Mandíbula Fóssil de 1,4 Milhões de Anos Revela Nova Espécie de Paranthropus na África do Sul

Por , em 7.02.2025

Um fóssil de mandíbula com 1,4 milhões de anos, encontrado na África do Sul, foi identificado como pertencente a uma nova espécie do gênero extinto Paranthropus, segundo um estudo recente publicado no Journal of Human Evolution. Os resultados dessa pesquisa sugerem que pelo menos duas espécies de Paranthropus coexistiram no sul da África durante esse período, destacando a diversidade dos primeiros hominídeos.

O Enigma da Mandíbula SK 15

A mandíbula fossilizada, chamada de SK 15, foi descoberta em 1949 no sistema de cavernas Swartkrans, famoso por sua riqueza em fósseis de hominídeos. Inicialmente, os pesquisadores acreditavam que o espécime pertencia ao Telanthropus capensis, uma espécie que depois foi descartada. Nos anos 1960, o fóssil foi formalmente atribuído ao Homo ergaster, um dos ancestrais mais antigos dos humanos. No entanto, os avanços recentes na tecnologia permitiram que os pesquisadores revisassem SK 15 usando varreduras de raios X de alta resolução e modelagem virtual em 3D.

Fotografias do espécime SK 15 em vistas oclusal (A) e lateral (B). Crédito: C. Zanolli et al., Journal of Human Evolution (2025)

Com a liderança do paleoantropólogo Clément Zanolli, da Universidade de Bordeaux, a equipe examinou a estrutura externa e interna do fóssil. A análise concentrou-se na forma da mandíbula, no tamanho e na morfologia dos dentes, além da estrutura interna da dentina, o tecido mineralizado duro sob o esmalte. Com base nos resultados, ficou claro que SK 15 não é Homo ergaster, mas pertence ao gênero Paranthropus — um gênero conhecido por suas mandíbulas robustas e molares grandes, que lhe rendeu o apelido de “homem quebra-nozes”.

Paranthropus capensis: Uma Nova Adição ao Gênero

Embora pertença ao gênero Paranthropus, SK 15 possui características únicas que o diferenciam de outras espécies conhecidas do gênero. Ao contrário de P. aethiopicus, P. boisei e P. robustus, que viveram entre 2,7 milhões e 1 milhão de anos atrás, a mandíbula e os dentes de SK 15 são menores e mais delicados. Isso levou os pesquisadores a concluirem que haviam identificado uma nova espécie, nomeada Paranthropus capensis.

Zanolli afirmou à Live Science que Swartkrans é um local chave para descobrir a extensão da diversidade dos hominíneos e entender as possíveis interações entre diferentes espécies de hominíneos. Esta é a primeira vez desde os anos 1970 que uma nova espécie de Paranthropus foi identificada.

Coexistência e Nichos Ecológicos

A descoberta de P. capensis indica que múltiplas espécies de Paranthropus provavelmente coexistiram no sul da África há cerca de 1,4 milhões de anos, possivelmente ocupando diferentes nichos ecológicos. Enquanto P. robustus apresentava um crânio robusto adequado para processar materiais vegetais duros, o P. capensis, sendo uma espécie mais esbelta, pode ter tido uma dieta e estilo de vida diferentes. A equipe sugere que um trabalho adicional sobre coleções de fósseis existentes de Swartkrans e locais adjacentes pode revelar mais espécimes de P. capensis que foram previamente identificados erroneamente como P. robustus.

Embora o destino evolutivo de P. capensis ainda seja bastante incerto, Zanolli especulou que uma linhagem poderia ter durado muito mais tempo do que se sabe atualmente.

Mais informações podem ser encontradas no estudo de Zanolli e colaboradores, disponível no Journal of Human Evolution.

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