Algumas pesquisas indicam que ele seja responsável por apenas 5% a 10% do risco de câncer, e o resto fica a cargo de como a própria pessoa cuida de seu corpo. No caso da alimentação, não é surpresa que os estudos tenham mostrado também que os vegetais são os maiores aliados no controle do colesterol. Assim, ainda vale a pena evitar excessos de gordura e ter hábitos saudáveis, mesmo que a sua avó e sua mãe não o tenham feito. [MSNBC]

Autor: Rafael Alves

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