“Sabre de luz” cirúrgico permite remoção apenas de tecido ruim

Publicado em 25.04.2012

Não importa. Seja com o tradicional bisturi ou com laser cirúrgico, a maioria das operações médicas sempre acaba removendo também uma porção de tecido saudável.

Isso pode não parecer preocupante, mas quando pensamos em áreas delicadas, como o cérebro, a garganta e o trato digestivo, médicos e pacientes têm de considerar os benefícios do tratamento e os possíveis danos colaterais.

Pensando em diminuir as preocupações de pacientes e de profissionais da saúde, um grupo de pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, desenvolveu um pequeno e flexível endoscópio (aparelho com uma fonte de luz e com uma fonte de captura de imagem), fixado em um bisturi de laser com um femtossegundo (um mulionésimo de um bilionésimo de segundo).

O dispositivo pode, então, remover tecidos doentes, sem tocar nos tecidos saudáveis. Os pesquisadores estadunidenses apresentarão sua invenção na Conferência de Lasers e Ótica Eletrônica 2012, que acontecerá em San Jose, na Califórnia, EUA, entre 6 e 11 de maio.

O equipamento todo é mais fino e menor que um lápis (9,6 milímetros de circunferência e 23 milímetros de comprimento). “O novo sistema é funcional e pode ser comercializado”, conta Adela Ben-Yakar, líder do estudo. “Ele é 5 vezes menor que o protótipo e melhora a resolução dos imageamentos em 20%”.

Segundo os cientistas, o laser ainda vem acoplado a um mini microscópio, o que aumenta a precisão de controle necessária para cirurgias delicadas. Fazendo uso da técnica de fluorescência por dois fótons, esse microscópio depende da luz infravermelha que penetra em até um milímetro de tecido saudável. Isso permitirá aos cirurgiões retirar células individuais ou outras pequenas partes.

A invenção já foi testada nas cordas vocais de porcos, nos tendões dos rabos de ratos e em células de mama cancerosas (in vitro). Só o tempo pode dizer quando tal tecnologia poderá ser utilizada. [ScienceDaily]

Autor: Luan Galani

é jornalista. Entusiasta da Teoria-M, é um rato de biblioteca apaixonado pelo que a ciência pode nos proporcionar. Nas horas vagas, é um amante inveterado de música erudita, que pede perdão aos russos por ainda considerar Mozart a grande lenda.

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