Cometa do tamanho de uma cidade fica 300x mais brilhante após erupção vulcânica fria

Por , em 12.11.2024
O cometa 29P/Schwassmann-Wachmann experimentou recentemente seu maior surto em mais de três anos. A imagem, registrada pelo telescópio Spitzer da NASA, mostra o cometa após uma erupção significativa em 2003. Fonte da imagem: NASA/Telescópio Espacial Spitzer

No vasto céu, surge uma estrela improvável: o cometa 29P/Schwassmann-Wachmann, uma rocha de 60 quilômetros, que é de fato, um tipo de vulcão especial. Composto de gelo, gás e poeira, esse “cometa centauro” tem algo que poucos de sua categoria possuem: ele expele seus próprios “intestinos congelados”. Isso mesmo, ele possui atividade criovulcânica, o que significa que, ao invés de lava quente, ele ejeta criomagma — uma mistura gelada de gelo e gases que, ao ser lançado, aumenta a luminosidade do cometa em até 300 vezes.

A causa desse fenômeno está no seu núcleo, que se aquece aos poucos com a radiação solar. Esse calor, embora pequeno, gera pressão suficiente para que o cometa ocasionalmente se rompa, expelindo sua camada externa numa grande explosão de brilho, acompanhada por uma nuvem difusa que reflete intensamente a luz do Sol.

Erupções Recordes: O Show do 29P em Quatro Atos

Recentemente, o 29P surpreendeu os astrônomos ao explodir quatro vezes em menos de 48 horas, um verdadeiro show para o mundo científico. Esse evento raro marcou a maior série de erupções desse cometa em três anos, elevando seu brilho a níveis nunca antes registrados. Para quem acompanha o cometa de perto, essa erupção súbita foi um deleite inesperado.

Após um surto, cometas criovulcânicos aumentam seu brilho à medida que a coma se expande. Essas imagens mostram o 29P ficando mais brilhante após um surto ocorrido em outubro de 2021. Fonte da imagem: Eliot Herman

Os cientistas da British Astronomical Association (BAA), que monitoram o 29P com dedicação, explicaram que o objeto se tornou 289 vezes mais brilhante. Richard Miles, astrônomo da BAA, comparou a expansão da coma — essa nuvem de criomagma que envolve o cometa — a um espetáculo de fogos de artifício celeste.

Cometas Criovulcânicos: Vulcões de Gelo no Espaço

O 29P faz parte de um grupo raro de cometas chamados criovulcânicos, que são basicamente vulcões congelados. Esses cometas têm um núcleo gelado que, aquecido gradualmente pela luz solar, acumula pressão até que sua camada externa rache. Quando isso acontece, o criomagma é lançado ao espaço, resultando em uma nuvem expansiva e muito mais brilhante. É um espetáculo que intriga os cientistas, pois é quase impossível prever quando esses surtos irão ocorrer.

A órbita do 29P, ao contrário de muitos cometas, é relativamente circular, nunca se aproximando o suficiente do Sol para formar uma cauda. Esse detalhe aumenta o mistério sobre o comportamento dele, pois sua distância do Sol não varia o suficiente para justificar surtos tão irregulares.

Com uma órbita circular ao redor do Sol, 29P nunca se aproxima muito da nossa estrela. Isso faz com que seus surtos irregulares sejam difíceis de prever ou entender. Fonte da imagem: NASA/JPL Small-Body Database Browser

Uma Questão de Tempo e Radiação: O Que Realmente Move o 29P?

Enquanto a maioria dos cometas criovulcânicos tem órbitas elípticas que os levam do sistema solar interno para as regiões externas por longos períodos, o 29P tem uma trajetória particular. Sua órbita ao redor do Sol leva aproximadamente 15 anos e o mantém a uma distância semelhante à de Júpiter, o que faz com que receba uma quantidade constante de radiação solar. Isso significa que, em teoria, ele deveria apresentar uma atividade previsível. Mas, na prática, o 29P não segue essa lógica e seus surtos ocorrem em intervalos aleatórios.

Cientistas tentam decifrar esse comportamento incomum há décadas. Alguns sugerem que elementos internos do núcleo, como a concentração de certos gases, podem desempenhar um papel nessas explosões súbitas e intensas.

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