Esta é uma belíssima foto acidental do que parece ser um exoplaneta bebê

Por , em 9.05.2018

Uma equipe internacional de astrônomos liderada pela Universidade de Leiden (Holanda) fotografou acidentalmente o que eles pensam ser um exoplaneta em processo de crescimento, a 600 anos-luz de distância.

A ideia inicial dos pesquisadores era fotografar um sistema estelar chamado CS Cha, localizado em uma região formadora de estrelas na Constelação Camaleão.

As estrelas do sistema são do tipo T Tauri, ou seja, estrelas muito jovens, com apenas 2 a 3 milhões de anos, a idade perfeita para ser cercada por um disco protoplanetário de poeira e gás, no processo de formação de planetas.

Era exatamente esse disco que a equipe esperava encontrar enquanto estudava CS Cha usando o Very Large Telescope (Telescópio Muito Grande ou VLT) no Chile, em fevereiro de 2017. No entanto, receberam muito mais do que pediram.

A surpresa

A CS Cha é um sistema binário de duas estrelas. O sistema tem o que é conhecido como “disco circumbinário” em volta de ambas.

Enquanto olhavam as imagens, no entanto, os astrônomos notaram um pequeno ponto de luz fora desse disco. Estranhando, eles compararam a foto com imagens do mesmo sistema tiradas pelo VLT 11 anos atrás e com imagens feitas pelo Telescópio Espacial Hubble 19 anos atrás.

O ponto estava lá, em todas elas. Então, não era uma falha nem uma anomalia transitória. E estava se movendo com CS Cha – é definitivamente um companheiro para a estrela binária.

Os pesquisadores, abismados, ainda não podem dizer com certeza o que esse ponto é. As opções são relativamente limitadas, entretanto, uma vez que é um objeto visível orbitando um sistema estelar.

Anã marrom ou exoplaneta bebê?

A equipe tentou realizar uma análise espectroscópica para tentar descobrir do que se tratava o “ponto”, mas se deparou com um obstáculo: a luz do objeto é altamente polarizada. Isso geralmente ocorre quando a luz é espalhada por algo no seu caminho.

“Nós suspeitamos que o companheiro [do sistema binário] está cercado por seu próprio disco de poeira. A parte complicada é que o disco bloqueia uma grande parte da luz e é por isso que dificilmente podemos determinar sua massa. Então pode ser um anã marrom, mas também um Super-Júpiter em formação”, explicou o astrônomo Christian Ginski, da Universidade de Leiden, principal autor do novo estudo.

Uma anã marrom é um tipo de estrela “falhada” de massa muito baixa. Isso significa que ela é muito pequena para sustentar a fusão de hidrogênio, mas grande e quente demais para ser classificada como um planeta gasoso.

Ou então o ponto com seu próprio disco poderia ser um gigante de gás que ainda está crescendo, um tipo de planeta chamado de “Super-Júpiter”, por sua semelhança com o nosso vizinho galáctico, embora com massa muito maior.

Achado

Se realmente for uma dessas duas coisas, não importa qual, a descoberta será extraordinária.

A maioria dos exoplanetas está muito longe para ser fotografada diretamente. Podemos apenas inferir sua presença com base na maneira como mudam a luz de sua estrela hospedeira. A lista de exoplanetas observados diretamente é incrivelmente curta.

Não é tão diferente para anãs marrons: a primeira observação direta de uma possível anã marrom foi anunciada apenas em 2009. Além disso, anãs marrons companheiras de estrelas parecidas com nosso sol são extremamente raras – quem dirá uma com o seu próprio disco.

Próximos passos

A equipe está trabalhando para descobrir exatamente que tipo de objeto aparece na foto, usando o Atacama Large Millimeter/submillimetre Array (o observatório astronômico ALMA) no Chile.

“O sistema CS Cha é o único no qual um disco circumplanetário está provavelmente presente, assim como um disco circunstelar. É também, até onde sabemos, o primeiro disco circumplanetário detectado diretamente em torno de um companheiro subestelar com luz polarizada, restringindo sua geometria”, escreveram os pesquisadores em seu artigo, aceito para publicação na revista Astronomy & Astrophysics.

Depois que for bem estudado, o sistema pode ser considerado uma referência para cenários de formação de planetas e anãs marrons. [ScienceAlert]

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