Por , em 13.08.2019

Nada como uma rápida sucessão de imagens maravilhosas para fazer nossos olhos brilharem e nosso cérebro pulsar de prazer momentaneamente.

Passear pelas linhas do tempo das redes sociais nos faz ver centenas de imagens em poucos minutos, e a sensação que fica é que todos são tão belos que poderiam ser modelos, e que fazem coisas empolgantes todos os dias. Enquanto isso, você está sentado em algum lugar deprimente vendo a vida alheia passar na tela do seu smartphone.

“Muito antes do advento das redes sociais, psicólogos sabiam que uma das barreiras fundamentais para o nosso bem-estar é a comparação social. É difícil ser feliz se nós nos preocupamos constantemente em nos comparar com os outros”, explica Tim Bono, especialista em ciências psicológicas e cerebrais da Universidade de Washington (EUA).

Bono é autor do livro “When likes aren’t enough: a crash course in the science of happines” (Quando likes não são suficientes: um curso rápido sobre a ciência da felicidade, 2018, ainda sem tradução para o português).

“Eu tenho pesquisado isso por vários anos e os dados que coletei sobre este assunto mostraram que quanto mais tempo as pessoas passam nas redes sociais, mais chance elas têm de ter resultados psicológicos negativos”, aponta ele.

Bono diz que o acesso instantâneo às realizações pessoais e profissionais dos outros causa este efeito negativo de comparação. “Temos acesso instantâneo às realizações, férias, promoções no emprego, reformas nas casas e criações culinárias dos outros”, diz.

Para complicar ainda mais este fenômeno psicológico, o consumidor das imagens das redes sociais ainda precisa manter-se crítico para conseguir identificar imagens que são reais das que são excessivamente editadas para produzir um efeito impossível.

Sabe aquela foto da Kris Jenner (mãe de Kim Kardashian) com o chef-estrela Gordon Ramsay? Veja abaixo como Kris compartilhou a foto do encontro, e compare-a com a foto compartilhada por Gordon.

Nem a testa de Gordon passou ilesa pelo filtro de Kris. Ela compartilhou a foto da direita, e ele da esquerda.

Agora veja que diferença entre essas duas imagens compartilhadas por amigas que foram fotografadas ao mesmo tempo.

Até mesmo as paisagens são distorcidas por influencers que querem o cenário perfeito para suas peripécias imaginárias.

Esta influencer encontrou um céu mais bonito para a janela de seu avião
Um morador da região fotografada mostrou que não existe um campo de tulipas ali

Veja 11 efeitos que o uso exagerado das redes sociais pode produzir nas pessoas e como evitá-los:

11. Estresse

Pesquisadores do Pew Reserach Center (EUA) acompanharam 1800 pessoas em 2015 e constaram que o Twitter foi um fator de estresse significante. Frequentemente as redes sociais causam mais estresse do que relaxam o usuário.

10. Humor

Em 2014 pesquisadores da Áustria observaram que usuários do Facebook relataram humor pior depois de usar a rede social por 20 minutos quando comparado com quem utilizou a internet para outros fins pela mesma quantia de tempo. O estudo sugere que as pessoas se sentem assim porque sabem que aquele foi um tempo perdido.

9. Ansiedade

Um estudo publicado na revista Computers and Human Behaviour mostrou que pessoas que usam sete ou mais plataformas de mídias sociais tinham mais chance de ter níveis altos de ansiedade quando comparadas com pessoas que usam 0-2 plataformas.

8. Depressão

Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh (EUA) concluíram em 2016 em um estudo com 1700 pessoas que quem usa mais as redes sociais têm três vezes mais chance de ter depressão e ansiedade. Eles sugeriram que as razões para isso são o cyber-bullying, ter uma visão distorcida da vida dos outros e a sensação de perda de tempo.

7. Sono

A luz artificial das telas influenciam diretamente na produção de melatonina pelo corpo, que facilita o sono. A luz azulada dos smartphones e laptops tem um grande impacto negativo no sono.

6. Vício

Alguns pesquisadores têm argumentado recentemente que fazer postagens nas redes sociais pode ser mais difícil de evitar do que cigarros e álcool. Mesmo assim, vício em redes sociais ainda não faz parte do manual mais recente de problemas da saúde mental.

Um estudo do Reino Unido que analisou 43 outros trabalhos concluiu que o vício pelas redes sociais pode requerer um tratamento com profissionais. O uso excessivo das plataformas está ligado a problemas de relacionamento, pior rendimento acadêmico e menor participação em grupos off-line.

Eles concluíram que as pessoas mais vulneráveis ao vício pelas redes sociais são aquelas que dependem do álcool, que são altamente extrovertidas e aquelas que usam as mídias sociais para compensar por falta de ligação com pessoas na vida real.

5. Auto-estima

Os filtros, edições e ângulos espertinhos das fotos das redes sociais tem sido objeto de grande preocupação entre pesquisadores.

Uma pesquisa com 1500 pessoas do Reino Unido mostrou que o consumo dessas imagens faz metade dos consumidores se sentirem inadequados, e metade dos jovens de 18-34 anos afirmou isso faz com que eles se sintam feios.

4. Bem-estar

Um estudo de 2013 publicado na revista Plos One mostrou que quanto mais tempo as pessoas passam no Facebook, pior elas se sentem mais tarde. Elas também sente declínio na satisfação com a vida.

3. Relacionamentos cara-a-cara

Se você já esteve conversando com um amigo e ele simplesmente pegou o celular para ver alguma coisa no Instagram enquanto você estava no meio de uma frase, você provavelmente já deve ter se questionado sobre o rumo que as relações sociais pessoas estão tomando num mundo em que é tão fácil se conectar às redes sociais.

Um pequeno estudo publicado na Journal of Social and Personal Relationships mostrou que a simples presença de um celular em cima da mesa quando alguém está falando alguma coisa importante faz com que ela se sinta pior e menos conectada à pessoa que está na sua frente.

2. Inveja

Um estudo envolvendo 600 adultos mostrou que 200 deles sentiram inveja ao usar as redes sociais. Isso vem da comparação já discutida anteriormente, e acaba trazendo também a sensação de frustração.

1. Solidão

Um estudo publicado na American Journal os Preventive Medicine mostrou que jovens de 19 a 32 anos que gastavam muito tempo nas redes sociais tinham duas vezes mais chance de sentir isolação social, que costuma incluir uma sensação de não-pertencimento.

O que fazer para se sentir melhor?

Bono diz que para se proteger da comparação com os outros, é importante dedicar um tempinho para a gratidão. Este sentimento tem efeito contrário ao da comparação, porque dirige a nossa atenção para as coisas boas que temos em nossas vidas.

“As pessoas que gastam alguns minutos para focar no que sentem gratidão se sentem melhor sobre suas vidas em geral, relatam mais otimismo sobre seus futuros e até ficam doentes com menos frequência”, diz ele.

Também é importante manter as relações cara-a-cara fortes, pois é isso que influencia diretamente na sensação de felicidade, e não os milhares de amigos das redes sociais.

Bono sugere dar uma olhada na lista de contatos que você tem no celular para escolher alguém para ligar e conversar diretamente, ao invés de entrar na página desta pessoa no Facebook ou Instagram. A conexão que acontece em uma ligação de poucos minutos é muito mais forte que qualquer like ou comentário em um post.

[Bored Panda, BBC, Science Direct, JCEM, Huffington Post, Plos One, Research Digest, Universidade Humboldt]

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