Mais de um terço dos professores são vítimas de bullying virtual

Publicado em 17.08.2011

Engana-se quem pensa que o bullying virtual – o cyberbullying – é um abuso que acontece apenas contra crianças e jovens. Agora, nem os professores estão escapando dos insultos virtuais. E o mais impressionante é que as agressões não vêm apenas dos estudantes, mas dos pais também.

Um novo estudo realizado na Inglaterra descobriu que mais de um terço dos professores tem sido vítimas do cyberbullying. A maior parte dos abusos, 72%, veio através dos alunos, mas mais de um quarto foi iniciado pelos pais.

No total, 35% dos professores entrevistados disseram já ter sido vítimas de cyberbullying, dentre os quais 60% eram mulheres.

A maior parte das agressões acontece nas redes sociais. Alguns grupos foram criados no Facebook, por exemplo, especificamente para unir críticas e ofensas a professores. Em alguns casos, estudantes postaram vídeos de professores no YouTube, ou colocaram comentários degradantes em sites voltados para estudantes darem notas aos professores (como o ratemyteachers.com).

Os pais responderam por 26% dos comentários abusivos na internet. Muitas vezes, eles iniciaram campanhas negativas na web contra outros alunos também.

Casos de crianças que sofrem bullying online são bastante conhecidos e só agora o abuso contra os professores nas redes sociais está recebendo atenção, pois é um problema crescente. O custo humano de tudo isso é alto. 300 professores vítimas de cyberbullying foram entrevistados, e relatos de problemas psicológicos e tendências suicidas foram comuns.

Esse novo fenômeno ilustra bem a nova visão que os pais estão tendo sobre a escola e os professores – que muitas vezes são tratados como mercadorias ou objetos que devem ser essencialmente produtivos. O professor já não é visto como alguém que deve ser apoiado para o desenvolvimento da educação, e as queixas dos pais são cada vez mais comuns (bem como o sentimento de que seus filhos podem tudo).

Algumas redes sociais resolveram combater a situação. O Facebook oferece dicas para professores e promete responder a denúncias de assédio moral dentro de 24 horas. “Essas discussões online são um reflexo do que está acontecendo offline”, afirmou um porta-voz do Facebook. [BBC]

Autor: Stephanie D’Ornelas

É estudante de jornalismo, adora um café e um bom livro. Curte ciência, arte, culturas e escrever, mesmo que sejam poesias para guardar na gaveta.

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6 Comentários

  1. Pessoal, essa é uma questão muito delicada. Não sou professor, sou formado em Pedagogia (mas não leciono). Não sou contra as redes sociais (pois acredito que ela traga mais benefícios do que malefícios, sem contar que é um estímulo à democratização e liberdade de expressão), mas como citou o artigo com o porta-voz do face: “Essas discussões online são um reflexo do que está acontecendo offline”. É bom termos conhecimento do que está acontecendo (ao invés de tudo acontecer “debaixo dos panos”). Acredito que, sociedade e profissionais da educação devam discutir e chegar a um consenso. Mas grande problema também (e talvez a principal) são as políticas públicas, que organizam suas finanças descreditanto a educação – infraestrutura e qualidade de ensino – assim como várias outras áreas públicas – saúde, emprego, etc…

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  2. Eu,como professor, cansei de imprimir páginas onde isso ocorre. Mas professor não é rico. Como pagar um advogado para entrar com processo? Denunciar é uma coisa, processar é outra….e no final você corre o risco de pagar uma bela multa!
    No Estado de São Paulo somos proibídos pela Sec. da Educação de dar entrevistas,pra ver como tudo fica escondido!!!

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  3. Como um professor que foi vítima de cyberbullying deve proceder? Pode ser feito boletim de ocorrencia na polícia? Os pais dos alunos podem ser processados por assédio moral?

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  4. Se pensar bem, não seria nenhuma surpresa.
    Se vários professores já são vítimas de agressão. Porque não podem ser vítimas de bullyng?

    Paciência para aguentar os alunos, trabalhar muitas horas, receber uma mixaria…
    É por isso que não quero ser professor.

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  5. Eu já fui professor e nunca me deixei abater por isso pelo simples fato de não dar a mínima para o que meus alunos pensavam pois a maioria deles eram pessoas dignas de desprezo.

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  6. Se essas manifestações fossem respondidas com expulsões de alunos e processos criminais aos pais infratores, este artigo trataria da eficiência das autoridades no combate ao bullying virtual.

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