Posts do Facebook são mais memoráveis que livros e rostos

Publicado em 17.01.2013

Acredite se quiser: sua atualização de status sobre o capítulo da novela de ontem é mais lembrada pelas pessoas do que uma citação famosa de um clássico ou o rosto de uma pessoa bonita que elas acabaram de ver.

Segundo um estudo da Universidade de Warwick (Reino Unido), palavras e frases postadas no Facebook permanecem na mente mais do que livros ou faces. A diferença é tão grande que se assemelha a que existe entre as pessoas com memórias normais e as que sofrem de amnésia.

A pesquisa

Os pesquisadores configuraram um teste de memória em que os participantes viram 200 frases por três segundos cada uma em uma tela de computador. Metade das sentenças foi tirada de atualizações anônimas do Facebook (por exemplo, “A biblioteca é um lugar para estudar, não para falar no telefone” e “Meu professor de matemática me disse que eu era um de seus alunos mais brilhantes”), e outras sentenças foram retiradas de livros recentemente publicados, tais como “Minha garganta estava ardendo de gritar tão alto” e “Debaixo da massa de cabelo facial, transmitiu um grande sorriso”.

Todas as seleções eram semelhantes em comprimento, e as mensagens do Facebook foram tiradas fora do contexto da rede social, sem links, imagens e irregularidades como emoticons ou múltiplos pontos de exclamação.

Os participantes então viram novamente 200 sentenças, 100 das quais já tinham visto antes, e foram instruídos a identificar quais reconheciam. Os pesquisadores descobriram que a memória dos participantes foi de cerca de uma vez e meia mais forte para publicações do Facebook do que para frases de livros.

O experimento foi então reajustado, com frases de livros substituídas por imagens de rostos. A memória dos participantes por mensagens do Facebook foi quase duas vezes e meia mais forte do que para rostos.

Conclusão: se você espera que seus colegas de trabalho esqueçam logo aquele post detalhando suas travessuras embaraçosas na festa do escritório, bom, pode esquecer.

Cotidiano memorável

Segundo os pesquisadores, a chave para o Facebook ser tão memorável é que nosso cérebro é programado para formas mais naturais de linguagem. As publicações no Facebook são mais simples, escritas casualmente, muito semelhantes à forma como falamos, com relativamente pouca atenção dada a ortografia, pontuação ou gramática.

É esta natureza casual e até “fofoqueira” das mensagens que os pesquisadores concluíram que as tornam tão fáceis de lembrar – nosso cérebro já está “pronto” para elas. Já os livros, por exemplo, são escritos em linguagem mais formal e exigem mais “decodificação” e interpretação.

“O Facebook é atualizado cerca de 30 milhões de vezes por hora, por isso é fácil acreditar que é cheio de pedaços de informações mundanas e triviais que esqueceremos imediatamente após lê-las. Mas o nosso estudo transforma essa visão e nos dá um vislumbre realmente útil dos tipos de informações que estamos ‘condicionados’ a lembrar”, explica a pesquisadora Dra. Laura Mickes.

Segundo ela, saber disto poderia ajudar na concepção de melhores ferramentas educacionais, bem como oferecer informações úteis para as áreas de comunicações e publicidade. “É claro que não estamos sugerindo livros escritos inteiramente em tweets, mas os escritores de livros didáticos ou professores que usam PowerPoint podem certamente se beneficiar do uso de voz mais natural para ensinar”, sugere.

Pré-alfabetização

Cientistas especulam que o Facebook e outras formas de escrita amadoras possibilitadas pela era digital são, algumas vezes, um “retorno” a épocas pré-alfabetizadas da história.

Nicolas Christenfeld, professor de psicologia da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA), disse que as tecnologias modernas permitem que a linguagem escrita seja mais próxima do estilo informal pré-alfabetizado de comunicação. “Este é o estilo que ressoa, e é lembrado”, comenta.

Parece que, com o crescimento dos blogs, mensagens de texto e outros, a linguagem escrita se aproximou do discurso natural, com menos edição e contemplação do que era necessário em outros tempos e em outros meios.

“Esses resultados podem não parecer tão surpreendentes quando consideramos quão importante a memória e o mundo social são para a sobrevivência dos seres humanos na história ancestral”, afirma Christine Harris, da Universidade da Califórnia em San Diego.

“Nós aprendemos sobre recompensas e ameaças a partir dos outros. Portanto, faz sentido que nossas mentes sejam particularmente atentas às atividades e pensamentos das pessoas, e se lembrem das informações transmitidas por elas”, conclui.

Então, já que você vai se lembrar, melhor se lembrar de coisa interessante que vai fazer diferença na sua vida, não? Recomendamos a página do HypeScience no Facebook, que além de trazer assuntos discutidos no site, também tem conteúdo exclusivo![DailyMail, NBCNews]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 25 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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