Sites de relacionamento realmente ajudam a encontrar sua cara metade?

Por , em 10.04.2012

Há dez anos, encontros online eram vistos como o refúgio dos desesperados. Hoje, é algo completamente normal começar um relacionamento conversando na internet. Redes sociais como o Facebook abrem caminho para selecionar o profile de quem lhe interessa e tentar algo. Existem muitos sites especializados nisso, também.

Um novo estudo, entretanto, pondera que, apesar dos encontros online nos sites especializados realmente aumentarem as chances de se encontrar um parceiro, o resto do que oferecem não faz muita diferença. “Ao sugerir que a compatibilidade pode ser atingida com uma pequena base de informações sobre uma pessoa – através do sistema matemático de um site ou pela análise de um perfil – os sites de encontros suportam uma ideologia que décadas de pesquisa científica sugerem ser falsa”, afirma o líder do estudo, Eli Finkel.

Ao contrário do que os sites de relacionamento prometem, a compatibilidade não pode ser calculada ou prevista, perguntando para as pessoas o que esperam de um parceiro ou formulando uma série de perguntas que então serão usadas para indicar um possível par.

O problema em pedir para as pessoas descreverem o parceiro ideal é que elas não são boas em prever o que realmente querem. Estudos com encontros rápidos, por exemplo, mostram que as pessoas pelas quais alguns se sentiram interessados não eram compatíveis às descrições de parceiro ideal.

A tradicional ideia de compatibilidade foca na personalidade. Mas, apesar de ser comum e intuitiva a noção de que personalidades similares se darão melhor em um relacionamento íntimo, os autores explicam que isso é “no geral, fraco e contraditório”.

Em estudo citado por eles, o grau de similaridade na orientação política, religiosa e valores de vida não estavam associados à satisfação conjugal. Outro estudo mostra que atividades de lazer similares faziam os maridos se sentirem mais próximos das mulheres, mas não significavam nada para elas.

E quanto à famosa frase: “os opostos se atraem”? De acordo com Finkel e os outros autores, “evidências empíricas de que parceiros diferentes geram melhores relacionamentos são ainda mais difíceis de se encontrar”.

Finkel enfatiza que ele não é contra os sites de relacionamentos. Se as habilidades de juntar pessoas são exageradas, ainda assim é incrível o fato da internet conseguir dar a oportunidade de gerar mais relacionamentos. O segredo, de acordo com ele, é levar o mais rápido possível o relacionamento online para a vida real. Mais do que um perfil, a companhia e a combinação de linguagem corporal, verbal e cheiros são mais importantes. Alguém discorda? [Bloomberg]

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2 comentários

  • D:

    “Há dez anos, encontros online eram vistos como o refúgio dos desesperados. Hoje, é algo completamente normal começar um relacionamento conversando na internet.”

    Em relação a sociedade, existem dois recursos preciosos que a seleção natural nos deixou: o instinto de rebanho (aquele que faz vc automaticamente fazer o que os outros fazem) e a capacidade de refletir se a maioria está certa.
    Infelizmente não costumamos usar o segundo, e somos direcionados tal como gado, pra lá e pra cá, ao sabor da modinha.

  • eli@S:

    Estou vivendo um relacionamento que começou na internet. O problema é que conversamos mais por sms do que pessoalmente, mesmo depois de termos nos encontrado duas vezes. Ele trabalha muito. Se não fosse isso, talvez estaria melhor. A minha opinião concorda com a última afirmação do texto. Nada como a linguagem corporal, a presença física, a voz, o olhar para fortalecer ou não começar um possível namoro.

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