Atrito é finalmente desvendado pela ciência

Publicado em 29.05.2012

Este é mais um dos pequenos mistérios da ciência que os professores parecem evitar de ensinar aos alunos, talvez com receio de que eles percam a confiança no que é ensinado ou na própria ciência. O fato é que os cientistas não sabem exatamente qual a causa do atrito.

O atrito tem sido estudado deste os experimentos de Leonardo da Vinci, e muito se sabe sobre ele, como que o desgaste das superfícies e a aplicação de um fluido entre elas altera o atrito ou fricção, por exemplo, mas a causa do atrito permanece um mistério. A teoria mais convincente era de que as rugosidades dos corpos em escala microscópica originavam pontos de contato que acabavam se soldando instantaneamente, e depois se rompendo.

Esta teoria explicava parte do fenômeno de atrito, mas deixava algumas perguntas sem resposta. Uma delas é a explicação para o atrito “escorrega e gruda”, onde duas superfícies estão em contato, imóveis, até o atrito estático ser vencido, levando a um movimento instantâneo, o “escorrega”, seguido de outro contato imóvel, o “gruda”, responsável pela produção de um ruído irritante, como o do freio do carro, ou de unhas, etc.

O dr. Lasse Makkonen, Cientista Diretor do VTT Technical Research Centre da Finlândia apresentou uma explicação para a origem do atrito entre objetos sólidos. Pelo modelo do dr. Makkonen, o atrito resultaria da energia de superfície dos materiais. A sua teoria ajuda a explicar não só a formação do calor pelo atrito de superfícies secas, e a força de atrito que surge, mas a calcular o coeficiente de atrito de qualquer combinação de materiais. O modelo também permite selecionar os materiais que comporão uma superfície de contato entre dois corpos, baseado na força de atrito desejável entre os dois.

E qual a importância desta teoria? Uma teoria consistente para explicar o atrito vai permitir a escolha de materiais para fazer peças móveis que precisam de menos lubrificação ou que conseguem “agarrar” melhor outras peças. Pistões nos motores, eixos e mancais, peças móveis de relógios de precisão, pinças, juntas e dobradiças em geral – pense em qualquer peça que se movimente enquanto em contato com outra peça, a quantidade delas é imensa. E ainda não começamos a falar em terremotos.

A teoria foi publicada no periódico AIP Advances of the American Institute of Physics, e a pesquisa foi financiada pela Academia da Finlândia e a Fundação Jenny and Antti Wihuri.[ScienceDaily]

Autor: Cesar Grossmann

Formado em Engenharia Elétrica, é funcionário público, gosta de xadrez e fotografia. Apesar de se definir como "geek", não tem um smartphone, e usa uma câmera fotográfica com filme (além da digital).

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1 comentário

  1. Caramba, xará, que bagúio lôco. Eu que achava que o motivo de não explicarem era por que a causa é tão óbvia (as rugosidades dos corpos em escala microscópica originavam pontos de contato que acabavam se soldando instantaneamente, e depois se rompendo)que não necessitava explicação!

    Thumb up 11

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