20 mil moedas da idade média descobertas por homem que procurava minhocas

Por , em 14.10.2025
O tesouro pode conter até 20 mil moedas, além de pérolas e anéis datados da Idade Média sueca. (Crédito da imagem: Conselho Administrativo do Condado de Estocolmo)

Um sueco em busca de minhocas para pescar acabou protagonizando uma cena digna de novela histórica: em vez de iscas, desenterrou um tesouro que pode chegar a 20 mil moedas de prata misturadas com joias, anéis e pérolas da Idade Média inicial. O achado ocorreu perto de sua casa de verão nos arredores de Estocolmo, transformando uma tarefa simples em um encontro direto com o século 12.

O caldeirão que guardava séculos de riqueza

De acordo com o Conselho Administrativo do Condado de Estocolmo, os objetos estavam guardados em um caldeirão de cobre, hoje quase todo corroído. O peso total, cerca de 6 quilos, não impressiona tanto quanto o valor histórico que carrega. Curiosamente, tudo isso foi descoberto graças a alguém que só queria pescar em paz — prova de que a sorte às vezes tem um senso de humor peculiar.

O homem seguiu as regras suecas e comunicou imediatamente às autoridades. Esse gesto e essencial, já que a lei local obriga qualquer pessoa que encontre metais preciosos antigos a dar ao Estado o direito de aquisição, com possibilidade de compensação.

Moedas que iluminam o reinado de knut

As primeiras análises revelaram que a maioria das moedas remonta ao século 12, muitas trazendo a inscrição “KANUTUS”, em referência ao rei Knut Eriksson, que governou entre 1173 e 1195. Algumas peças são ainda mais raras: as chamadas moedas episcopais adornadas com a figura de um bispo empunhando um báculo.

Para Sofia Andersson, especialista do Conselho, o conjunto pode ser um dos maiores tesouros medievais encontrados na Suécia. Estocolmo, vale lembrar, sequer existia na época; a cidade só surgiria oficialmente em 1252 e levaria décadas para se consolidar como centro político e econômico.

Esconder um tesouro em tempos inseguros

Segundo Lin Annerbäck diretora do Museu Medieval de Estocolmo, o contexto da época era turbulento. O fim do século 12 marcou tentativas suecas de expandir território na Finlândia e um ambiente de disputas internas. Guardar a fortuna debaixo da terra podia ser a forma mais eficaz de protegê-la.

O detalhe de encontrar joias e pérolas junto às moedas reforça a ideia de riqueza pessoal guardada às pressas — e nunca recuperada. Ironicamente, só séculos depois, um buscador de minhocas daria nova vida a esse patrimônio.

O olhar de quem edita ciência

De minha perspectiva como editor de ciência, gosto de destacar como descobertas assim mostram o quanto a história pode emergir em situações banais. Um simples pedaço de solo pode ser a ponte para entendermos não apenas a política medieval, mas também a química dos metais, já que a prata oxidada adquire tonalidades verdes que contam sua própria trajetória subterrânea.

O caso segue em análise, com a expectativa de que a Agência Nacional de Patrimônio da Suécia decida como compensar financeiramente o sortudo pescador, que talvez seja o único homem na região a lamentar que minhocas não rendam manchetes tão chamativas quanto moedas milenares. [Live Science]

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