Poderoso tornado de gás superquente é filmado no sol

Publicado em 6.05.2012

A fama de serem destrutivos – e de muitas vezes também mortíferos – precede os tornados que se formam sobre a Terra. Mas esses fenômenos naturais, responsáveis por várias mortes e diversos estragos em diferentes partes do mundo todos os anos, tornam-se insignificantes quando comparados com os tornados solares (gases superaquecidos que sobem em forma de espiral da superfície do sol).

Enquanto os terrestres chegam a 150 km/h, os solares alcançam uma velocidade de 300 mil km/h – são duas mil vezes mais velozes –, além de serem até 16 vezes maior que o planeta Terra. A descoberta foi realizada por pesquisadores da Universidade Aberystwyth, no Reino Unido, que registraram em vídeo o fenômeno, ocorrido em setembro de 2011, mas só revelado recentemente, no Encontro de Astronomia Reino Unido-Alemanha, em Manchester, na Inglaterra.

Assista ao vídeo para observar o evento na superfície do sol.

O vídeo mostra as partículas de gás do tornado em três temperaturas diferentes, variando de 50 mil a 2 milhões de graus centígrados. Em comparação com a temperatura de tornados solares menores, a temperatura medida nesse tornado é considerada alta. Agora, os pesquisadores, liderados pelo físico Xing Li, querem entender o porquê disso.

Segundo Li, os tornados solares são causados por uma estrutura fixada nos dois ‘fins’ da superfície solar, que lembra muito uma mola. “Uma grande injeção de material levanta rapidamente uma das pernas da mola, que é forçada a seguir a forma helicoidal do campo magnético”, explica Li. “Quando se observa a mola de um de seus ‘fins’, percebe-se uma rotação coerente de material ao redor de um eixo central”.

O movimento desses tornados merece atenção pelo fato de poder ajudar a provocar rajadas fortes de partículas carregadas, que afetam o tempo climático no espaço e destroem satélites. Duas dessas erupções foram detectadas acima do tornado, assim que ele começou a tomar forma. Por essa razão, os cientistas acreditam que o fenômeno de tornados solares possa estar envolvido no processo de iniciar tais explosões.

Li e seu time de pesquisadores esperam observar mais desses tornados muito em breve, já que, ultimamente, o sol se encontra em um estado bastante ativo. [New Scientist]

Autor: Luan Galani

é jornalista. Entusiasta da Teoria-M, é um rato de biblioteca apaixonado pelo que a ciência pode nos proporcionar. Nas horas vagas, é um amante inveterado de música erudita, que pede perdão aos russos por ainda considerar Mozart a grande lenda.

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9 Comentários

    • não vi ET mas vi de relance a vaca que o tornado no filme twister levou =/

      Thumb up 0
  1. Na verdade, 150 km/h dos terrestres são os tornados mais comuns, até a categoria F3. No advento dos da categoria F5, nossas tempestades não fazem tão feio no Sistema Solar, superando os 400 km/h, nos ventos que são os mais fortes da Terra. 200 km/h são ventanias típicas das tempestades de areia marcianas e na alta atmosfera de Vênus. Entre os Panetas, os ventos mais fortes estão em Netuno, 2.000 km/h no cinturão azul escuro subtropical. Ainda temos rajadas de 500 a 1.000 km/h nas tempestades mais salientes de Júpiter e Saturno.
    Nada disso se compara aos ventos superficiais do Sol (não confundir com vento solar, um fenômeno espacial externo ao Sol oriundo da Corona).
    O tornado da reportagem me parece uma tempestade de origem eletromagnética, análogo ao que origina as manchas e as proeminências, só que de uma forma menos explosiva e mais turbulenta. Infelizmente a reportagem não cita medições das atividades magnéticas durante o fenômeno, mas eu acredito que devem ter sido inimaginavelmente intensas, assim como os tornados aqui na Terra, que estão sempre associados à muitas descargas elétricas. Sempre que tem tornados têm muitos raios e relâmpagos, mais que em outros tipos de tempestades.

    Thumb up 7

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