Bioprinters – mais uma revolução na pesquisa médica

Por , em 10.03.2014

Bioprinters – Mais uma revolução na pesquisa médica

Depois de imprimir tecidos vivos e também produzir vasos sanguíneos sintéticos agora é a vez das bioimpressoras produzirem  tecidos vivos vascularizados, tema central do artigo: “3D Bioprinting of Vascularized, Heterogeneous Cell-Laden Tissue Constructs”

De David B. Kolesky, Ryan L. Truby, A. Sydney Gladman, Travis A. Busbee, Kimberly A. Homan, Jennifer A. Lewis da Universidade de Harvard (USA).

Essa mais recente revolução vem produzir tecidos vivos realmente funcionais capazes de substituir em enxertos ou transplantes os tecidos naturais danificados por disfunções, doenças ou acidentes além de oferecer uma alternativa efetiva aos testes realizados em animais.

Esse salto se deu efetivamente pela impressão concomitante dos vasos sanguíneos dentro dos tecidos. Vasos esses imprescindíveis para o transporte de nutrientes, oxigênio, hormônios, remoção de rejeitos, etc. como ocorrem nos tecidos naturais.

As técnicas de bioimpressão 3D usam “biotintas”, ou seja, meios de culturas contendo células vivas em solução.

Para se conseguir imprimir várias camadas de células sem que as camadas intermediárias fiquem sem oxigênio e nutrientes e possam também excretar  dióxido de carbono e outros rejeitos, David Kolesky e seus colegas desenvolveram uma impressora colorida. Ou seja, dotada de várias biotintas diferentes, constituídas por materiais e células diferentes.

Além das biotintas compostas por  matrizes extracelulares e por células vivas diferenciadas  aplicadas na impressão do tecido vivo em si, existem a biotinta  especialmente desenvolvida para a impressão de vasos sanguíneos. O produto final é um tecido vivo vascularizado.

Segundo Don Ingber, coordenador da equipe:

“A capacidade de construir tecidos 3D dotados de redes vasculares, além de permitir a geração de  tecidos vivos funcionais de maior espessura,  abre a possibilidade de se conectar cirurgicamente a rede sintética à rede natural, promovendo a perfusão imediata do tecido implantado e o aumento considerável de  seu poder de enxertia e sobrevivência”.

Sem dúvida mais uma boa notícia.

Do ponto de vista médico é uma excelente alternativa para o transplante de tecidos. Técnica que afastará por vez o fantasma da rejeição, como ocorre em pacientes vítimas de queimaduras, ou mesmo de doenças degenerativas como o câncer, por exemplo, quando submetidos a enxertos ou transplantes.

Do ponto de vista científico, se observará um ganho de qualidade e uma otimização do tempo de ensaios, pois quando se operam testes laboratoriais em tecidos sintéticos os resultados são muito mais efetivos e confiáveis, uma vez que esses tecidos bioimpressos emulam com maior fidelidade o metabolismo dos tecidos naturais.

Do ponto de vista ético, essa técnica oferece a alternativa tão almejada pela comunidade científica. Colocar termo ao uso de animais em testes e experimentos laboratoriais.

Será mais um passo para o sonhado caminho da conjugação entre ciência e consciência?

Espero impaciente por isso!

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