Animais microscópicos podem produzir clones de si mesmos

Por , em 16.06.2010

Qual é a semelhança entre a reprodução humana e a dos rotíferos? Pois saiba que há mais similaridades do que você imagina. Assim como nós, humanos, esses animais aquáticos microscópicos produzem progesterona, mas em situações bem diferentes de nós.

Pouco visível sem um microscópio, rotíferos comem algas e servem principalmente como alimento para filhotes de peixes. Porém, as fêmeas de certas espécies de rotíferos podem fazer algo bastante incomum: reproduzir-se assexuadamente através da criação de clones de si mesmos, ou iniciar um processo que permite a reprodução sexuada, produzindo rotíferos do sexo masculino.

O mediador químico para essa mudança de reprodução assexuada para sexuada é nossa velha conhecida progesterona – uma molécula simples, que também desempenha um papel vital na regulação da reprodução e desenvolvimento sexual nos seres humanos e muitas outras espécies. A descoberta desse esteroide sexual e de seu receptor em rotíferos simples sugere que a presença da progesterona no ciclo reprodutivo remonta há centenas de milhões de anos.

“Isso tem implicações evolucionárias realmente importantes”, diz Julia Kubanek, professora na Escola de Biologia do Instituto de Tecnologia de Georgia e uma das autoras da pesquisa. “Nosso estudo mostra que exatamente a mesma molécula esteroide é encontrado em seres humanos e em rotíferos, mas com papeis muito diferentes na reprodução”.

Acredita-se que o estudo tenha sido o primeiro a documentar o uso de progesterona na linhagem de animais simples (como os rotíferos), que se mantém inalterada durante milhões de anos.

Durante a maior parte do ano, a população de rotíferos é constituída apenas por fêmeas, que se reproduzem criando clones de si mesmas. Mas quando as condições ambientais ameaçam a população – como a redução da quantidade de alimento disponível – cerca de um terço da população de rotíferos passa a se reproduzir sexualmente. Essa é a única maneira das criaturas produzirem ovos capazes de sobreviver por um longo inverno.

“Os rotíferos são muito bons em descobrir quando as condições estão ficando ruins e quando é hora de produzir machos, fazer sexo e dar isso por encerrado”, afirma Kubanek.

A pesquisa também pode ajudar os pesquisadores a entender a interação entre o meio ambiente, metabolismo, hormônios e comportamentos. “Podemos aprender coisas com os rotíferos assuntos que tocam a biologia humana, incluindo, nesse caso, a universalidade dos esteróides na reprodução e como eles são usados de forma diferente nos mais diversos animais”, disse Kubanek.

“É um sistema muito complexo para um organismo tão simples” diz Paige Stout, estudante de Ph.D. na Escola Tecnológica de Química e Bioquímica da Geórgia, que estuda o potencial farmacêutico de compostos produzidos por organismos marinhos, como algas. “Embora estivéssemos procurando pela progesterona, fiquei surpreso ao realmente encontra-la, em vez de algum de seus derivados”, completa. [Science Daily]

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3 comentários

  • wemerson:

    Muito interessante

  • Nei:

    Isso me faz lembrar que camarões apresentam muita serotonina, que é o hormônio da felicidade. Assim pode-se concluir que o camarão deve ser muito feliz.

  • Wesley:

    A receita para criar vida artificial foi descoberta?
    Ela seria uma promessa para a medicina ou o risco de criar uma arma biológica?

    Amigos, já foi descoberto como criar microorganismos…
    Ou seja, criar um ser vivo, no caso uma bactéria artificial a partir de substancias químicas.
    E no momento os recursos estão sendo injetados na confecção de armas eugênicas…
    Sendo que se estaria criando Bactérias novas com propósitos específicos.
    Tipo a confecção de vacinas e microorganismos capaz de degradar algumas substancias chaves.
    Os primeiros Genomas artificiais, que seriam um conjunto de instruções bioquímicas, com no mínimo 300 genes.
    Contém um trecho especifico de DNA, capaz de controlar as funções vitais, como respirar, extrair energia de alguma fonte e se reproduzir.
    Procurem matéria publicada pelo Instituto de Pesquisa Genômica e pela empresa de biologia Celera.
    • 3 anos atrás
    Detalhes Adicionais
    Venter, o fundado dos 02 Institutos de pesquisas, num estudo publicado pela revista “Science”,
    disse ter descoberto a essência da vida em nível molecular.
    As pesquisas foram realizadas com a Mycoplasma genitalium, a menor bactéria conhecida.
    Esse micróbio vive nos órgãos genitais e nos pulmões humanos…
    Mas aparentemente não causa nenhuma doença.
    A Mycoplasma genitalium, tem menos de 480 genes, enquanto o ser humano tem cerca de 140 mil genes.

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