Chineses colocaram um gene da inteligência humana em um macaco. Cientistas estão preocupados

Por , em 2.01.2020

Cientistas do Instituto de Zoologia de Kunming, na China, colocaram um gene do cérebro humano em macacos, o que melhorou sua memória de curto prazo.

O objetivo do estudo era investigar como o gene MCPH1 poderia ter contribuído para a evolução do cérebro humano.

No entanto, a pesquisa levantou questões e preocupações éticas quanto a introdução da inteligência humana em outros primatas.

MCPH1

Todos os primatas possuem alguma variação do gene MCPH1.

A versão humana é diferente, contudo, uma vez que nossos cérebros são maiores, mais avançados e de desenvolvimento mais lento.

É por esse motivo que os cientistas chineses decidiram analisar se a nossa versão do MCPH1 poderia explicar nossos cérebros mais complexos.

Metodologia

O geneticista Bing Su e sua equipe injetaram 11 embriões de macacos- rhesus com a versão humana do gene MCPH1.

Nesses animais, o cérebro se desenvolveu mais lentamente. Quanto atingiram a idade de 2 a 3 anos, também se saíram melhor em testes de memória curto prazo.

Não houve diferença no tamanho do cérebro ou outros comportamentos entre os macacos transgênicos.

Preocupações

Embora os resultados pareçam pouco preocupantes em termos de transformar macacos em humanos, muitos cientistas criticaram o experimento.

Para a bioética Rebecca Walker, da Universidade da Carolina do Norte (EUA), esse tipo de estudo poderia representar o início da criação de animais com inteligência humana.

Para justificar seu estudo, Su disse ao China Daily que “cientistas concordam que modelos de macacos às vezes são insubstituíveis para a pesquisa básica, especialmente no estudo da fisiologia, cognição e doença humanas”, e que a “distância filogenética relativamente grande [entre macacos-rhesus e humanos] alivia preocupações éticas”.

No caso, macacos-rhesus e humanos estão separados por cerca de 25 milhões de anos de divergência genética, sendo que estes animais são muito menos parecidos conosco em termos de capacidades sociais e cognitivas do que chimpanzés, por exemplo.

“Enquanto macacos e humanos têm genomas semelhantes, ainda existem dezenas de milhões de diferenças genéticas. Mudar um gene cuidadosamente projetado para a pesquisa não resultará em mudanças drásticas”, argumentou Su.

De fato, é difícil que um desses macacos passe a agir como um ser humano, mas Walker crê que isso não importa. “Estamos falando sobre a melhoria da memória de curto prazo, o que os colocaria mais perto de nós em termos dessas habilidades cognitivas”, disse.

A mudança pode ser pequena no momento, mas alguns cientistas questionam a possibilidade de os pesquisadores encontrarem (e utilizarem) um gene com um efeito muito maior na cognição.

“Há alguns elementos arriscados em seguir esse caminho. É preciso pensar nas consequências e em qual é a melhor maneira de estudar esse tipo de questão”, sugeriu James Sikela, geneticista da Universidade do Colorado (EUA).

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica National Science Review. [DiscoverMagazine]

2 comentários

  • silviojbmaia:

    Não há motivo para preocupações a não ser com a saúde e bem-estar do macaco.
    Estamos em corpos humanimais usando pouco mais de dez por cento da capacidade cerebral.
    É o avanço do espírito que habilita a utilização automaticamente.
    Se a ciência terráquea aceitasse a colaboração paranormal sempre oferecida humildemente e
    recusada com arrogância, pouparia muito tempo em experiências vazias e avançaria muito mais rapidamente.

    • Cesar Grossmann:

      Silvio, é mentira que a gente só usa 10% da capacidade cerebral. A “colaboração paranormal” não é “oferecida humildemente” muito menos “recusada com arrogância”. Sempre que a gente examina com rigor, a gente descobre que a “colaboração paranormal” é pura fraude. A propósito, por que é mesmo que a “colaboração paranormal” não produziu nada até agora?

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