Baleia “espiã” fugiu de treinamento militar russo, diz cientista marinha

Há cinco anos, uma baleia beluga misteriosa apareceu na costa da Noruega, intrigando pescadores e despertando suspeitas de que fosse uma “espiã” da Rússia. Nomeada carinhosamente de Hvaldimir — uma fusão entre “hval” (baleia, em norueguês) e “Vladimir” (em referência a Putin) —, a simpática beluga foi vista interagindo com humanos, algo raro para sua espécie. E essa foi apenas a ponta do iceberg de sua jornada.
Espiã ou Rebelde? A Fuga de Hvaldimir
Cientistas, como a Dra. Olga Shpak, renomada especialista em mamíferos marinhos, têm teorias intrigantes sobre Hvaldimir. Segundo a Dra. Shpak, a beluga provavelmente fazia parte de um programa militar russo, mas com um papel mais próximo da proteção de bases navais do que de espionagem. Em suas palavras, Hvaldimir não era uma “espiã”, mas uma espécie de “delinquente”, com personalidade independente demais para seguir ordens. Ela suspeita que a baleia tenha fugido ao se ver solta em águas abertas, encontrando no mar um tipo de liberdade impossível de resistir.

O mistério não termina aí. O fato de Hvaldimir ter sido vista com um arreio preso ao corpo, contendo suporte para uma câmera e a inscrição “Equipment St Petersburg”, só aumentou as teorias sobre sua origem. E quando a baleia passou a se aproximar de barcos noruegueses em busca de companhia, tudo indicava que ela tinha uma história bastante peculiar para contar.
A “Base” de Hvaldimir e as Possíveis Missões
Imagens de satélite capturadas perto de uma base naval russa em Murmansk sugerem que Hvaldimir vivia próxima de submarinos e embarcações militares. Essas imagens mostram cercados no mar, onde belugas podem ser vistas, levando alguns especialistas a acreditar que Hvaldimir e outras baleias poderiam ser parte de um sistema de vigilância para alertar contra intrusos.
A Dra. Shpak afirma que Hvaldimir foi capturada em 2013 no remoto Mar de Okhotsk e levada para São Petersburgo, sendo posteriormente treinada na base militar do Ártico. Segundo ela, “Andruha”, como Hvaldimir era conhecida na Rússia, era uma baleia inteligente e brincalhona, qualidades que a tornavam ideal para ser treinada, mas também muito independente. “Se precisasse escolher entre seguir ordens ou ir explorar, ela escolheria a liberdade”, brinca Shpak.
O Longo Caminho até o Norte da Europa e o Final Inesperado
Hvaldimir não permaneceu muito tempo no norte da Noruega; sua curiosidade a levou a explorar novas águas. A cada ano, ela se aventurava mais ao sul, sendo vista em diferentes localidades norueguesas e, eventualmente, na costa da Suécia. Em maio de 2023, ela foi observada na Suécia, fazendo com que sua história ganhasse ainda mais repercussão internacional.

Mas, como muitas histórias de liberdade e aventura, essa também teve um final triste. Em setembro de 2024, o corpo de Hvaldimir foi encontrado flutuando na costa da Noruega. Embora ativistas tenham sugerido que poderia ter sido alvo de um ataque, a polícia norueguesa concluiu que a morte foi acidental: a baleia morreu ao ficar com um galho preso na boca, um perigo improvável, mas letal, para a famosa beluga.
A Lenda de Hvaldimir e o Futuro de Baleias “Espiãs”
A história de Hvaldimir, com sua personalidade única e supostas missões secretas, trouxe à tona questões sobre o uso de mamíferos marinhos em programas militares. A Rússia se recusou a confirmar ou negar qualquer envolvimento com Hvaldimir, deixando um rastro de mistério que só contribui para a fama da baleia rebelde.
Hoje, Hvaldimir não é apenas uma lembrança para aqueles que a viram de perto, mas um símbolo da complexa relação entre os animais e a humanidade, especialmente quando interesses militares estão envolvidos. Mesmo depois de sua partida, a baleia beluga “espiã” continua fascinando o mundo e levantando discussões sobre o impacto das ações humanas na vida selvagem. [BBC]
