Programa de computador identifica risco de doenças mentais em adolescentes

Publicado em 19.02.2012

Segundo novo estudo, programas de computador podem ser capazes de identificar a maioria dos adolescentes com risco de transtornos mentais como ansiedade e depressão, apenas analisando imagens do cérebro.

Quando se trata de doenças mentais, descobrir os riscos logo no início é fundamental para o tratamento.

“Os transtornos de ansiedade e humor podem ter um efeito devastador nos indivíduos e no relacionamento com familiares e amigos”, diz a pesquisadora Mary Phillips, da Universidade de Pittsburgh. “Se nos tornamos capazes de identificar os indivíduos de maior risco no início, poderemos intervir precocemente e de maneira adequada para retardar ou mesmo impedir o início dessas terríveis condições”.

A maioria dos distúrbios psiquiátricos surge, normalmente, na adolescência ou início da fase adulta. No entanto, não existem sinais biológicos conhecidos que podem prever com precisão quais os adolescentes que podem ou não desenvolver estas doenças.

Mesmo o risco genético não pode prever com precisão a possibilidade de um indivíduo desenvolver um distúrbio. Por exemplo, uma família com histórico de distúrbio bipolar confere um risco de 10% de desenvolver transtorno bipolar futuramente, como também pode conferir um risco entre 10 e 25% de distúrbios como déficit de atenção, hiperatividade, depressão ou transtornos de ansiedade, mas é impossível determinar com precisão se um indivíduo vai desenvolver estes transtornos.

Agora, os cientistas revelaram que os programas de computador podem distinguir por meio de varreduras no cérebro adolecentes saudáveis em situação de risco e adolescentes saudáveis sem risco de desenvolver transtornos mentais.

“Nós temos uma técnica que mostra um enorme potencial para nos ajudar a identificar quais os adolescentes estão em risco real de desenvolvimento de ansiedade e transtornos de humor, especialmente quando não se tem informação clínica ou genética”, disse a pesquisadora Janaína Mourão-Miranda, neurocientista da University College Londres.

Os pesquisadores analisaram 16 adolescentes saudáveis, com pais bipolares, e 16 adolescentes saudáveis, cujos pais não tinham histórico de doença psiquiátrica. Enquanto os voluntários participavam de duas tarefas em que tinham que determinar o sexo de pares de rostos com expressões emocionais – feliz e indiferente ou com medo e indiferente – os adolescentes tiveram seus cérebros escaneados com ressonância magnética. Estudos anteriores já haviam mostrado que os cérebros de pessoas com transtornos de humor respondem de forma diferente quando olham para expressões faciais emocionais do que um cérebro sem esses transtornos.

Em três de quatro casos, o programa de computador identificou com precisão os adolescentes que pertenciam tanto ao grupo de baixo risco quanto os de alto risco. Entrevistas de acompanhamento que duraram de 12 a 45 meses mostraram mais tarde que os adolescentes identificados como de alto risco desenvolveram, muitas vezes, transtornos mentais como ansiedade e depressão.

“Este foi um estudo preliminar”, Mourão-Miranda adverte. “Este trabalho precisa ser replicado com mais pessoas”.

Curiosamente, os pesquisadores descobriram que o programa foi capaz de distinguir melhor adolescentes de baixo e alto risco quando foram expostos rostos indiferentes. Esta descoberta ampara estudos anteriores sugerindo que pessoas com transtornos de ansiedade ou de humor são mais propensos a perceber faces indiferentes como ambíguas ou potencialmente ameaçadoras.

“Focar a resposta do cérebro aos rostos indiferentes poderia nos ajudar a diagnosticar o risco de transtornos mentais”, conta Mourão-Miranda.

Pesquisas futuras poderão verificar se esta abordagem funciona para uma grande variedade de doenças mentais.

“Isso pode não só nos ajudar a diagnosticar doenças neurológicas e psiquiátricas em geral, mas também determinar o curso que tomam e como podem responder ao tratamento”, diz Mourão-Miranda.[LiveScience]

Autor: Dalane Santos

Dalane Santos tem 21 anos, é recém-formada em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e escreve para o Hypescience desde fevereiro de 2012.

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