Onde reside o amor?

Publicado em 21.06.2012

Sem qualquer misericórdia pela poesia, a ciência nos mostrou que os sentimentos (como o amor, por exemplo) e as emoções não “acontecem” no coração, mas no cérebro. Até aí, tudo bem. A questão é: em que regiões do cérebro o amor “acontece”? E o desejo sexual, por acaso é na mesma área?

Para responder estas e outras perguntas, uma equipe de cientistas dos Estados Unidos e da Suécia analisou os resultados de 20 estudos sobre o tema, nos quais pacientes tinham sua atividade cerebral examinada enquanto viam imagens eróticas ou fotografias de entes queridos.

“Vimos que amor e desejo ativam áreas do cérebro diferentes, mas relacionadas”, relata o professor de psicologia Jim Pfaus, da Universidade de Concórdia (EUA). Segundo dados da pesquisa, os dois fenômenos estimulam regiões do chamado corpo estriado.

Tanto o desejo sexual como outros estímulos considerados prazerosos, como sexo e comida, ativam a mesma região. Já a área ativada pelo amor envolve processos de condicionamento em que o cérebro gradativamente aprende que algo é agradável ou prazeroso.

Para acabar de vez com a poesia, eles contam que essa área do amor é a mesma relacionada com o vício em drogas. “O amor é, na verdade, um hábito formado a partir do desejo sexual, conforme este é recompensado. Funciona da mesma forma quando uma pessoa se torna viciada”, destaca Pfaus, para o horror dos românticos.

Embora a ciência venha progredindo cada vez mais em relação ao funcionamento do cérebro, ainda há muito a ser descoberto sobre o amor e outros sentimentos.

Levando em conta os resultados, porém, já podemos trocar aquele famoso trecho de Há Tempos, do Legião Urbana, para “parece cocaína, mas é só amor”.[Medical Xpress]

Autor: Guilherme de Souza

É jornalista empenhado e ilustrador em treinamento. Curte ciência, cultura japonesa, literatura, seriados, jogos de videogame e outras nerdices. Tem alergia a música sertaneja e acha uma pena que a Disco Music tenha caído no esquecimento.

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18 Comentários

  1. Não sou expect no assunto, mas sei que o amor pode ser criado, por impulsos voluntários no cérebro, basta apenas pensar imaginar etc… recriar a cena ao qual você está apaixonando-se ou amando. Assim como estudos feitos com o orgasmo, comprovou que mulheres conseguem chegar ao orgasmo apenas imaginando sem se tocar. hehe.

    Agora entendi muito bem a colocação de amor eterno, este sentimento está mais para proteção, cuidados e um querer bem que vem com o tempo, e sim é diferente das paixonites e falsos amores que imaginamos ter no inicio e que se acaba com alguns 5 ou 10 anos! ^^

    Agora estou mais apoiando a ideia Gautamann que tudo pode ser controlado. Talvez no futuro tudo será criado artificialmente, sem a necessidade de dois indivíduos para recriar um sentimento intenso e duradouro, seja ele qual for. :P

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  2. Somos 80% emocional e 20% racional. Os mais treinados, experientes e que desde a infância ou adolescência que praticam o autogerenciamento por meio do auto conhecimento, têm um grande salto quântico diferenciado dos demais. Pois, controlam as emoções e faz com que elas trabalhem ao seu favor. Reflitam! Virtude é o mais importante nas pessoas.

    Edilson Lima – Cientista dos comportamentos humanos.

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  3. Realmente a ciências quer explicar tudo que acontece a conosco para que o próprio ser humano possa entender a si próprio e assim ter uma vida mais tranquila.Amor da humanidade(casal) só existe quando ambos concordam e têm a mesma filosofia de vida. Se o caráter for parecido então há amor(diz-se assim)do contrário diz que esgotou ou outra desculpa esfarrapada. o amor é nada mais do que a concordância de modos e atitudes do cidadão.

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  4. “Amor entretanto não é um sentimento, mas uma decisão; uma atitude moral”
    Se fosse isso mesmo, então bastaria por na cabeça…
    Amor verdadeiro na realidade é uma união de sentimento, pensamento e ação, mas nasce do sentimento.

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  5. Quer dizer que se digo que “amo” meu amigo, “amo” meu filho, “amo” meu professor, “amo” a Deus…sou homossexual e drogado?????

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    • Não seria paixão?
      Não sou expert no assunto mas já ouvi dizer que a diferença entre paixão e amor era justamente essa. Enquanto a paixão tende a ser ardente, súbita, passageira e até egoísta o amor tende a se voltar para o lado mais romântico, duradouro e blá blá blá…

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  6. Temos sempre que separar amor de paixão e lembrar que existem diversas formas de amor (como mostra o artigo da Wikipedia sobre ‘AMOR’): o amor eros, o amor platônico, o amor materno, o amor philia, o amor storge, etc. E, entre eles, o maior de todos que é o amor ágape, considerado o amor incondicional de Deus.

    E mesmo que a droga ative a mesma área do cérebro responsável pelo amor, isso não quer dizer que todo amor é uma espécie de vício prejudicial ao ser humano. Por amor verdadeiro, somos capazes de dar a própria vida pela pessoa amada. Qual mãe ou pai, que realmente ama seu filho, não dá a vida e não se consome como uma vela por seu filho?

    Mas se tem uma questão filosófica que me intriga, além da origem da consciência, dos sentidos e dos sentimentos, é de onde vem o amor ou o que é realmente o amor?

    Será que foi a matéria, através dos longos anos da evolução, que criou a razão, o amor e todos os outros sentimentos em nosso cérebro ou foi a RAZÃO e o AMOR que criou a matéria e nos criou para habitar em nós?

    Eu sei que parece loucura; mas, às vezes, é o que parece insinuar a Bíblia quando diz que “Deus não habita em templos feitos pela mão do homem, mas no coração do homem que é templo de Deus”; ou quando diz que “AQUELE QUE NÃO AMA NÃO CONHECEU A DEUS, POIS DEUS É AMOR”; ou ainda quando afirma que “ONDE ESTÁ O AMOR AÍ ESTÁ DEUS, PORQUE DEUS É AMOR”.

    Então, penso: Será que Deus é amor ou Deus é o amor? Ou seja, será que Deus criou o amor, é feito de amor ou é o próprio amor?

    Ou ainda: Será que Deus é infinitamente sábio, é feito de sabedoria ou é a própria sabedoria ou o Logos dos filósofos gregos? (No princípio era o Verbo (Logos), e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus…)

    Talvez eu possa estar dizendo uma grande besteira ou até mesmo uma heresia; mas às vezes eu penso que, ao contrário do nosso mundo físico, lógico e matemático, deva haver entes eternos ou substâncias divinas que sempre existiram (talvez, como o amor, o poder, a razão, etc.) e que nos criaram para habitar em nós; ou seja, ao invés da matéria ter se tornada consciente e criado os sentimentos, eles que nos criaram para habitar em nós! E o contrário se pode pensar dos maus sentimentos, como ódio, inveja, etc.

    Pensar nisso me dá medo! Mas, mesmo sendo estranho e parecendo loucura, esse pensamento não deixa de ser uma alternativa mais lógica e racional do que acreditar que o universo, a vida e a consciência surgiram do nada absoluto!

    O que quero dizer é o seguinte: no nosso mundo físico, matemático e lógico é impossível existir algo eterno ou que surgiu do nada; mas, pode haver um outro mundo (talvez o espiritual) onde a existência de entes eternos (que criaram nosso universo) seja algo normal!

    É difícil imaginar que Deus sempre existiu se imaginarmos ele com uma forma humana, ou seja, com cabeça, cérebro, tronco e membros. Porém, é mais fácil imaginar um Deus que sempre existiu se ele for formado por tais entes ou substâncias divinas eternas (como o poder, a razão, o amor, etc.); a causa infinita das causas, da qual emana todo o bem e que, por isso, teria de ser onipotente e onisciente como mostrou Jesus na própria Bíblia.

    Seja lá o que for, parece que realmente há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia.

    Isso é o máximo que consigo imaginar sobre o mistério de Deus e do amor:

    NÓS CRIAMOS O AMOR OU O AMOR NOS CRIOU?

    DEUS É AMOR OU DEUS É O AMOR?

    EIS A QUESTÃO!

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  7. O ser humano quer medir tudo, quer ter o controle sobre tudo, mas o amor quando chega ele é muito maior do que nós, ele é ilimitado, está muito acima das nossa medidas, isso é o amor, o resto é pura imitação.

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  8. As amígdalas do cérebro humano, cerebelosas – são grupos de neurônios que, juntos, formam uma massa esferóide de substância cinzenta com cerca de dois centímetros de diâmetro, situada no pólo temporal do hemisfério cerebral de grande parte dos vertebrados, incluindo o homem. Esta região do cérebro faz parte do sistema límbico e é um importante centro regulador do comportamento sexual e da agressividade. Ou seja , das emoções humanas. Consequentemente os sentimentos de amor ou ódio…

    Este conjunto nuclear é também importante para os conteúdos emocionais das nossas memórias. A ablação bilateral da amígdala cerebelosa origina a Síndrome de Kluver-Bucy, caracterizada pela ausência de respostas agressivas, pela cortesia exagerada, oralidade e pela hipersexualidade.

    O papel da amígdala: um centro no cérebro límbico

    Goleman (1995, p. 29) afirma que Joseph LeDoux, neurocientista do Centro de Ciência Neural da Universidade de Nova Iorque, descobriu o papel-chave da amígdala no cérebro emocional.

    Nos seres humanos, a amígdala vem do grego e significa amêndoa, é um feixe em forma de amêndoa, de estruturas interligadas situado acima do tronco cerebral, próximo à parte inferior do anel límbico. Há duas amígdalas, uma de cada lado do cérebro.

    Para Goleman (1995) as explosões emocionais são seqüestros neurais. A amígdala, um centro no sistema límbico, detecta uma emergência e recruta o resto do cérebro para o seu plano de emergência. E o nosso cérebro pensante, o neocórtex, ainda não percebeu o que está acontecendo.

    Esses seqüestros não são específicos de incidentes graves e horrendos que levam a crimes brutais, ocorrem também conosco com muita freqüência quando perdemos o “controle” e explodimos com alguém – com parentes, colegas de trabalho, no trânsito… – e depois ficamos até perplexos com as nossas próprias atitudes irracionais.

    A remoção cirúrgica da amígdala para controlar sérios ataques em um rapaz provocou-lhe um completo desinteresse pelas pessoas, um alheamento, isolando-se sem nenhum contato humano. Embora conversasse normalmente, não mais reconhecia ninguém, nem mesmo a mãe, e permanecia impassível diante da angústia deles com a sua indiferença. Sem a amígdala perdeu a identificação de sentimento, visto que ela atua como um depósito da memória emocional, e portanto do próprio significado; a vida sem amígdala é uma vida privada de significados emocionais.

    Os sinais que vêm dos sentidos permitem que a amígdala faça uma varredura de toda experiência, em busca de problemas. Isso a põe num poderoso posto na vida mental, alguma coisa semelhante a uma sentinela psicológica, desafiando cada situação, cada percepção, com apenas um tipo de pergunta em mente, a mais primitiva: É alguma coisa que odeio? Isso me fere? Alguma coisa que temo? Se for esse o caso – um Sim – a amígdala reage instantaneamente, como um fio de armadilha neural, telegrafando uma mensagem de crise para todas as partes do cérebro

    A memória emocional pode ser um repositório de impressões emocionais e lembranças que jamais conhecemos em plena consciência.” (Goleman, 1995, p.30)

    A pesquisa de LeDoux revela que a arquitetura do cérebro oferece à amígdala uma posição privilegiada de sentinela emocional. Os sinais sensoriais do olho ou do ouvido viajam para o tálamo, e depois – por uma única sinapse – para amígdala; um segundo sinal do tálamo é encaminhado para o neocórtex – nosso cérebro pensante. Fica explícito que a amígdala responde antes do neocórtex ser informado.

    Para Goleman a pesquisa de LeDoux é revolucionária para a compreensão da vida emocional por ser a primeira a estabelecer os caminhos neurais de sentimentos em torno do neocórtex. Os sentimentos em linha direta à amígdala são os mais primitivos, grosseiros e poderosos, e acaba por explicar o poder da emoção para esmagar a racionalidade. Enquanto a amígdala nos lança à ação, o neocórtex (racional) ainda está pensando qual o plano mais adequado!

    Edilson Lima – Cientista e pesquisador dos comportamentos humanos.

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  9. Que ótimo, cada vez mais a Ciência dá um avanço positivo em suas pesquisas para o conhecimento e edificação da humanidade, Parabés!!!

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    • Como assim “errata”, Lila? “Parece cocaína mas é só amor” foi um trocadilho intencional hehe

    • Sim sim, reeditado está agora correto.. abraço!

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