Publicado em 10.04.2013

O estranho peixe translúcido de sangue transparente

Isfisklarve

O Chionodraco rastrospinosus, ou peixe ocelado, vive em um ambiente extremo: os mares gelados que cercam a Antártida, a cerca de 1.000 metros de profundidade. Mas esta não é a sua característica mais notável; esse animal possui sangue transparente.

A cor vermelha do sangue é dada pela hemoglobina, uma proteína que transporta o oxigênio para os tecidos que necessitam do mesmo. O peixe ocelado não tem hemoglobina, e seu sistema circulatório é modificado para funcionar dessa forma: o coração é bem maior e bombeia o sangue a uma taxa cinco vezes maior que a de um peixe comum.

Mas como é que o oxigênio chega nos tecidos? O oxigênio pode ser dissolvido no plasma, e a baixas temperaturas, ele se dissolve mais facilmente. Além disso, os músculos do peixe conseguem absorver oxigênio dissolvido. Isto, associado ao metabolismo lento, faz com que o peixe consiga sobreviver sem ter hemoglobina.

O nosso sangue também tem oxigênio dissolvido no plasma, mas a hemoglobina aumenta em 70 vezes a capacidade de transporte de oxigênio do sangue.

Ainda não se sabe como ou por que o peixe acabou evoluindo para um sistema circulatório sem hemoglobina, mas este mistério pode ser solucionado em breve. Pescadores de krill (espécies de animais invertebrados semelhantes ao camarão) levaram um casal destes peixes para o Tokyo Sea Life Park (Parque de Vida Marinha de Tóquio, Japão) algum tempo atrás, e eles já tiveram peixinhos.

Além de não ter hemoglobina, o peixe ocelado tem manchas circulares (que são a razão para o nome “ocelado”), e também não possui escamas – uma característica que talvez o ajude a absorver o oxigênio da água. O Parque de Vida Marinha de Tóquio é o único no mundo a ter exemplares vivos dessa espécie.

No vídeo abaixo, você pode conferir o comportamento de um destes peixes em cativeiro:[Popsci, Agência France Press]

Autor: Cesar Grossmann

Sou formado em Engenharia Elétrica, mas trabalho no setor público, gosto de xadrez e fotografia.

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5 Comentários

  1. Jonatas, por vc ser um cara legal vou lhe explicar em primeira mão aquilo que seus netos conhecerão no futuro como “Teoria da Involução de Marco”, assim como vc conheceu a “Teoria da evolução de Darwin”.
    Primeira mão pra vc e pro Hypescience.
    Inicialmente responderei sua pergunta :”poderíamos considerar que o relativo isolamento propele a sistemas evolutivos diferenciados?” Resposta: Sim, inclusive à sistemas involutivos diferenciados .
    Atingimos o ápice de nossa evolução e estamos agora “voltando aos primórdios”. Esse peixinho por exemplo, para se adaptar a estas condições inóspitas teve que regredir uma escala de sua evolução para sobreviver. Assim acontece com os humanos. Perceba que a medida que envelhecemos, perdemos a capacidade de reprodução ou da adaptação “luta-fuga”. Como resposta “o organismo involui” durante esse processo ( nosso cérebro perde muito de sua massa, nossa estatura regride ao infantil, etc…”. Por quê não percebemos essa “Involução” por completo? Da mesma forma que “macacos” não são vistos evoluindo do dia pra noite para humanos… Ou seja, isso levaria alguns milhares de anos . Soma-se a esse fato a “atual incapacidade de Involução celular…a mesma desenvolveu um mecanismo de autólise durante o processo Evolutivo que a impede de “Involuir”. Estaria o câncer relacionado a essa incapacidade?
    Enfim. Você acaba de ser o primeiro privilegiado a conhecer a “Teoria da Involução de Marco”. Algum cientista espertinho vai pegar esse “barco andando “, mas … Não sou vaidoso. Tudo para o bem da ciência

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    • Ta falando sério?
      1 – Talvez faça uma confusão, bem comum por sinal, ao confundir que evolução foca em “melhoramento” – não é isso, evolução é adaptação, e se pra esse animal uma morfologia mais primitiva lhe garante mais sucesso, então assim é, seleção natural e evolução, não existe uma involução, existe adaptação. Se evoluir para um estágio mais primitivo você considera evolução reversa ou “involução”, talvez tenha que encarar o que realmente significa a palavra “Primitivo”: quando se fala em algo primitivo as pessoas encaram como algo atrasado, inferior, ultrapassado – a ciência não olha dessa forma: para a ciência, Primitivo significa “Antigo”, nem mais evoluído nem menos evoluído, nem superior nem inferior, apenas isso: algo mais Antigo.
      Por exemplo os primitivos dinossauros eram altamente evoluídos e, passando pelo gigantismo do jurássico, chegaram a uma biodiversidade de proporções planetárias no cretáceo -dinossauros dominaram o planeta. Os terópodos dinonicossauros chegaram a um estágio de inteligência comparável a aves, primatas e golfinhos.
      2 – O envelhecimento e as doenças são um exemplo inútil a qualquer processo evolutivo, mesmo que seja o processo reverso que você imagina
      – é a vida de alguns anos dum indivíduo (transformações físicas próprias, a influência no todo da evolução é mínima, pois esta é altamente gradual),
      – e não da espécie inteira durante milhões de anos (evolução).
      – O exemplo piora ao pegar o ser humano – o fato de estarmos vulneráveis e adoecermos mais rápido vem da dependência que desenvolvemos da medicina – isso é adaptação, não involução, é o organismo descartando coisas que não serão mais necessárias – assim como perdemos pelos, perdemos força física, e tudo mais – adaptação, nada mais.

      O que quis dizer em meu post: Animais dessas zonas isoladas seguem um caminho evolutivo próprio – sem predadores e com bastante comida, as tartarugas desenvolveram gigantismo em Galápagos, e progrediriam mais se não fosse a chegada do homem, que deixa o animal quase em extinção: nesse caso, por não conhecer predadores, elas são tranquilas e lentas, o que a tornou uma caça fácil.

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    • Jonatas, vc não é um mau aluno. Até conseguiu racionar bem nesse tema no início do tópico .
      O envelhecimento não é uma adaptação ( é uma regressão, uma Involução que culmina com a morte). Imagine daqui há 100 anos os homens vivendo 250 anos. Isso seria uma evolução ( por conta da ajuda da medicina ). Foi assim no passado com o advento de vacinas e antibióticos ( antes se vivia até 40/50 anos). Da mesma forma que o homem foi o predador das tartarugas gigantes que vc mencionou, as bactérias e virus foram os nossos predadores no passado. Pois bem, hj vencemos alguns predadores e mesmo assim declinamos no decorrer do tempo. O envelhecimento nada tem a ver com adaptação como vc diz( e acredito que dentro de alguns anos será classificado no CID. 10 como doença. Envelhecemos porquê não encontramos ainda um caminho para combater esse mal). A perda de movimentos, a maior propensão ao câncer, a diminuição da massa óssea e outras mazelas ligadas ao envelhecimento nada tem a ver com evolução. Existe SIM uma Involução e vista através de exames ( células que regridem para estágios mais primitivos. Para vc ter um idéia a medula óssea de uma criança passa por um estágio amarelo para avermelhada, no adulto é vermelha e indica grande produção celular e no idoso volta a ficar amarela e pobre em produção . Por esse motivo muitos idosos com infeccao graves podem nao apresentar febre , pois sua medula regride para não-funcionante). É como se comparasse a grosso modo um idoso com um recém nato prematuro.
      Não aceitamos (ainda) a velhice como doença pelo fato de estarmos acostumados com aquelas aulinhas básicas de ciências: o ser vivo nasce, cresce, se reproduz e morre. Diria envelhece, antes de morrer. De qualquer forma a teoria da evolução parece ter um FIM ( atingido o ápice, se tem início a um processo involutivo). Disso nao resta dúvida nem para medicina. Para finalizar, evolução também não tem a ver apenas com o combate ao predador ( como no exemplo homem tartaruga que vc citou. Quer um bom exemplo: na África se tem muitos casos de Anemia falciforme e com o tempo se percebeu que tais pacientes são resistentes a formas graves de malária. Também a casos de resistências ao HIV nesse continente, sem nenhuma correlação nenhuma com o tratamento com antiretrovirais, que nao chegam com facilidade a essa populacao . Falar em gigantismo nas tartarugas não representa evolução ( a falta de um predador e a facilidade de alimento hipertrofiou a hipófise de muitas…leia gigantismo em humanos para entender …o aumento dessa glândula dispara um mecanismo que nada tem a ver com evolução ( um animal grande, cuja hipófise cresce a tal ponto de comprimir estruturas nobres como a area do cérebro responsável pela visão- o quiasma óptico… Cega vc acha que ela viveria muito tempo? Percebe que o que vc chama de evolução na realidade se torna um tiro no pé? Difícil falar né? Reflita mais sobre a Involução , isso deixa até eu definir um teorema para a Involução : ” cada ganho na evolução é seguido por uma perda visível no processo involutivo). Ou seja, não existe evolução sem Involução .

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    • Cara… Distorceu TUDO o que eu disse, e ainda se acha no direito de me chamar de Aluno – não sou teu aluno, não tem nada que eu tenha aprendido contigo.
      1 – Envelhecimento -> Eu NÃO disse que é adaptação ou coisa alguma sequer. Envelhecimento é um processo de falência do organismo, não existe regressão das células a estágios mais primitivos, absolutamente nada a a ver o que você falou. E mesmo se houvesse regressão a estágios primitivos, Você devia ter prestado atenção em meu comentário, não diria uma burrada dessas – Repetindo: Primitivo é ANTIGO, e não inferior ou sequer regressivo – hora o que não falta é criaturas primitivas, como bactérias e fungos, que vivem muito mais tempo que nós – por exemplo – índios são mais saudáveis que nós. Mas nada mais é que a seleção natural agindo no ser humano, índios doentes morrem – ficando e procriando apenas os mais fortes e saudáveis – já urbanóides doentes têm o recurso da medicina, interrompemos um processo da seleção natural artificialmente, nada mais. Morte é morte, é o cessamento permanente das atividades biológicas – não regressão celular.
      2 – Longevidade e Doenças -> O quer que a medicina venha a fazer, será mudar ou prolongar o tempo da durabilidade de nossas células, isso não tem nada a ver com processos evolutivos que abordei, acho que pôs isso só pra dar corpo a seus argumentos. No futuro, o que deverá haver não é relativa imortalização de pessoas, o que haverá é planejamento genético antes mesmo do nascimento, não seremos mais um elemento da natureza, da evolução, seremos legítimos andróides orgânicos ou algo do tipo.
      3 – Exemplo -> Mais uma vez não entende ou faz que não entende “não tem a ver apenas com o combate ao predador ” -> É Evidente que não, eu só citei um Exemplo – o Animal evoluiu para uma criatura maior devido a facilidades e necessidades como a que citei – quem precisa pesquisar para aprender é você (eu sei o que é hipófise, eu não sou burro), pois evidentemente não sabe nem do que está falando, separe bem:
      -> Gigantismo em Processo Evolutivo – apresentado pelo Jonatas (talvez minha má escolha pela palavra tenha confundido sua cabeça): Evolução, a mesma que privilegiou girafas mais altas, tartarugas de Galápagos e Dinossauros – isso leva milhões de anos. Diferente de:
      -> Gigantismo em Medicina – nome de uma enfermidade hormonal causada pela excessiva secreção do hormônio do crescimento durante a idade do crescimento, um caso de doença, completamente diferente, ocorre num único entre milhões de indivíduos – isso é raro e ocorre no tempo de vida de uma pessoa, não é o ser humano evoluindo para excessivamente altos e doentes, é só uma pessoa que nasceu com esse problema.
      Não existe tiro no pé na evolução, pois volto a repetir – não foca em melhoramentos, foca em adaptação, e características que conferem vantagens no modo de vida do animal, serão passadas adiante.

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  2. A anatomia dessa estranha criatura é surpreendente. Dado exemplos como Madagascar, Nova Zelândia, Galápagos, poderíamos considerar que o relativo isolamento propele a sistemas evolutivos diferenciados?

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