Por que a pesquisa no Brasil não cresce na proporção das duplas sertanejas?

Publicado em 22.02.2013

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Nada contra as duplas sertanejas. Nem contra outros tipos de música, foi apenas uma comparação irônica, mas com fundamento.

Quando se trata de pesquisa no Brasil, é notável a falta de interesse dos alunos em participar. Quando participam, a dificuldade que a maioria dos pesquisadores iniciantes demonstra é enorme. Quando um aluno está prestes a entrar para a universidade, ele sequer sabe o que é Mestrado. A não ser que ele venha sendo influenciado pela família a saber.

Se tratando da realidade do País, onde muitos, desde a adolescência, tiveram que trabalhar para ajudar a família — ou trabalhar enquanto faziam a universidade — se tornar um pesquisador parece quase impossível ou impensável.

Se nosso País se preocupasse mais em estimular o gosto pela pesquisa, ao invés de investir milhões em shows de inauguração de projetos e eventos, talvez, as famílias Brasileiras não estivessem tão fadadas à realidade de sempre. Infelizmente, se não tiver pai e mãe para apoiar financeiramente, não se estuda aqui. Os de cima sempre subirão, e os de baixo sempre descerão…

Tendo em vista que somente aqueles dotados de poder financeiro poderão sair da Universidade prontos para o Mestrado e para o Doutorado. Não é preciso ser riquíssimo para poder estudar e se tornar um pesquisador, mas é preciso ao menos, estímulo. Ninguém consegue estudar algo que exige tanta dedicação e esforço, sem estímulo. Falo por experiência própria. E, é claro, que pais e mães, atolados em dívidas, e problemas similares, nunca estimularão seus filhos a estudarem algo que os parece inalcançável.

É triste ver que milhões de reais são dados as cantoras baianas, que sequer pensam em Mestrado enquanto aqueles que pensam em se dedicar à pesquisa, ou se dedicam a ela, tem muitas vezes que passar o mês sem cinco reais para o sorvete.

Quer fazer mestrado? Sabe como deve fazer para entrar em contato com um orientador? Aposto que está tão inseguro quanto um parque de diversão sem alvará de licença. Com a melhor das intenções, deixo à disposição de todos os interessados um material que os orientará basicamente em relação a esta necessidade.

Autor: Fernanda Marinho

Farmacêutica generalista, colaboradora de pesquisa na área de saúde mental. Às vezes é franca demais. Escreve quando recebe estímulos especiais como revolta política ou excesso de serotonina. Curta ela no Facebook.

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38 Comentários

  1. Agradeço pelos comentários. Eles serão sempre bem-vindos, e as críticas, quando bem dispostas, serão mais ainda.
    Cuidarei da minha labirintite em relação aos links em breve…

    Um abraço a todos.

  2. A comparação com as futilidades é considerável, mas não é um problema do Brasil, é de toda a humanidade – a Europa, os EUA e os ditos desenvolvidos também dão o mesmo destaque e investimentos bilionários aos esportes e aos modismos, porque é o que as pessoas gostam, é o que rende financeiramente, estádios cheios pra ver futebol, eventos vazios para ver ciência.
    O que está insuficiente no Brasil é a iniciativa do estudante e o incentivo do sistema educacional, mais a segunda parte, já que esta é o alicerce da primeira.
    Já dizia um professor:
    Antigamente, as provas tinham questões a serem pensadas e respondidas, mas recentemente sugiram as múltiplas escolhas, que permitem a um incapaz sortudo que só chutou tirar uma nota melhor que a de um estudioso esforçado que errou um único algorismo em seu cálculo – o suficiente pra marcar uma alternativa errada, isso é justo?
    A palestra do professor Pier mostra como todo o sistema educacional brasileiro está errado, valoriza notas em lugar do conhecimento, e não ensina a já comprovada arte do verdadeiro aprendizado, aprender a ser um estudante de verdade, em lugar de um aluno, na verdade, aprender a usar o cérebro.
    Quando o Brasil tiver salas de aula com estudantes de verdade, desde as séries iniciais, aí a iniciativa científica será uma consequência, sem sombra de dúvidas.

    Thumb up 14
  3. As pessoas criam dilemas onde não existem. Na Espanha existem matança de touros, no japão as pessoas são viciadas em animes, nos EUA as pessoas são fanáticas por diversos esportes, boa parte da Europa é quase tão fanática por Futebol quanto aqui.

    A ciência, de modo mais amplo possível, pode conviver tranquilamente mesmo com os tipos mais inúteis da cultura. Sou de família de classe C, ganhei uma bolsa 100% de Eng. Mecânica esse ano, raramente as pessoas tiveram que dizer o que eu tenho que fazer, e é assim que as pessoas deveriam pensar sobre a maioria das coisas, também não estou dizendo pra pensar sobre tudo por conta própria, apenas para ser mais cético.

    Thumb up 7

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