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Técnicas de navegação da Baleia-jubarte ainda são um mistério

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Por em 24.04.2011 as 12:12

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O recorde mundial de maior migração animal pelo Planeta Terra pertence à Baleia-jubarte. Recentemente, um exemplar feminino dessa espécie fez o que a humanidade só foi capaz de realizar no século XV, com enormes caravelas: cruzou o atlântico. A baleia saiu da costa brasileira, percorreu quase dez mil quilômetros e foi parar em Madagascar, ilha no sudeste da África. Qual o segredo dessa baleia?

Para achar essa resposta, cientistas da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia monitoraram os movimentos de 16 baleias-jubarte desde 2003. Tal monitoramento, que terminou no ano passado. Foi feito através de escutas de rádio que estavam programadas para cair do corpo delas, o que aconteceu sete anos após a aplicação.

O que chamou atenção dos cientistas é a retidão das rotas das baleias. Para percorrer um caminho superior a 2.000 quilômetros, tiveram um desvio quase nulo (de apenas 0,4 graus) na trajetória. A técnica para tamanha precisão segue sendo obscura para os cientistas. As duas principais teorias foram refutadas.

A primeira supunha que elas se utilizavam do magnetismo terrestre, tal qual os tubarões, mas essa não é a resposta porque o campo magnético da Terra varia durante a migração delas. A outra tese era a de que elas se guiam pelo Sol, mas isso também caiu por terra quando eles descobriram que baleias provenientes de pontos diferentes são capazes de seguir a mesma trajetória, com o Sol estando em posição diferente para cada uma.

O resultado parcial da interpretação foi o seguinte: se elas não usam exclusivamente o magnetismo terrestre e nem a luz do Sol, devem usar os dois indicadores juntos. Devido a uma habilidade sensorial, ainda desconhecida, elas se guiam por esses dois fatores naturais para trilhar seus caminhos retos com tanta facilidade.

A migração das baleias, em geral, está associada às mudanças de temperatura durante as estações e à disponibilidade de comida. O habitat das jubartes analisadas é o Hemisfério Sul. Em geral, há três rotas principais. Uma sai da costa leste do Brasil, no Atlântico, e segue em sentido sudeste. A que sai de Nova Caledônia, um arquipélago próximo, à Nova Zelândia, também toma rumo sudeste. E a última rota sai de Rarotonga, na Ilhas Cook (próximas à Nova Caledônia) e segue em sentido oposto, o noroeste. [Live Science]

Bruno Calzavara é estudante do 4o ano de Jornalismo na Universidade Federal do Parana, mas não vai se formar neste ano. Está fazendo intercâmbio na Universidade de Pisa, na Itália. Volta em agosto. Já trabalhou em vários campos jornalísticos e agora lida com o mundo fascinante dos textos científicos de HypeScience. É dono de um blog de viagem.

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