Estudo revela como alimentos ultraprocessados podem agravar o câncer de intestino

O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados tem sido associado a uma inflamação persistente no organismo, que pode criar o ambiente perfeito para o desenvolvimento de tumores no intestino. Um estudo recente, publicado na revista científica Gut, detalha como certos óleos presentes nesses alimentos desempenham um papel chave nesse processo.
O perigo crescente do câncer de intestino
O câncer colorretal é o terceiro mais comum no mundo e ocupa o segundo lugar entre as principais causas de mortes por câncer, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora a maioria dos casos ocorra em pessoas com mais de 50 anos, há um aumento alarmante nas ocorrências entre jovens adultos.
Essa doença é caracterizada por tumores que prosperam em um ambiente de inflamação crônica. O desequilíbrio nos processos inflamatórios do corpo – que deveriam tanto combater ameaças quanto promover a cicatrização – compromete o sistema imunológico, permitindo que as células cancerosas se multipliquem descontroladamente.
Como os alimentos ultraprocessados inflamam o corpo
Um alimento é considerado ultraprocessado quando possui cinco ou mais ingredientes adicionados, principalmente substâncias incomuns em preparações caseiras, como conservantes, emulsificantes, corantes, aromatizantes e adoçantes artificiais.
Alimentos ultraprocessados são aqueles repletos de óleos refinados, gorduras trans, açúcares e outros componentes artificiais. Esses ingredientes frequentemente carecem de nutrientes essenciais e possuem um excesso de ácidos graxos ômega-6, como o ácido linolênico presente em óleos vegetais comuns (girassol, canola, milho, entre outros). Esse ácido se transforma em ácido aracdônico, uma substância que desencadeia processos inflamatórios.
Ganesh Halade, farmacologista da Universidade do Sul da Flórida, explica que os lipídeos bioativos originados desses alimentos desequilibram o sistema imunológico, favorecendo inflamações crônicas. Enquanto isso, alimentos ricos em ômega-3 – como peixes gordurosos e abacates – contribuem para resolver esses quadros inflamatórios, promovendo a saúde intestinal.
O que os tumores nos revelam
Os cientistas analisaram os lipídeos presentes nos tumores de 81 pacientes com câncer colorretal, comparando-os ao tecido intestinal saudável de outras 81 pessoas. Usando cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas (LC-MS/MS), descobriram que os tumores continham altas concentrações de compostos inflamatórios derivados de ácido aracdônico e quase nenhuma quantidade dos mediadores que ajudam a resolver a inflamação.
O professor Timothy Yeatman, especialista em cirurgia na mesma universidade, afirma que o desequilíbrio entre essas moléculas é como uma ferida crônica que nunca cicatriza. Essa inflamação constante é agravada pelo consumo de alimentos ultraprocessados, que reduzem a capacidade do corpo de se curar.
Combatendo o problema com alimentos saudáveis
A chave para reduzir a inflamação está em uma dieta rica em alimentos naturais e não processados. Fontes de ômega-3, como peixes gordos e óleo de peixe, possuem compostos chamados mediadores pro-resolutivos especializados, que ajudam o corpo a combater inflamações de forma eficiente. Esses nutrientes podem até criar um ambiente favorável para tratamentos contra o câncer.
Os pesquisadores sugerem que, ao equilibrar o sistema imunológico, não apenas o câncer colorretal, mas outros tipos de tumores, podem ser mais bem controlados. Mais estudos são necessários para explorar o impacto dessa abordagem em larga escala.
Um chamado para reavaliar o que comemos
Além de melhorar a saúde individual, mudar os hábitos alimentares também pode reduzir o peso financeiro do câncer no sistema de saúde. Afinal, prevenir é sempre mais barato e eficaz do que tratar. Substituir aquele pacote de salgadinhos por uma porção de castanhas ou uma fruta fresca pode parecer um pequeno gesto, mas pode representar um grande passo para a saúde a longo prazo.
